16.3.20

Séries do Meu Coração #34 The Morning Show


Oi gente que ama livros, hoje venho com mais um post da coluna Séries do Meu Coração e compartilharei com vocês meu amor por mais uma série apaixonante.

A série do mês é The Morning Show.

Como fã da série Friends e por conseguinte, de Jennifer Aniston, fiquei curiosa ao vê-la de volta a TV em um seriado, desta vez em uma produção do serviço de streamming Apple TV+. Fui conferir a produção sem saber muito do enredo, mas predisposta a gostar.

The Morning Show é um exemplo ambíguo, que tanto revela a podridão dos bastidores da indústria do entretenimento, quanto também produz seus próprios super-heróis. A série traz Alex Levy e Mitch Kessler nas manhãs da rede UBA, até que acusações de assédio e má conduta sexual explodem contra Mitch. Isso deixa Alex numa posição frágil, já que a rede quer fazer uma grande limpeza no quadro de funcionários para salvar a audiência do programa. A questão é que tudo acontece na semana em que um vídeo de uma repórter de interior gritando verdades contra um manifestante viraliza, o que a torna uma das convidadas da atração. Essa é a oportunidade perfeita para que Cory Ellison manipule a situação a ponto de conseguir que Bradley, a repórter, acabe como co-âncora de Alex, o que seria o primeiro passo para que ele consiga derrubar o presidente do canal.

A fórmula é muito certeira. Durante os primeiros episódios de The Morning Show, somos sugados por toda a expectativa criada em torno da chegada de Bradley ao posto que fora de Mitch. O roteiro é muito esperto ao dosar drama e folhetim, a fim de manter a elegância da produção sem que perca apelo popular. Sem o verniz que a cobre, a série seria como qualquer boa novela brasileira, onde uma heroína sem papas na língua assume um cargo inesperado de uma empresa enquanto todos duvidam dela ou a odeiam. Bradley é paciente, espera por suas chances de gritar umas frases, tremer seus olhos, evitando comparações com Alex.


Vivendo uma âncora simpática, queridinha e secretamente maléfica, Jennifer arrasta para o poço do esquecimento qualquer sinal da Rachel de Friends, agarrando seus monólogos intempestivos com paixão e força. É dela a posição mais sedutora entre os personagens. Alex não quer perder seu programa, sua reputação e no meio do caminho deixa algumas carniças impensadas. Ao mesmo tempo, o roteiro também não se esquece que ela é humana e lhe dá camadas que protegem a atriz de chapar sua atuação. Com isso, Alex soa terrível em alguns momentos e completamente adorável em outros.


Talvez o grande porém da série seja justamente o esforço de fazer com que a história produza sequências premiáveis para as duas atrizes que vivem uma situação curiosa, sendo totalmente controladoras do processo criativo enquanto representam o espelho exato dessa condição. 


Não se trata de um enredo fácil. O criador Jay Carson foi consultor de House of Cards por anos e provavelmente viu de perto a conduta de Kevin Spacey, demitido da série depois de várias denúncias. Não por acaso, The Morning Show tem seu próprio Spacey na figura de Mitch, que reproduz todos aqueles argumentos vistos exaustivamente na época em que o produtor Harvey Weinsten foi desmascarado por atrizes assediadas nos bastidores de seus filmes. Steve Carrel compõe um Mitch Kessler simpático, bem-humorado, que defende não ter obrigado ninguém a nada de modo ardente, enquanto o backstage do programa lida com as complexidades da “Cultura do Silêncio”.


A crescente de acontecimentos é extremamente sedutora, o nível de intrigas e traições é espantoso e a qualidade dos diálogos melhora consideravelmente após o quinto episódio. Plenamente no controle da narrativa, a série prepara um final chocante, explosivo, daqueles que nos faz realmente pular no sofá e lamuriar por horas todo o tempo necessário até que uma segunda temporada chegue ao ar. Mas, é impossível não perceber as discrepâncias estampadas nas posições de Jennifer e Reese como paladinas da justiça, enquanto a roda não gira exatamente por causa delas. É assim na ficção e na realidade.


A série traz subtemas muito bem desenvolvidos sobre a questão do assédio e tudo feito com elegância, de forma didática para não deixar dúvidas no telespectador. É incisiva, questionadora, desconfortável, mas, ao mesmo tempo, viciante e sua força está no enredo pertinente e nas personagens tridimensionais do elenco: ninguém ali é do bem ou do mal, todos transitam nos dois universos. Uns com culpa, outros não.

Enfim, fica a minha indicação como uma das melhores séries que vi nos últimos tempos e digna da sua atenção.

Confira o trailer:


Mês que vem trago mais séries do meu coração.

Beijos

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