O Jardim de Bronze (Gustavo Malajovich)

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Ficha Técnica:

Nome Original: El jardín de Bronce
Autora: Gustavo Malajovich
País de Origem: Argentina
Tradução: Aline Caneja
Número de Páginas: 448
Ano de Lançamento: 2020
ISBN13: 9789506442422
Editora: Tag Inéditos
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 37º livro lido em 2021 e foi O Jardim de Bronze (Gustavo Malajovich). Este foi o último livro da Tag Inéditos enviado em 2020. Minha assinatura foi feita apenas em 2020 e faltava somente esse título para eu ler todos os que recebi. A sinopse do livro me instigou, mas o que me fez apressar minha leitura foi o cenário: Buenos Aires, lugar que eu acho lindo, interessante e não lembro de ter lido um livro ambientado na Argentina.

O livro nos traz Fabián Danubio, um arquiteto da capital portenha com problemas no casamento e que leva uma vida entediante até que sua filha de três anos, Moira, desaparece misteriosamente  com a babá Cecília, uma peruana discreta que sempre expressou carinho e cuidado com a menina. A esposa de Fabián, Lila, que já lidava com depressão antes do desaparecimento, piora muito após Moira sumir, o que intensifica o drama na vida de Fabián.


Meses se passam e não há nenhum avanço no caso. Apesar da recompensa, ninguém viu Moira ou Cecilia. A polícia trabalha no caso, porém não tem nenhuma prova ou caminho específico que dê a Fabián a segurança que o crime será esclarecido e que ele terá a filha de volta. Neste momento de descrédito com a polícia é que Doberti, um detetive particular de olho na recompensa oferecida pelo governo, se oferece para ajudar a resolver o caso. 

Doberti e Fabián investigam o caso sozinhos e acompanhamos o processo, porém isso acontece de forma muito mais lenta do que costuma acontecer em livros desse gênero. São poucos os momentos de ação e a investigação se estende por anos, sendo muito mais realista do que geralmente acontece nos livros, mas, em contrapartida, também muito mais chato.

O livro desenvolve muito bem o protagonista e acompanhamos a dor da perda e da falta de respostas dele, porém não nos afeiçoamos a ele. Fabián é um homem preconceituoso, racista, machista e com atributos assim, fica difícil ter empatia pelo fato dele ter sido afastado da pessoa que mais amava no mundo. Aliás, essas características negativas são comuns a todos os personagens masculinos da trama, o que evidencia uma postura problemática do autor, pois uma vez que ele vê todos os homens daquela maneira e os transfere para sua prosa da mesma maneira, não consigo imaginá-lo diferente dos seus personagens. É óbvio que queremos que Moira reapareça bem e saudável e ainda que a menina não tenha tido tempo em páginas para nos envolver, queremos saber o que aconteceu apenas por ela.


Outro fato muito problemático acontece na trama, se trata de uma cena de estupro. Um personagem força uma relação com uma mulher de forma a culpá-la pela situação, mas qualquer ser humano inteligente entende que foi um estupro e isso não é refletido no texto, que demonstra somente que o homem está muito consciente que a mulher apenas se fazia de difícil e queria o mesmo que ele. Neste momento, eu já estava bem cansada da leitura, mas essa foi a pá de cal sobre o livro.

Apesar destes pontos, o enredo é excelente: o desaparecimento da menina, um pai disposto a tudo para encontrá-la e um cenário maravilhoso porque Buenos Aires é descrita de forma deliciosa. Ruas, instituições, pontos turísticos, bem como pratos tradicionais e costumes do lugar são inseridos na narrativa de forma orgânica e eu adorei. 

A Argentina tem tradição de livros de mistério, mas esse é o primeiro que leio. É claro que com apenas um livro como experiência não posso tirar conclusão nenhuma sobre o gênero produzido no país, mas sei que a literatura argentina em geral é diferenciada em tudo o que publica.


