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Carrie, A Estranha (Stephen King)


Carrie, A Estranha, é o primeiro livro publicado de Stephen King. Não é sua primeira história, mas seu primeiro livro. Antes de Carrie, King já havia escrito diversos contos e publicado em jornais e revistas nos EUA, entretanto, ainda não era um escritor famoso. Carrie veio para mudar essa história e trazer a fama a Stephen King, e tudo isso graças a sua esposa, Tabitha King que pegou o manuscrito na lixeira, leu e o entregou de novo a Stephen falando que a história era boa e que ele deveria desenvolvê-la. Conforme o próprio nos conta no prefácio dessa nova edição publicada pela Suma de Letras:
“Tabby perguntou em que eu estava trabalhando. Respondi que era num conto, mas que não tinha dado certo e eu jogara fora. Talvez ela tenha visto alguma coisa na minha cara. Não sei bem. Só sei que ela entrou no meu pequeno escritório, pegou as laudas na lixeira, sacudiu as cinzas de cigarro, desamassou o papel, leu tudo e sugeriu que eu fosse em frente. E eu fui, sobretudo para agradá-la.” (Introdução – pág. 13)
Obrigada, Tabitha!
Aproveito que estou falando da Introdução que Stephen escreveu para essa nova edição, e digo a vocês para não deixarem de ler seus livros desde a introdução. As introduções dos livros de King sempre valem muito a pena ler. Ele conta sobre a história, de porque ela foi escrita, quando e como, e ele faz isso de forma magistral, como lhe é peculiar. As introduções são sempre interessantes e divertidas.
Mas, eu estou aqui para falar do que eu achei de Carrie, a estranha, então vamos lá. Vou falar um pouco da história, se é que ainda exista alguém que não conheça. Mesmo quem não leu o livro, deve conhecer o filme que Brian de Palma lançou em 1976, ou a versão mais recente de 2013 de Kimberly Peirce. O filme, assim como o livro, foi um divisor de águas no mundo do terror, por isso King é muitas vezes conhecido como o Mestre do Terror.
Carrieta White, é uma adolescente problemática e que possui poderes sobrenaturais. Toda a problemática de Carrie advém de sua mãe, Margareth White, uma mulher tão devota que chega a ser doente, que acredita que cometeu o maior pecado de todos quando fez sexo com seu próprio marido e daí engravidou. Carrie é a personificação de seu pecado e ela faz de tudo para reprimir a filha e até castiga-la por isso. Com isso cresceu em um lar doentio, onde tudo é pecado e todos devem sempre se penitenciar por isso. A casa tem imagens bíblicas por todos os lados, imagens de castigos, uma cruz enorme – com mais de um metro e meio na sala, com o sofrimento de Cristo, além de ter um armário onde sempre que a mãe achava necessário prendia Carrie, por horas ou até mesmo dias, para que rezasse pedindo perdão a Deus. Foi dessa forma que Carrie cresceu e viveu até seus 16 anos.
Desde muito novinha, Carrie já tinha demostrado possuir poderes sobrenaturais, o poder da telecinesia, de movimentar objetos com a força da mente. Mas ainda não tinha procurado desenvolver esse dom até o momento que na escola ela é humilhada por suas colegas de classe.
“Fontes seguras afirmam que uma chuva de pedras teria caído sobre a Carlin Street na cidade de Chamberlain na tarde do dia 17 de agosto último. As pedras atingiram principalmente a casa da Sra. Margareth White, danificando grande parte do telhado e destruindo duas calhas e um dreno avaliados em cerca de 25 dólares. A Sra. White é viúva e mora com a filha de 3 anos, Carietta.” (Pág. 17)
O livro começa quando Carrie está no banheiro coletivo da Escola, logo após a aula de Educação Física e todas as meninas estão tomando banho. Gritarias, risinhos, papos sobre garotos, sabonetes passando de mão em mão, e Carrie permanecia alheia a tudo isso, no seu canto, apática, deixando a água escorrer por seus cabelos e com a cabeça ligeiramente inclinada deixando seu corpo sentir a água. Uma menina estranha, sem atrativos, que acreditava em tudo que lhe diziam e era o bode expiatório da turma. Sempre desejou que a escola tivesse chuveiros privativos para não ser obrigada a compartilhar seus banhos com mais ninguém, porque suas colegas sempre ficavam olhando para ela, sempre. Quando Carrie sai do chuveiro todas olham para ela e veem o sangue escorrendo por suas pernas. Uma colega começa a gritar com ela, seguida pelas outras, e começam a jogar absorventes em Carrie e mandando ela se limpar. O fato é que com 16 anos de idade, Carrie estava menstruada pela primeira vez e nem sabia o que era isso. Sua mãe nunca havia lhe dito, ninguém nunca havia lhe falado nada sobre isso. E ela começa a gritar desesperada acreditando que iria morrer de hemorragia. Não precisou mais para ser mais uma vez a chacota da turma.
A história começa com esse fato e logo no começo do livro, já sabemos que algo muito terrível vai acontecer, e que vai acontecer durante o Baile de Formatura da Escola. Stephen nos conta a história intercalando entrevistas com sobreviventes da tragédia na Ewen Hight School, com publicações que foram feitas sobre o estudo da telecinesia após o ocorrido, com depoimentos de algumas pessoas à delegacia no dia do acidente. Tudo isso fazendo com a história tenha ares de realidade. Sabemos que uma tragédia vai acontecer e ficamos curiosos para saber como vai acontecer e qual o desfecho dela. Com isso rapidamente lemos as 199 páginas do livro.
Mesmo que essa história tenha sido lançada a quase 40 anos atrás, ela continua muito atual. Fala da vida escolar, com seus medos e anseios, as amizades, o primeiro amor e o bullying. Por isso acredito que até hoje seja lida, comentada e seja sucesso.
‘Pichação numa carteira da Chamberlain Junior High School: A rosa é vermelha, a violeta é azul, a lesma é lerda, mas Carrie White come merda.” (Pág. 31)
Quem está acostumado com as histórias de Stephen King pode notar um anseio juvenil ao escrever, uma certa urgência em contar a história de Carrie, sem toda a força de suas histórias posteriores em que ele foi adquirindo mais experiência. Mas mesmo assim, dá também para notar que ali está um escritor diferente, com uma narrativa mais atrativa e direta em falar de seus personagens e contar suas vidas.

