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Toda Luz Que Não Podemos Ver (Anthony Doerr)

Ficha Técnica:
Nome Original: All the Light We Cannot See
Autor: Anthony Doerr
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Maria Carmelita Dias
Número de Páginas: 528
Ano de Lançamento: 2015
ISBN: 978-85-8057-698-6
Editora: Intrinseca

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 20º livro lido em 2017 e foi Toda Luz Que Não Podemos Ver (Anthony Doerr). Este livro me foi indicado por uma amiga, que conhece muito bem o meu perfil literário, porém, eu não li assim que ela me indicou. Deixei passar um tempo, até que considerável e somente agora, enfrentei as 528 páginas para conhecer esta história.

O livro nos traz dois personagens muito fortes dentro da trama. Werner é um garoto órfão no início da década de 40, que acompanhado de sua irmã Jutta, mora me um orfanato no interior da Alemanha, em uma região de minas de carvão. Certa vez, ele e a irmã estavam revirando o que seria um aterro de lixo, quando ele encontra um rádio quebrado e na curiosidade de saber como aquilo funcionava, ele acabou consertando o aparelho e passou a ouvir todos os dias. No rádio, Werner amava ouvir um programa que trazia os mistérios do universo e sua irmã, gostava de ouvir músicas francesas. Paralelo a isso, temos em Paris, uma garotinha chamada Marie-Laure, que ficou cega bem cedo em função da catarata e o seu pai, um homem muito inteligente e amoroso, constrói para ela uma maquete de Paris, para que a Marie-Laure, apesar da limitação, se tornasse uma pessoa independente. O pai de Marie era uma espécie de chaveiro no museu de Paris e diariamente, abria e fechava as portas da instituição. A filha o acompanha todos os dias para o trabalho e assim, tinha acesso a muitas pessoas inteligentes e interessantes. Marie aprendeu a ler em braile se tornou uma verdadeira fangirl do escritor Julio Verne.

Então, ainda na infância, estes dois personagens, em países e circunstancias muito diferentes em alguns aspectos, mas muito próximos por outras, se vê vivendo na segunda guerra mundial. Werner, por causa da sua curiosidade para com os rádios e aparelhos eletroeletrônicos, passa a consertar os rádios quebrados das pessoas e acaba consertando o rádio de um homem importante e com isso, ganhando uma bolsa de estudos em uma escola nazista. Quando a guerra avança sobre a França, Marie e o pai, fogem para uma cidade chamada Saint Malo, na região bretanha da França e lá, da mesma forma que o pai construiu uma maquete de Paris, ele constrói uma maquete da cidade para que a independência de Marie não sofra com as contingências. Lá, eles vão morar com um tio do pai de Marie, muito traumatizado com a primeira guerra mundial, ele tem medo de tudo e todos.

O livro se desenvolve nos contando a vida destes dois personagens e como eles tem seus caminhos dirigidos pelo pior conflito mundial que já existiu. E em uma narrativa muito simples, mas bem informativa, temos um aspecto da guerra pouco desenvolvido em livros parecidos. Aqui, não vemos o drama dos judeus como foco da narrativa, mas vemos o quanto o povo alemão e os franceses sofreram com o conflito. Em capítulos intercaladas que nos trazem a perspectiva dos dois personagens, acompanhamos como todos sofreram, mesmo estando em lados opostos da guerra.

Foi uma leitura devastadora para mim. O livor me ganhou logo nas primeiras frases e depois disso, eu não conseguia parar mais de ler. De forma lenta, que talvez não conquiste alguns leitores, o autor vai nos dando o passo a passo da guerra e nos mostrando suas consequências em pessoas que nada tinham a ver com o caos. Werner, que não queria perder a vida nas minas de carvão, escolhe a guerra, mesmo na inocência de saber que não se tratava de uma escolha. Marie, inteligente e corajosa, nos dá uma visão muito intensa de quão profundo foi o sofrimento, mesmo que literalmente, ela não pudesse ver as atrocidades.

A conclusão do livor é digna de lágrimas e comoção. Em determinada cena do livro, eu simplesmente não me contive e quis brigar com o livro, porque o desejo de que o final fosse outro, era muito forte. Em contrapartida, temos o desdobramento da vida de quem conseguiu sobreviver ao massacre e isso deu um pouquinho de alívio para a minha dor.

Foi uma leitura emocionante, tensa, forte e muito boa. Me envolvi com todos os personagens e sofri com cada um deles. Particularmente, eu amo livro que tragam as guerras em seus enredos, mas este particularmente, me levou a outro nível em relação à história que me contou. Foi uma leitura que me escravizou, me envolveu, me fez sofrer e sobretudo, me fez sentir compaixão pelos alemães que não puderam escolher que lado ficar.

É um livro que eu recomendo para todo e qualquer leitor. O livro é bem escrito, com um enredo consistente, bem desenvolvido e que nos traz personagens que despertaram em mim, o desejo de abraçar, conversar, conhecer de verdade.

