Os calhamaços de 2021

terça-feira, 28 de dezembro de 2021


Oi gente que ama livros, hoje venho compartilhar com vocês os calhamaços de 2021. Ressalto que considero calhamaço livros acima de seiscentas páginas, então contarei para vocês quais livros desses li este ano.

Vamos conferir?

DUNA (FRANK HERBERT – 680 páginas)
- O livro nos traz um futuro muito distante, mais de 20 mil anos da época atual, em que a humanidade já se espalhou pelas estrelas e a Terra é apenas uma lembrança. A sociedade é sustentada por quatro pilares: o imperador, as casas nobres, a Guilda Espacial e as Bene Gesserit. O imperador centraliza o poder, as casas nobres lutam entre si por destaque como aliadas ou rivais respeitando a autoridade do monarca. A Guilda Espacial tem o monopólio da viagem espacial e do banco do império e Bene Gesserit é uma ordem de mulheres com poderes e propósitos peculiares. As duas casas principais são dos Atreides e dos Harkonnen, os primeiros considerados como uma casa justa e honrada, enquanto os Harkonnen são vistos como degenerados e traiçoeiros. Parte de uma armação envolve o imperador e os Harkonnen, a casa de Atreides ganha o planeta de Arrakis, conhecido como Duna. Duna é composto por um gigantesco deserto, com praticamente nenhuma água, algumas cidades e uma população conhecida como Fremen. As condições desse planeta são severas ao ponto de qualquer um que saia sem o devido preparo possa morrer em poucas horas. Esse preparo é o uso de um traje isolante que reaproveita a água do próprio corpo, porém, Duna é o único lugar da galáxia que se encontra a especiaria que a Guilda usa para as viagens espaciais. Sem essa especiaria é impossível viajar, é o bem mais precioso que existe.

O PINTASSILGO (DONNA TART – 721 páginas)
- O livro nos traz Theo, que aos 13 anos sobrevive a um atentado terrorista no Metropolitan Museum, em Nova York. Sua mãe morre na explosão e ele sai do museu carregando a pintura que dá nome ao livro, “Pintassilgo”, de Carel Fabritius. O livro começa com esse atentado e após a descrição precisa da autora foi impossível largar a leitura. A cena de um menino de 13 anos que acorda em meio a escombros, seu atordoamento e medo, é brilhantemente descrita. Ninguém percebe que ele saiu do museu carregando uma obra de 1654 em uma sacola e o livro se desenvolve sobre toda a trajetória de Theo até sua maturidade em posse dessa obra sem que ninguém desconfie. A obsessão pelo quadro marca todo o desenvolvimento do protagonista. Theo não tem uma vida fácil, depois da morte da mãe, passa um tempo vivendo com a família rica de um amigo e após o reaparecimento de seu pai, se muda para Las Vegas. Em Vegas, sua face destrutiva toma forma e é alimentada por um pai vigarista que vive de apostas e o amigo Bóris que passa os dias bebendo e se drogando. Theo não perdoa o pai por tê-lo abandonado e ao mesmo tempo se mantém alheio a sua jogatina, seus altos e baixos. É uma relação delicada entre pai e filho, quase inexistente onde um é incapaz de ver o outro e Theo se mantém à margem pelo trauma. É nesse espaço que a camaradagem com Boris se instala. Boris é o destemido que arrisca e o oposto de Theo, medroso e consumido pelo medo e pela insegurança.