A história é bem construída, as personagens bem desenvolvidas, apresentadas não com todos os detalhes que ele faz atualmente, mas mesmo assim são bem inseridas na história e ele nos faz conhecer as suas características essenciais. A maior diferença para seus atuais livros é o fato dele ter lançado esse livro bem compacto, mas temos que levar em conta que na época que o livro foi lançado ele estava escrevendo contos mais simples e diretos, e como disse no começo dessa resenha, esse foi seu primeiro livro, seu primeiro conto um pouco maior.

A leitura é totalmente válida para os fãs do gênero, para os fãs do autor e para quem quer saber como tudo começou e porque Stephen King é hoje considerado o Mestre do Terror.
Ambos os filmes (de 1976 e de 2013) não fazem jus ao livro. São poucas as histórias de Stephen King que os cineastas conseguem colocar na telona tão bem como é contada em seus livros. Porém, como King mesmo diz: “Bons ou ruins, os filmes sempre exercem um efeito redutor em obras de fantasia”. Bom, mas essa citação é da introdução de um outro livro do autor.
E um fato curioso que o autor coloca no livro, é o depoimento do professor de inglês de Carrie:
“Carrieta White apresentou o poema abaixo num trabalho de poesia da sétima série. O Sr. Edwin King, professor de inglês de Carrie na ocasião diz: Não sei porque o guardei. Ela certamente não se destacava em minha memória como uma aluna notável, e esse não é um poema notável. Era muito quieta, e não me lembro de vê-la levantando a mão nem uma vez em sala de aula.” (Pág. 67)
Para quem não sabe, Edwin é o nome do meio de Stephen King, e antes de se tornar um famoso escritor, ele era professor de inglês. E se formos reparar bem, em todos os livros, pelo menos em todos os que já li até hoje, Stephen coloca um personagem autobiográfico, não como esse que foi bem direto, mas personagens que tem muito de sua própria história.
Agora é com vocês. Me digam nos comentários se já leram essa ou outras histórias de Stephen King, me contem suas experiências com o autor.