Se você gosta de enredos com guerra, é um livro perfeito. Se você gosta de personagens que crescem e amadurecem na sua frente, despidos de preconceitos ou clichês, é o que mais este livro tem e se você gosta de uma narrativa inteligente, com fatos históricos bem inseridos e uma conclusão emocionante, este é o livro perfeito.
"Todos passamos a existir a partir de uma única célula, menor do que um grão de areia. Muito menor. Dividir. Multiplicar. Somar e subtrair. A matéria muda de sentido, os átomos flutuam para dentro e para fora, as moléculas giram, as proteínas se grudam umas nas outras, as mitocôndrias transmitem ordens oxidantes; começamos como uma aglomeração elétrica microscópica. Os pulmões, o cérebro, o coração. Quarenta semanas mais tarde, seis trilhões de células se espremem através de nossas mães e soltamos um berro. Só então o mundo começa para nós." página 472
Eu amei e esta história ficará por muito tempo, se não eternamente, em meu coração.

Observação: A leitura deste livro cumpre com um item do Desafio Literário 2017. O respectivo item é a leitura de um livro que eu desejei ter lido em 2016 e não deu tempo.

Se vocês tiverem sugestões para o cumprimento dos outros itens, vou adorar conferir.


Um pouco sobre o autor: ANTHONY DOERR nasceu em 27 de outubro de 1973, em Cleveland, Ohio, EUA. Formado em história, é um premiado escritor americano. Atualmente, mora em Boise, Idaho, com a esposa e dois filhos. Seus livros publicados no Brasil são: 
  • Toda Luz Que Não Podemos Ver
  • Quatro Estações em Roma


Comentários
20 Comentários

20 comentários:

  1. Oi, Ivi!
    Eu não sabia que esse livro se tratava de outros povos. Achei interessante ver como os alemães e os franceses sofreram durante a guerra.
    Já prevejo que irei brigar com o livro também. Só me lembro de uma determinada parte de A Menina que Roubava Livros e quis matar o autor porque ele ter feito aquilo.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Três Anos de Historiar

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  2. Ola
    Eu já conhecia esse livro, mas nunca me interessei em procurar a respeito, e é por isso que gostei bastante de poder conferir sua resenha. Eu amo enredos com guerra, e é certo que gostaria de poder fazer essa leitura também. Pelo visto, deve ser uma leitura muito intensa e com vários sentimentos né?!
    Beijos, F

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  3. Nossa eu amo livros assim!Mas ando sentimental e já chorei com tua resenha imaginam lendo o livro!Vou colocar em minha leitura futura

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  4. Oi Ivi
    Você acredita que eu ganhei este livro há dois anos e ainda não li?!
    Li ótimas críticas e a sua me deixou ainda mais animada para ler. Deste ano não passa! Ele vai entrar no meu desafio #12livrospara2017.
    Eu AMO livros sobre a guerra e livros tristes, aqueles que a gente chora, que briga com o final (e pelo jeito este é bem assim, ne?!)
    Ótima sua resenha, parabéns
    Depois volto para te contar o que achei
    Bjs, querida

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  5. Oi Ivi! Apesar de não ser super fã de livros de guerra, fiquei interessada! Gosto quando os personagens amadurecem! E pelo jeito a trama é forma e bem desenvolvida, parece ser uma ótima leitura! Adorei a resenha!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  6. Oi Ivi, tudo bem ?
    Eu já havia visto uma resenha sobre este livro, mas não havia me chamado a atenção. No entanto, mesmo tendo 500 e tantas páginas, fiquei bem curiosa em saber como a vida deles se desenrola, sabendo que os personagens são bem desenvolvidos e com uma trama forte e bem escrita, não tem como não gostar. Certamente quero conferir.
    www.estilo-gisele.blogspot.com.br

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  7. Eu adoro livros assim, com essa temática, mas confesso que você ter dito que é meio lenta me fez repensar se vale a pena mesmo. Claro que suas outras impressões, de que é um livro bem emocionante me faz acreditar que vale a pena dar uma chance a ele, mas não irei fazer a leitura, pelo menos não agora, já que tenho vários livros aqui pra ler.

    Virando Amor

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  8. Olá!! :)

    Eu já tinha ouvido falar bastante deste livro e quero mutioo ler!! :) A historia parece bem interessante, e a capa e bem bonita! :)

    Que bom que o livro te marcou tanto e que as personagens são tao cativantes assim! :) e ótimo quando isso acontece!

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  9. Olá, tudo bom?
    Eu gosto muito de livros que se passam na primeira e segunda guerra e, apesar de já ter visto esse livro por aí, nunca imaginei que fosse essa sua temática. Ver a forma como o mesmo te marcou e o quão sensível parece ser me fez correr para colocá-lo na minha lista de desejados. Preciso desse livro para ontem.
    Outro ponto que curti muito saber é que os personagens amadurecem ao longo da trama e que são despidos de preconceitos. Amei sua resenha!