ANNA KARENINA (LEON TOLSTÓI – 856 páginas)
- O livro nos traz Anna Karenina, uma aristocrata casada que se envolve em um caso extraconjugal com o conde Vrónski e experimenta as virtudes e tristezas de um amor profundo, porém recheado de conflitos. A história começa com Anna chegando à casa do seu irmão, Stepan, que vive uma situação difícil com a esposa, Dolly. Anna intervém na situação, que de certa forma é um reflexo do que ela mesma viverá em breve. No entanto, o caso amoroso da protagonista reflete na vida de muitas pessoas ao seu redor, especialmente seu marido, Aleksei Aleksándrovich. O marido de Anna é um homem frívolo, distante e covarde e mesmo em alguns momentos de suposta fragilidade e compaixão durante toda a narrativa, ele se mantém como um dos personagens mais odiosos do livro. Já Vrónski é um personagem ambíguo: ao mesmo tempo em que nutre uma paixão imensa por Anna, também tem vergonha por sua situação. Ele ama a mulher, mas não consegue aceitar o fato de que não consegue mais viver em sociedade. No início da história, ele assemelha-se mais a um homem libertino, conquistador e orgulhoso; mas no decorrer da narrativa, torna-se mais distante do leitor e o autor o mostra sob um novo olhar: um homem maduro e cansado de viver em uma situação complicada ao lado de Anna. Já Anna é constantemente julgada por ter deixado o marido para viver uma aventura e começa a sofrer as consequências desse ato. Separada do filho, ela batalha com seus conflitos internos: será que fez a escolha certa? Como conviver com tantos amores, dissabores e frustrações? O amor pelos filhos supera o amor por Vrónski? O ciúme doentio também perpassa os pensamentos da personagem o tempo todo, levando-a a tomar decisões muito confusas durante toda a trama.

QUEDA DE GIGANTES (KEN FOLLET – 912 páginas)
- O livro acompanha a vida de cinco famílias distintas na 1ª Guerra Mundial e Revolução Russa. Apesar de contar com apenas cinco famílias, os personagens são diversos e pertencem as mais diversas classes e realidades sociais. Desde um jovem minerador galês até um importante assessor da Casa Branca e todos são ligados pelos acontecimentos de importância mundial descritos. A história toda é muito bem construída. Os personagens possuem uma intensidade psicológica intensa e todos os acontecimentos pessoais são tão interessantes quanta a trama histórica que se desenrola como base. Ao final, o calhamaço que parecia algo extremamente extenso, mostrou-se pequeno para a profundidade e intensidade da trama. As problemáticas pessoais se misturam com os problemas históricos que afligem o mundo e deixam a história com um ritmo interessante. O que deixa a leitura ainda mais interessante é a presença muito bem pensada de personagens reais: Churchill, Woodrow Wilson, Rei Jorge V. Todos são muito bem posicionados durante a narrativa, deixam a história dos personagens criados por Follett ainda mais próxima da realidade. Ao final da obra, o escritor ainda dá uma explicação que mostra o quão bem pensada foi a colocação de tais personagens.

A RAINHA DO CASTELO DE AR (STIEG LARSSON – 688 páginas)
. Este livro foi a minha terceira escolha para a Maratona de Releituras de 2021 e é o terceiro livro da saga Millennium que chegou aqui no Brasil como uma trilogia, pois o autor faleceu quando apenas os três primeiros livros haviam sido concluídos. Após a morte dele, a saga teve continuidade com outro escritor. Apesar da morte prematura do autor, adianto que este livro tem sua conclusão neste volume, ainda que o universo seja imenso e tenha desdobramentos interessantes. Eu li este livro pela primeira vez em 2010, quando a trilogia foi uma febre imensa entre os leitores e fui infectada por esta onda. Em 2019 reli o primeiro livro, Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, em 2020 reli o segundo, A Menina que Brincava com Fogo e agora reli o terceiro. O segundo livro termina com Lisbeth Salander baleada e encontrada por Mikail Blonkvist após uma caçada que levou quase seiscentas páginas para chegar ao final. Lisbeth foi acusada de assassinato e certo de sua inocência, Mikail revirou a Suécia a fim de encontrá-la e ajudá-la. O terceiro livro começa com Lisbeth dando entrada no hospital e apesar da bala ter atingido a sua cabeça, ela tem uma segunda chance pelas mãos de um excelente cirurgião e o livro se desenvolve em provar para as autoridades que ela é inocente. Vale lembrar que Lisbeth é uma mulher pouco sociável e com muitos motivos para não confiar nas autoridades, então esse processo e seu julgamento serão como uma missão dificílima para Anikka, a advogada que defenderá Lisbeth.