Um pouco sobre o autor: Stephen Edwin King é um escritor americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Os seus livros venderam mais de 350 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países. Seus livros publicados no Brasil são:
1974 - Carrie (Carrie)
1975 – A Hora do Vampiro (Salem’s Lot)
1978 – A Dança da Morte (The Stand)
1979 – A Zona Morta (The Dead Zone)
1980 – A Incendiária (Firestarter)
1981 – Cão Raivoso (Cujo)
1983 – Christine (Christine)
1983 – O Cemitério (Pet Sematary)
1983 – A Hora do Lobisomem (Cycle of the Werewolf)
1984 – O Talismã (The Talisman, escrito com Peter Straub)
1987 – Os Olhos do Dragão (The Eyes of the Dragon)
1987 – Angústia (Misery)
1987 – Os Estranhos (The Tommyknockers)
1989 – A Metade Negra (The Dark Half)
1990 – A Dança da Morte (expandida) (The Stand: The Complete & Uncut Edition)
1991 – Trocas Macabras (Needful Things)
1992 – Eclipse Total (Dolores Claiborne)
1994 – Insônia (Insomnia)
1995 – Rose Madder (Rose Madder)
1996 – À Espera de Um Milagre (The Green Mile)
1996 – Desespero (Desperation)
1998 – Saco de Ossos (Bag of bonés)
2001 – O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher)
2001 – A Casa Negra (Black House, escrito com Peter Straub)
2002 – Buick 8 (From a Buick 8)
2006 – Celular (Cell)
2008 – Duma Key (Duma Key)
2011 – Novembro de 63 (22/11/63)
Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Oi, Bel!
    Carrie é o único livro de Stephen King que tenho vontade de ler. Não só por ter sido o inspirador de um dos filmes de terror mais clássicos do cinema, mas por sua premissa e contexto incríveis!!
    Ótima resenha!

    Abraços,
    Diego.

    pecasdeoito.blogspot.com.br

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    1. Único, Diego? Faz isso não! Leia outros tb pq a narrativa de King é única, ele é ótimo!
      Carrie, foi o primeiro livro que ele publicou, é muito bom, mas ele ainda foi melhorando cada vez mais. Então depois de Carrie procura u dos mais recentes que possa te interessar e leia tb. Depois me fala o que vc achou :)
      Obrigada pelo comentário.
      Abs

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  2. 'Carrie" foi o primeiro que li, e até hoje é meu favorito (não que ele seja o melhor do autor), talvez por isso mesmo, por ter sido o primeiro, criei um apego. "Carrie" sempre será meu/minha protegido (a).
    Ah, falar de minhas experiências com as Obras de SK, seria delicioso, mas extenso demais... seria quase um monólogo sem fim.

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    1. O primeiro que eu li foi Cemitério, e tb tenho uma apego por esse livro por causa disso, por isso entendo sua relação com Carrie.
      Carrie eu vi o filme primeiro e só fui ler o livro agora.
      Gostaria de ouvir o seu monólogo :)
      Obrigada pelo comentário e pela visita!
      Bjs

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  3. Eu assisti primeiro essa nova versão do filme e li recentemente o livro. O que mais me surpreendeu foi o desfecho final do livro. É muuuuuito mais terrível do que no filme (nova versão).

    Ah, parabens pela resenha. Muito boa mesmo.
    :)

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  4. Oi!
    Já assisti aos dois filmes, mas ainda não li o livro.
    Gostei bastante da resenha e dos detalhes apresentados, conheço algumas obras do autor e acho que Carrie será a próxima leitura!

    http://colecionando-livros.blogspot.com.br/

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