Pequena Coreografia do Adeus (Aline Bei)

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Ficha Técnica:

Nome Original: Pequena Coreografia do Adeus
Autor: Aline Bei
País de Origem: Brasil
Número de Páginas: 282
Ano de Lançamento: 2021
ISBN: 9786559210411
Editora: Companhia das Letras
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 53º livro lido em 2022 e foi Pequena Coreografia do Adeus (Aline Bei). Em função dos muitos elogios que a autora recebe pelas suas duas obras publicadas, decidi conhecer sua escrita através deste que foi seu último lançamento.

O livro nos traz a vida de Júlia Terra em diferentes fases, da infância à vida adulta. O livro é dividido em três blocos temporais, conectados às faixas etárias da protagonista, em uma prosa constituída em versos. O romance de Aline Bei é poético, senão por sua estrutura experimental, por sua linguagem tão rítmica e simbólica. Cada palavra é usada com cuidado para transmitir não só seu significado específico, mas abraçar outros tantos — e os significados são ressignificados a cada página a depender de sua formatação na página. Nessa experiência de leitura, não lemos apenas os vocábulos, mas também seu contexto de aplicação.

Pequena Coreografia do Adeus traz como centro narrativo a busca de identidade de Júlia, entremeada a sua relação familiar, uma vez que quem Júlia é está diretamente ligado ao que ela vive. Temas como violência e abandono saltam a cada página e impressionam pela força com que são recebidos, especialmente na voz da narradora criança. É de se admirar também, como as emoções e traumas que pouco a pouco constituem a protagonista são somatizados e trabalhados por meio de seu corpo, seja pelas transformações que nele ocorrem durante a puberdade, seja pela forma como Júlia procura uma forma de expressar os sentimentos em algo concreto, em seus odores, fluídos, pele, contornos.

Entre sonhos, traumas, dores e anseios, Pequena Coreografia do Adeus é um relato cru, doloroso, belo e poético da vida de uma mulher marcada, em iguais proporções, pela dor e pelo amor — senão o que efetivamente recebe, o que deseja em quase desespero. E é esse desespero que nos faz transitar pelas páginas, como se em busca de ar, na expectativa do alívio — que não se concretiza como almejado. Se não desistimos da espera, é porque Júlia também não desiste de compreender, de sonhar, de encontrar o que talvez ela nem tenha consciência. Assim, a poesia de Aline Bei se faz na tentativa de dar forma e significado ao que há de mais profundo em termos de sentimentos, e de incompreensível, em termos de ações. 

Este foi um livro que me deu gatilhos demais. Já vivi ou vi acontecer muitas das situações que Julia viveu e isso me deixou extremamente vulnerável e fragilizada pela narrativa. Tudo o que eu queria era entrar no livro e dizer para a personagem que aquilo tudo passaria e que se tornaria alguém amada e respeitada por ser exatamente quem era.

Foi uma leitura extremamente sensível e impactante, que me deixou ainda mais curiosa por conhecer mais do trabalho da autora. Li quase que de uma só vez, incapaz de interromper a fluidez que se dá quase que em uma triste coreografia, mas é também o tipo de livro que pode pedir para ser lido aos poucos, exigindo pausas para se recuperar o fôlego.


Um pouco sobre a autora:
Aline Bei é uma escritora brasileira. Depois de ganhar o Prêmio Toca, criado pelo escritor Marcelino Freire, escreveu em 2017 seu primeiro romance, O Peso do Pássaro Morto. Com ele, foi a vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2018 na categoria Melhor Romance de Autor com Menos de 40 anos.

Seus livros publicados são:
  • O Peso do Pássaro Morto
  • Pequena Coreografia do Adeus
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Ivi Campos

46 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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