Tocaia Grande (Jorge Amado)

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Ficha Técnica:

Nome Original: Tocaia Grande
Autor: Jorge Amado
País de Origem: Brasil
Número de Páginas: 472
Ano de Lançamento: 1984
ISBN-13: 9788535911848
Editora: Companhia das Letras
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 57º livro lido em 2022 e foi Tocaia Grande (Jorge Amado). Como fã assumida do autor, ainda não tinha lido nada dele este ano e matei minha saudade de suas histórias através deste livro.

O livro nos traz o jagunço Natário da Fonseca, caboclo de feições carrancudas que serve ao coronel Boaventura, livrando-o de emboscadas e tocaias, em questões de posse de terras do sertão. Por ser um empregado honesto e leal, será mercador de um pedaço de terra nos cafundós-do-judas do sertão nordestino.


A narrativa inicia-se quando ao arquitetar uma emboscada por problemas políticos a inimigos do coronel Boaventura o jagunço Natário delimita a localização e a posição dos jagunços e pede ao coronel que lhe faça o favor de deixá-lo tomar um pedaço de terras nas cercanias. O caboclo tem a intenção de plantar uma pequena roça de cacau para poder, no futuro, ser dono do seu próprio nariz. Com o empenho da palavra que sempre servirá ao coronel, que lhe deu guarida quando apareceu naquelas bandas, foragido de outra cidade. Em resposta, o coronel lhe diz que só não lhe permitirá que posse das terras como o fará capitão.

Após a tocaia dos inimigos, com vitória do capitão Natário, este batiza o lugar de Tocaia Grande.

Com o passar dos tempos, afluem para a localidade de Tocaia Grande um turco de nome Fadul Abdala, que logo abriu um pequeno comércio e algumas “mulheres-damas” para o deleite dos tropeiros, que começaram a fazer de Tocaia Grande caminho de passagem em suas idas e vindas, o que transformou o lugar em espécie de cidade dormitório.

Tocaia Grande começa a crescer: de lugar de pernoite, passa a arruado, a lugarejo, a arraial, a povoado, a cidadela e a cidade de Irisópolis. Para chegar a cada posto teve de enfrentar de tudo um pouco: enchentes, peste e a tocaia maior contra o povo, a mando do filho do coronel Boaventura, para satisfazer os caprichos de uma russa com ares de madame.


No desenrolar da narrativa, topamos com Castor Abdium, mais conhecido por Tião, que vai dar em Tocaia Grande por ser perseguido pelos homens do Barão; Bernarda, afilhada do Capitão Natário que após a morte de sua mãe, foge para as paragens de Tocaia Grande, tornando-se amante do Capitão Natário, com o qual tem um filho. Jacinta Coroca que passa da condição de velha prostituta a parteira. 

A narrativa, conforme palavras do autor, se dá de 'déu em déu', ou seja, conforme acontecem, sem preocupação de linearidade. Na verdade, o autor nos pinta peças de um mosaico e cabe a nós leitores montá-lo e compreendê-lo.

Os coronéis como figura de esteio: os jagunços cabras mandados, nos dando a impressão de seres insensíveis, que cumprem ordens sem se darem conta se o ato que cometeram está certo ou errado; e as prostitutas, aos montes, as pencas, para deleite dos coronéis, jagunços e toda a corte nordestina.

Mulheres-damas, quase sempre, foram estupradas pelos pais e sem mais sonhos ou ilusões caem pela vida e o fazem por dinheiro. 

Ao final, tudo faz sentido, as histórias se conectam com perfeição e têm ligação a vida pessoal do autor, na pessoa de sua esposa, Zélia Gattai.


Foi uma leitura sensacional mais uma vez e eu adorei toda a experiência, que me fez perceber que Jorge Amado nunca me decepciona.

Adorei!!!


Um pouco sobre o autor:
Jorge Amado é um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Sua obra literária foi adaptada para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira. Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho, mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa. 

Alguns de seus livros publicados são:
  • Tieta do Agreste
  • Gabriela, Cravo e Canela
  • Teresa Batista Cansada de Guerra
  • Dona Flor e Seus Dois Maridos 
  • Tenda dos Milagres
  • Mar Morto 
  • Capitães de Areia
  • Tocaia Grande
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Ivi Campos

46 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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