OS E-MAILS DE HOLLY (HOLLY DENHAM – 770 páginas)
- O livro nos traz Holly, uma mulher inglesa de vinte e poucos anos que está começando em um novo emprego: recepcionista de um grande banco internacional. Nesse novo emprego, ela precisa cuidar da recepção, dos telefonemas e agendamentos internos, além de atender clientes presencialmente e também lidar com a direção da corporação, o que exige de Holly muito jogo de cintura, o que ela naturalmente não tem nas primeiras semanas, o que fica explícito no livro em função das trapalhadas vividas por ela. Fora do trabalho, sabemos que Holly tem dois amigos muito divertidos, Aisha e Jason e é com eles que daremos as risadas mais altas. Jason é o amigo gay, totalmente por dentro da moda e Aisha é amiga sem medo, despudorada e entregue a qualquer aventura. O diferencial deste livro está na forma como foi escrito: completamente em forma de e-mails. Holly troca mensagens com superiores, colegas de trabalho, crushes, amigos, com a família e prestadores de serviço, logo sabemos tudo sobre sua vida, desde uma decepção amorosa, bem como comprou uma máquina de lavar que não funciona.

GROWN UPS (MARIAN KEYES – 656 páginas)
- O livro é iniciado com o jantar de aniversário de Johnny em que toda a família está presente. Essa família é enorme, são três irmãos e seus casamentos variados, filhos e famílias. O aniversariante da noite, Johnny é o segundo marido da usina de energia que é Jessie, com dois filhos de seu casamento anterior e três com Johnny. Ela é a bem-sucedida da família, com seu exótico negócio de mercearia e é quem financia as reuniões familiares que estão no cerne deste romance, pois a família é a coisa mais importante para ela. Temos o simpático Ed casado com sua amada Cara, que trabalha no Ardglass Hotel e lida com clientes difíceis. Eles têm dois filhos. O outro membro importante deste clã é o bajulador e desprezível Liam que acaba de se casar com a espirituosa, humanitária e compassiva Nell de cabelo rosa, que trabalha como cenógrafa de teatro. Liam tem dois filhos de seu casamento anterior com Paige. Nosso foco será em Cara, que sofre por um ferimento na cabeça com uma concussão recente e a consequência disso é que nesta noite de comemoração ela começa a contar todos os segredos dos outros membros da família, abalando e constrangendo todos que estão no evento. A princípio, este ferimento na cabeça de Cara não nos desperta curiosidade, porém após essa confusão no jantar, a narrativa do livro volta a seis meses antes daquela noite e acompanhamos os principais adultos da trama e como Cara conseguiu o tal ferimento. Esse é o tenso fio condutor deste enredo, que aborda um tema sério e delicado, mesclado ao bom humor e a leveza da escrita da Marian Keyes.

DUMA KEY (STEPHEN KING – 664 páginas)
- O livro nos traz Edgar Freemantle, dono e empreiteiro de uma grande empresa de construção civil, que perde o braço direito, lesiona o quadril e apresenta sérios problemas com a fala e a memória após sofrer um acidente no trabalho. Acontece que a raiva se torna constante nas palavras e ações violentas de Edgar, levando seu casamento ao divórcio após um longo período de recuperação. Uma mudança de ares pode oferecer um recomeço para a vida de Edgar. Essa foi uma das ideias sugeridas por seu psiquiatra, assim como voltar a desenhar para acalmar a mente rondada por pensamentos suicidas. Sendo assim, logo conhecemos o novo lar de Edgar em Duma Key, uma pequena ilha na encosta da Flórida, com sua beleza extraordinária pelas praias extensas, o belo pôr do sol no Golfo do México e o barulho das conchas sob a casa devido o movimento da maré. Cenários propícios para despertar o dom do desenho e a aptidão para a pintura. A vizinhança parecia escassa nos primeiros momentos, mas logo conhecemos Jerome Wireman, um personagem que se destaca por sua personalidade excêntrica e sensível, ganhando a afeição do leitor assim que é inserido na história. Os dois se tornam grandes amigos, unidos por feridas profundas que a vida demora para cicatrizar. No entanto, outra personagem singular também passa a fazer parte da vida de Edgar. Elizabeth Eastlake é uma senhora octogenária e muito charmosa. A dona da ilha e patroa de Wireman se mostra amável e astuta nos momentos de lucidez, mas, na maior parte do tempo, se perde em sua mente doente. Quando enfim conhecemos um pouco mais sobre a sua história, um forte enigma toma conta da trama e vamos tentando montar o quebra-cabeças que envolve tantos segredos sobre o passado e os mistérios da ilha.

