Água Fresca para as Flores (Valerie Perin)

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

FICHA TÉCNICA

Nome original: Changer l'eau des Fleurs
Autora: Valerie Perin
Tradução: Carolina Selvatici
País de origem: França
Número de páginas: 480
Ano de Lançamento: 2022
ISBN: 978-65-5560-230-2
Editora: Intrínseca
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 72º livro lido em 2022 e foi Água Fresca para as Flores (Valerie Perin). Vi esse livro na lista de várias pessoas como favorito e como muitas destas pessoas comentavam que o livro trazia uma dose intensa de drama, já me interessei porque gosto de sofrer durante as leituras.

O livro nos traz Violette Toussaint, uma mulher de quase 50 anos que vive em um cemitério em Borgonha, na França. Aos poucos, ela nos conta sua rotina como zeladora deste lugar, repleto de memórias, risadas e lágrimas, que se misturam às xícaras de café e taças de vinho. Em sua casa, ela recebe visitantes de todos os tipos e os conforta, os escuta ou apenas lhes faz companhia enquanto eles processam o luto.

Conforme relembra sua história de vida, Violette recebe a visita de Julien Seul. Ele é um policial que tem a missão de deixar as cinzas de sua mãe no túmulo de um completo desconhecido – pelo menos para ele. Quando Julien encontra Violette, ele também quer descobrir as razões do pedido de sua mãe. Logo, as histórias deles se confundem enquanto os sentimentos dela, há muito esquecidos, começam a ser resgatados.

Violette conta sua própria história. Aos poucos, ela narra a rotina no cemitério, as boas coisas e as não tão boas assim. Ela divide essa narrativa com seu passado, o que a levou até ali, principalmente o relacionamento com o marido que sumiu de repente, ou como ela diz, prolongou um de seus sumiços. Ela conta tudo com tanta naturalidade que é fácil consumirmos sua história.

Na verdade, é uma ânsia que a autora consegue despertar no leitor. Além disso, não deixa de ser uma história triste. Apesar de a morte rondar todo o livro, também é cheio de vida, ou pelo menos de razões para viver. Acho que essa ambiguidade funciona muito bem, pois essa tristeza que percebemos em alguns momentos não é permanente. Ela está lá pois Violette sofreu muito, desde a infância até a vida adulta.

Violette tem uma energia surpreendente. Com poucas coisas, seus amigos no cemitério, suas flores, seus gatos e sua casa simples e acolhedora, ela consegue transmitir uma vontade de viver, mesmo que, aos poucos, conhecemos tudo o que ela perdeu durante sua vida. É uma força que não sabemos de onde vem – ou sabemos, se analisarmos como ela vive -, que é inspiradora.

A escrita de Valérie Perrin é sensível, delicada e densa. Me encantei logo de início, o que ajudou para que a leitura avançasse. Mas, na mesma medida que a leitura avança, o tempo também. Isso é fruto do quão profundamente nos envolvemos na história. Mesmo sem ter uma trama bem desenvolvida no início, a leitura avança. Conforme a autora introduz sua trama, o ritmo fica ainda melhor.

Em sua maioria, os capítulos são curtos. Algo interessante é que todos os capítulos são identificados por epitáfios – frases escritas em lápides para homenagear os mortos. É curioso ver aquilo que as pessoas escolhem para colocar na lápide de seus entes – ou o que os próprios mortos escolhem para ser escrito em suas lápides. De alguma forma, são coisas inspiradoras.

Outra coisa que me agradou na escrita de Valérie é que ela usa muitas frases de efeito, principalmente na voz de Violette. São frases que poderiam ser pescadas e usadas, inclusive, em lápides. Contudo, não são frases genéricas ou clichês, são frases com que nos identificamos, mas que também podem passar despercebidas. De qualquer maneira, acho que isso funciona muito bem, assim como os epitáfios.

Como disse, é Violette quem conta sua história. Ela narra diferentes momentos de sua vida, não necessariamente em ordem cronológica. Sem dúvida, essa estrutura não linear tem ligação com toda a trama, com não sabermos o que pode acontecer amanhã ou na semana que vem. Um pequeno acontecimento pode mudar nossa vida para sempre e a autora consegue explorar isso muito bem dentro da estrutura do livro.

Aos poucos, conhecemos não apenas diferentes Violettes, mas também histórias de outros personagens marcantes. Como a do delegado Julien e de outras pessoas que fazem parte do dia a dia de Violette no cemitério. São histórias aleatórias sobre as pessoas que foram ou são enterradas no cemitério, mas também pontos de vistas diferentes de outros personagens que nos ajudam a entender Violette.

Mesmo não sendo um livro de ação ou suspense, a autora insere momentos de reviravoltas, bem construídos e que dão mais fôlego para a leitura. Como disse, é uma história densa, mas ao mesmo tempo tão profunda que é difícil não se envolver com esses personagens. Principalmente por tratar de assuntos tão intrigantes, como o amor, a perda e o perdão, entre outros.

Enfim, eu acho que esse é um romance profundo e que merece muito ser lido. Seja pelos assuntos tratados ou pelos personagens inspiradores e que nos mostram as multifaces do ser humano. Vale muito a pena a leitura!

Eu amei!!


Um pouco sobre a autora:
Valérie Perrin nasceu em 1967, em Remiremont, e cresceu na Borgonha, França. Fotógrafa e roteirista, publicou seu primeiro romance em 2015, o best-seller Les Oubliés du dimanche. Desde então, já ganhou diversos prêmios, teve suas obras traduzidas para trinta idiomas e foi uma das autoras mais vendidas na França em 2019. Água fresca para as flores é seu primeiro e único livro publicado no Brasil até o momento.
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Ivi Campos

46 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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