Precisamos Falar Sobre o Kevin (Lionel Shriver)

sábado, 28 de maio de 2022

Ficha Técnica:

Nome Original: We Need to Talk About Kevin 
Autora: Lionel Shriver
Tradução: Beth Vieira e Vera Ribeiro
País de Origem: Estados Unidos 
Número de Páginas: 464 
Ano de Lançamento: 2007
ISBN13: 9780061124297
Editora: Intrínseca 
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 36º livro lido em 2022 e foi Precisamos Falar Sobre o Kevin (Lionel Shriver). Eu já tinha curiosidade de ler este livro e confesso que tentei ler em 2014, mas não segui com a leitura, porém, após ver tanta gente elogiando e curiosa para assistir ao filme baseado na obra, decidi encarar novamente a leitura.

O livro nos traz a Eva, uma mulher que conversa por cartas com o marido Franklin sobre o filho Kevin que está preso após matar nove pessoas na escola onde estudava. Eva e Franklin se conheceram, se apaixonaram e após se casarem, ela tinha certeza de que não queria ser mãe, porém Franklin sonhava em ser pai. Ela cedeu e eles tiveram Kevin, que desde bebê começou a dar sinais muito claros de que era uma criança peculiar.


Eva escreve cartas para Franklin com o intuito de relatar o que aconteceu anteriormente ou o caos que sua vida se tornou e o tom imposto em sua escrita é muito mais próximo de um diário. Suas palavras soam como um extenso desabafo e, conforme a leitura avança, é possível entender que é uma forma de manter a própria sanidade diante tudo o que aconteceu.

Apesar dos manuscritos serem datados a partir do ano 2000, a história se passa entre os anos 80 e 90, tempos em que dificilmente uma mulher teria liberdade para tomar decisões dentro do seu relacionamento sem ser questionada. O livro caminha entre temas delicados para serem digeridos rapidamente e que fazem parte de nossa rotina até hoje.


O principal assunto abordado é a maternidade compulsória, já que Eva sempre deixou claro a Franklin que não gostaria de ter filhos. Isso significaria perder seu tempo, sua vida e, principalmente, suas incríveis viagens. Como patriota e tradicionalista americano, Franklin não se sentiria como um legítimo de sua terra sem um filho para carregar seu sobrenome. A partir de chantagens e conversas que sempre terminavam em discussão, a vitória foi dada a Franklin e Kevin veio ao mundo.

Kevin cresce e desenvolve um relacionamento abusivo com a mãe, que passa a ser uma mulher insegura. 
“Aquela foi minha introdução à maneira como, cruzada a soleira da maternidade, de repente você se transforma em propriedade social, no equivalente animado de um parque público. Aquela frase tão recatada, ‘você agora está comendo por dois, querida’, nada mais é que uma forma de provocação, porque nem mais o jantar é assunto privado seu.”
A história brinca com a mente do leitor e deixa dúvidas quanto à criação do menino, já que o pai é pouco presente e a mãe não lhe garante carinho materno por motivos explicados desde as primeiras páginas. Será que seu lado sociopata desabrochou conforme o entendimento de exclusãoou ele já nasceu assim? A obra entrega várias interpretações e a liberdade para criar teorias acerca do relacionamento entre Kevin e seus pais.


O livro é denso e a leitura é lenta, mas de forma alguma isso é ruim. É necessário que seja sofrido para que o leitor entre na história que, por vezes, pareceu baseada em fatos verídicos. A escrita de Lionel é brilhante e envolve no drama ao ponto de que o leitor simpatize com personagem de ética duvidosa.
“No momento mesmo em que ele nascia, associei nosso filho com minhas próprias limitações – não só com o sofrimento, mas também com a derrota.”

Uma literatura pesada, muito bem escrita, recomendada para quem aguenta fortes emoções. Uma trama focada no relato de uma mãe que nunca quis esse título, mas lhe foi tirado o direito de escolha sobre o próprio corpo.

Shriver descreve a maternidade compulsória com precisão fenomenal e constrói essa narrativa de forma sensacional. Eva narra cronologicamente seu problemático relacionamento com o filho e registra a luta de ter atrelada ao seu nome e sangue, a culpabilidade de um ato demasiado cruel. No percurso, constrói uma narrativa intrigante que nos leva ao debate do papel da mulher dentro do relacionamento, além do peso e da romantização da maternidade dentro da sociedade. Repudiando e registrando os comportamentos do filho, mesmo que não tivesse reconhecidas suas percepções à época, ela descreve os principais acontecimentos da infância de Kevin que culminaram na fatídica quinta-feira do massacre. 

O romance epistolar de Lionel Shriver é intrigante, tenso e intenso, com reflexões de grande profundidade e um final surpreendente!

Eu gostei demais da leitura!


Um pouco sobre a autora:
Lionel Shriver (cujo nome de nascimento é Margaret Ann Shriver) nasceu em 18 de Maio de 1957. É jornalista e escritora. Nasceu em Gastonia, Carolina do Norte, EUA, no seio de uma família extremamente religiosa, sendo o seu pai pastor Presbiteriano. Mudou o seu nome quando tinha 15 anos (de Margaret Ann para Lionel) porque gostava da forma como soava. Frequentou a Universidade de Columbia. Já viveu em Nairobi, Bangcoc e Belfast. Neste momento, divide o seu tempo entre Londres e Nova Iorque. Colabora com diversos jornais, entre outros, The Wall Street Journal, The Philadelphia Inquirer e The Economist. É casada com um músico de jazz. 

Seus livros publicados no Brasil são: 

    • Precisamos Falar Sobre Kevin
    • Dupla Falta
    • O mundo Pós - Aniversário
    • Grande Irmão
    • Tempo e Dinheiro
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Ivi Campos

46 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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