    Beijos!

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  10. Oi, Ivi

    Canso se ler resenhas positivas sobre este livros, mas não é uma leitura pra mim por dois motivos. Primeiro, porque não gosto de livros sobre guerras. Segundo, pelo fato dele mostrar o sofrimento dos alemães, que sofreram muito também, oa outros livros sobre o assunto realmente enfocam mais no sofrimento dos judeus. E eu conheço pessoalmente alemães que viveram aqueles horrores.
    Que bom que você gostou tanto e que o livro tenha lhe causado tanta comoção.

    Beijo

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  11. Olá Ivi,
    Que bom que essa leitura te agradou. Estou com esse livro em casa desde o lançamento e ainda não tive a oportunidade de ler. Uma amiga leu e, ao contrário de você, não curtiu a leitura. Acho que o problema para ela foi pela forma lenta como a trama desenrola.
    Acho que, como você, vou curtir a leitura, pois gosto desse estilo de leitura.
    Beijos
    Um Oceano de Histórias

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  12. Oieee...
    Ah eu não tenho a menor dúvida de que esse livro seja incrível e completamente emocionante... Mas tenho que confessar que eu tenho um sério problema com livros que envolvem a guerra. Isso mexe comigo que uma tal maneira que eu nao consigo ler absolutamente nada

    Beijos

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  13. Oieee...
    Ah eu não tenho a menor dúvida de que esse livro seja incrível e completamente emocionante... Mas tenho que confessar que eu tenho um sério problema com livros que envolvem a guerra. Isso mexe comigo que uma tal maneira que eu nao consigo ler absolutamente nada

    Beijos

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  14. Oi Ivi,
    eu quero tanto ler esse livro. Me arrependo de não ter lido ele ano passado. Adoro a sinopse dele, o enredo é magnifico. Gosto de livro com esse cenário Guerras e ainda mais quando cita a Alemanha, sei que vem história boa por aí. E tenho certeza que muitos leitores vão gostar também. A sua resenha ficou linda, muito sincera e espero conhecer essa história em breve.

    P.S Já li muitas resenhas do livro, pois ele está na minha wishlist faz mais de um ano.

    Beijoss, Enjoy Books

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  15. Hi baby, tudo bem? não conhecia o livro mas parece ser realmente um livro muito impactante, gosto de leituras que tem a guerra como pano de fundo e esse livro parece não decepcionar quanto a esse aspecto, adorei sua escrita também, você consegue usar muito bem as palavras e desenvolver bem o que quer dizer, parabéns <3 e vou ler o livro com certeza

    Lilian Valentim
    http://speakcinema.blogspot.com.br/
    beijinhos

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  16. Olá!
    Já tinha ouvido falar desse livro mas não sabia que tinha uma ambientação na segunda guerra, e isso me chamou muito a a atenção, apesar dessa narrativa lenta que realmente não me conquistaria muito. Espero poder ler em breve e me emocionar com o final assim como foi com você.
    Beijos.

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  17. Olá!
    Eu conheci esse livro na época do lançamento dele e fiquei muito curiosa para ler. Eu não gosto de história ambientadas em época de guerra, mais porque as vezes vem cheio de narrações sobre o período histórico e isso, pelo menos para o meu gosto, é meio chato. Pelo incrível que pareça, esse livro me chamou muita atenção por causa dos personagens e eu adoro histórias que nos fazem emocionar, por isso eu tenho vontade de lê-lo.
    Beijos,
    Nay
    Traveling Between Pages

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  18. Oie
    cada vez que vejo resenha desse livro meu coração dói por ainda não ter lido. Eu quero demais esse livro e espero muito amar assim como a maioria das pessoas pois o enredo está maravilhoso. Adorei a dica e resenha

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  19. Oláa!!
    Desde que li (e assisti) O Menino do Pijama Listrado, fiquei apaixonada por histórias tristes contadas pelos pontos de vista de crianças. Amo sentir a pureza e inocência em meio ao caos de uma guerra, nos mostrando como nós mesmos deveríamos agir muitas vezes.
    Ainda não conhecia este livro, mas me pareceu de uma sensibilidade incrível... Vai pra listinha de desejados!
    Um beijo

    www.asmeninasqueleemlivros.com

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  20. Tenho esse livro já há alguns anos e ainda não consegui inseri-lo em minhas listas de leitura =/

    Por sua resenha, estou perdendo tempo! Sabia que seria um livro lindo e adoro tudo a respeito da segunda guerra mundial, desde Anne Frank. Acredito que esse livro vai me fazer sofrer tanto quanto Anne Frank fez, ou a menina que roubava livros... É realmente algo a se pensar, sobre os que não puderam escolher um lado ou mesmo os paises de fora que também foram prejudicados.

    Ótima resenha e recomendação!

    Abraços!
    www.asmeninasqueleemlivros.com

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