As Memórias do Livro (Geraldine Brooks)

segunda-feira, 25 de julho de 2022

FICHA TÉCNICA

Nome original: People of the Book
Autora: Geraldine Brooks
Tradução: Marcos Malvezzi Leal
País de origem: Austrália
Número de páginas: 384
Ano de Lançamento: 2006
ISBN-13: 9788500023323
Editora: Ediouro
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 46º livro lido em 2022 e foi As Memórias do Livro (Geraldine Brooks). Este livro foi a minha primeira escolha para a Maratona de releituras que faço anualmente. Eu o li pela primeira vez em 2009 e minha lembrança do livro era extremamente positiva, embora eu não me recordasse dos detalhes da narrativa.

O livro conta a história do Manuscrito de Sarajevo, a Hagadá. Criado no século XV e de valor inestimável, o livro narra a história da libertação do povo de Israel do Egito. Considerado uma obra prima do judaísmo medieval, com belíssimas ilustrações e de autoria desconhecida, o manuscrito ficou desaparecido durante séculos e ressurgiu numa Sarajevo bombardeada na década de 90, durante uma guerra civil.


Através de circunstâncias inusitadas o documento reaparece e com a ajuda da ONU, uma restauradora é convidada para examinar a Hagadá, avaliar as condições do livro e restaurá-lo. Hanna Heath é a encarregada do trabalho, mas não é apenas uma restauradora australiana comum. Por ser apaixonada e meticulosa, ela recolhe todas as pistas oferecidas e parte em busca de descobrir tudo o que aconteceu desde 1400 até aquele momento.

Quem criou o livro e qual a motivação? Quem foi o artista responsável pelas ilustrações tão belamente feitas, mas contra as restrições judaicas da época? O que significa aquela pequena mancha de vinho ou a falta dos fechos na capa? Por que aquela asa de inseto está ali, entre páginas tão bem conservadas? Aliás, a conservação é uma questão que também precisa ser respondida, pois, depois de tantos séculos, como o livro se manteve em tão perfeito estado? Esses questionamentos feitos por Hanna que são respondidos durante a leitura, através de uma narrativa que alterna passado e presente, que mescla realidade e ficção.


Desde a Espanha do século XV, passando por vilarejos remotos, por guerras das quais ninguém estava a salvo, a Hagadá foi parar justamente nas mãos de uma restauradora com uma alma extremamente investigativa. Quando Hanna descobre que será a responsável por analisar todos os detalhes daquela obra, sente um misto de medo e excitação. Isso porque para ela não basta apenas ter certeza de que o exemplar será perfeitamente preparado e preservado para ser exposto ao mundo, tal qual toda obra dessa magnitude. Ela precisa entender tudo o que está relacionado ao livro, desde o momento em que foi confeccionado até o instante em que foi parar em suas mãos trêmulas.

A partir deste momento, o leitor passa a conhecer diversos personagens, todos como uma espécie de fio que tece a trama deste livro. Cada um deixa sua marca em um momento ou por algum motivo. Uma jovem aparentemente inofensiva, que tem seu irmão levado pela inquisição pelo simples fato de ter um livro judeu em casa. Uma garota judia que enquanto foge dos nazistas se torna uma militante, uma lutadora, sobrevivente, que faz amigos inusitados. Um padre católico que usava a bebida para minimizar toda sua dor e era responsável por salvar ou condenar escrituras à fogueira na inquisição papal. Uma pintora muçulmana que foi roubada da família e agora é responsável por criar retratos que vão contra tudo aquilo que ela acredita. Pessoas com crenças distintas, de culturas diversas e mesmo tão diferentes umas das outras têm seus caminhos cruzados e entrelaçam suas histórias com a do Manuscrito de Sarajevo.

Tudo isso enquanto Hanna trava uma batalha não só pela proteção do Hagadá, mas também para descobrir como lidar com diversas questões pessoais. Afinal, qual seu papel enquanto amante de Ozren, o bibliotecário muçulmano que lê para o filho em coma? O que precisa fazer para melhorar o relacionamento com a mãe, uma médica que coloca a carreira em primeiro lugar, que nunca quis ter filhos e que até hoje esconde de Hanna quem foi seu pai? Que atitude deve tomar quando, em determinado momento, suas habilidades profissionais são desafiadas e colocadas em xeque, e ela se vê duvidando de si mesma?

Com uma narrativa muito rica e envolvente, mas que muitas vezes pede uma visita ao Google para descobrir o significado de palavras e expressões, As Memórias do Livro mantém um ritmo instigante do início ao fim. Retrata de maneira detalhada o cenário histórico de todos os momentos em que o livro aparece, o que de forma alguma o torna chato ou monótono. Durante a leitura, há particularidades seculares que envolvem de religião a culinária, mostradas ao leitor de maneira bonita e ao mesmo tempo, didática. 

Este é o tipo de obra que conquista os curiosos desde o início. Que leitor não gosta de saber as particularidades relacionadas a uma obra? Por onde esteve antes de chegar a nossas mãos. Quem leu, o que achou, de que maneira foi tocado por aquela história. Se somarmos isso ao fato de que a Hagadá de Sarajevo realmente existe, que sua trajetória é misteriosa e remete a tempos muito antigos, percebemos que esse é um prato cheio para leitores que apreciam um bom romance histórico.


Uma sugestão, além da leitura deste livro, é não ignorar o posfácio escrito pela autora. Ela conta um pouco sobre suas inspirações e sobre os pontos verdadeiros da história que escolheu modificar para dar vida ao seu livro. Vale muito a pena conferir.

Eu adorei reler!!!


Um pouco sobre a autora:
Geraldine Brooks é uma escritora e jornalista que cresceu nos subúrbios ocidentais de Sydney. Ela frequentou o Bethlehem College , uma escola secundária para meninas, e a Universidade de Sydney. Após a formatura, foi repórter no The Sydney Morning Herald e, depois de ganhar uma bolsa de estudos mudou-se para os Estados Unidos, completando o mestrado na Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, em Nova York, em 1983. No ano seguinte casou-se com o jornalista americano Tony Horwitz e se converteu ao judaísmo. Seu primeiro romance, publicado em 2001, tornou-se um best-seller internacional. Ela recebeu o Prêmio Pulitzer de ficção em 2006.

Seus livros publicados no Brasil são: 
  • O acorde secreto
  • As Memórias do Livro
  • O Senhor March
  • Um Ano de Milagres
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Ivi Campos

46 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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