AMIGO IMAGINÁRIO (STEPHEN CHBOSKY – 770 páginas)
- O livro começa com uma fuga. Kate Reese e o filho Christopher estão em busca de um lugar para viver uma nova vida, longe do relacionamento abusivo em que estavam. Por isso, eles saem do meio da noite rumo à Mill Grove, na Pensilvânia, cidade distante de tudo. Portanto, parece ser o melhor lugar que eles poderiam encontrar para retomar a vida, mas Christopher desaparece por seis dias. Conforme os dias se passam e a polícia faz as buscas, Kate se desespera, pois não há rastros do paradeiro do garoto. Mais estranho ainda é quando Christopher reaparece em um bosque, nos limites da cidade. Apesar de ileso fisicamente, ele não volta “sozinho”. Dentro de sua cabeça, há outra voz, mas não é só isso. O garoto tem uma missão que não pode falhar: construir uma casa da árvore no bosque da Mission Street, antes do Natal. Se não cumprir essa missão que apenas ele pode fazê-la, sua mãe e os moradores de Mill Groove poderão morrer. O início do livro é a apresentação dos personagens, as razões da fuga de Kate, a relação dela com o filho e as dificuldades dele na escola. Enquanto constrói a narrativa para chegar ao mote do livro, o autor usa outras tramas, como a escola de Christopher, bullying e os problemas financeiros da mãe dele. Ao longo da história, o autor nos apresenta diversos personagens, com histórias diferentes, traumas, problemas, virtudes. Ele disseca o psicológico deles, nos dando uma visão ampla sobre a essência do ser humano nas variadas situações do dia a dia. Eu poderia até considerar isso uma trama paralela por parte do autor, já que essas questões envolvendo cada personagem têm relação com toda a história do livro. Ao longo da narrativa, isso influencia as atitudes de cada um, a vida de Christopher e sua missão.

PROIBIDA PRA MIM (TAYANA ALVEZ – 645 páginas)
- O livro nos traz Lavínia, uma jovem mulher independente e confiante, que inicia a história em um namoro com alguém que não a faz feliz. Este relacionamento é algo recente (três ou quatro meses), o casal vai para Nova York e durante essa viagem, Lavínia descobre a traição do namorado. Injuriada, ela vai se embebedar no bar do hotel, onde conhece Daniel, brasileiro, mais velho, atraente e interessante. Eles têm uma louca noite de sexo casual, porém quando Lavínia retorna ao Brasil descobre que Daniel é o pai da sua melhor amiga Amanda. Com uma escrita deliciosa, a autora entrega uma história com camadas muito interessantes, a começar da desconstrução da protagonista. Conhecemos Lavínia como uma fortaleza: inteligente, independente, boa filha, profissional engajada, ambiciosa, porém humana, amiga exemplar e todas essas qualidades se humanizam ao longo da narrativa. Lavínia reconhece suas fragilidades e as aceita como parte de si mesma e uma delas é se apaixonar por alguém inacessível. Mesmo sendo um homem solteiro e livre, Daniel sabe que por mais apaixonado que esteja, assumir essa relação com Lavínia pode enfraquecer a relação com a filha, de quem sempre se manteve distante e agora tem a oportunidade de ser amigo e exemplo.

Estes foram os livros acima de seiscentas páginas que li este ano. Não é segredo para ninguém que eu adoro um livro grande e quando encontro uma história boa e que é bem escrita, quanto mais páginas melhor.

E você, leu muitos livros grandes este ano? Deixe nos comentários os calhamaços que você leu e gostou para eu incluir na minha lista de leituras de 2022.

Beijos
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Ivi Campos

45 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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