As pequenas cenas na visão do sequestrador de Moira desde o prólogo foram as partes mais interessantes do livro, escritas de forma mais misteriosa, sem revelar o que realmente importa. Não sabemos quem é a pessoa ou o que a levou a fazê-lo, mas temos pequenos recortes de sua vida, o que é o suficiente para nos deixar curiosos. 

O final me surpreendeu e me incomodou. O autor queria chocar o leitor, o desenvolveu com essa intenção e, pelo menos, eu me senti assim: chocada! Quem gosta de se sentir enganado durante toda a trajetória de leitura pode gostar desta história. 

No geral, as características dos personagens me incomodaram ao ponto de que eu desejasse abandonar a leitura.

Esperava gostar mais.


Um pouco sobre o autor:
Argentino de 63 anos, Gustavo Malajovich começou a estudar arquitetura e a exercer essa profissão, mas em 2002 sua vida profissional deu uma guinada formidável: foi convocado para colaborar nos roteiros de Los Simuladores, um sucesso e ao mesmo tempo um marco absoluto na televisão argentina, multipremiado e exportado para diversos países. Depois de trabalhar definitivamente como roteirista, trabalhou em outros programas. Atualmente escreve para a televisão argentina e espanhola, tarefa que combina com seu trabalho como professor no Centro Cultural Rojas, na Escola ORT, El Laboratorio de Guión, e na carreira de escritor e diretor na Escola CIEVYC. O Jardim de Bronze é o seu único livro publicado no Brasil.
Comentários
6 Comentários

6 comentários :

  1. Oi Ivi!

    Ai, é tão ruim quando a gente lê algo e sente que poderia ter sido melhor do que foi, eu fico tão coisada que, dependendo da leitura, eu até entro numa ressaca literária HAHAHAHAHA
    A Obra parece bem interessante, mas não sei se leria, se tem algo que me deixa chateada é não conseguir me apegar a nenhum personagem e acho que isso aconteceria nesse livro.
    Teu post ficou ótimo!

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  2. Oi Ivi, sua linda, tudo bem?
    Eu sou fã de mistérios, então comecei a ler sua resenha empolgada. Mas com seus comentários, percebi que também ficaria incomodada com a forma que o autor desenvolveu seus personagens e o enredo. Uma pena mesmo. Mas gostei muito da sua resenha sincera!
    beijinhos.
    cila.

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  3. Oi, Ivi! Tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro ainda, mas que pena que foi uma leitura tão decepcionante. Como eu tenho muita dificuldade de me conectar com a leitura quando não simpatizo com os personagens, acho que eu também teria muitos problemas com esse livro. Mas amei ler sua resenha e entendi totalmente as ressalvas que você teve com a leitura.
    Beijos!

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  4. Oi Ivi.

    Eu gosto de histórias de mistério e eu vi este livro nas redes sociais. Até confesso que estou curiosa para lê-lo. Gostei bastante da sua opinião principalmente você mencionando o ponto que incomodou na história. Acho que vou encarar essa leitura mesmo com a sua ressalva.


    Bjos

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  5. Oi Ivi, tudo bem? Assim como você também não lembro de já ter lido uma história ambientada na Argentina, mas agora fiquei curiosa e instigada a procurar. Quanto ao mistério que envolve o sumiço da criança me chamou atenção principalmente porque ninguém some assim do nada não é mesmo? O que mais gosto em histórias assim é o exercício de criar teorias e ver se acertamos ou não (risos). Um abraço, Érika =^.^=

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  6. Olá Ivi,
    o enredo realmente parece ser muito interessante, contudo entendo seu descontentamento, as problemáticas que o livro apresenta também me desperta certo incômodo. O protagonista ter tantas características negativas é meio desanimador, né? Mesmo assim, fico contente que você tenha conseguido encontrar pontos que contrabalanceiam o lado negativo da trama. Uma pena não ter sido uma experiência tão boa quanto o esperado.

    Beijos!
    Nosso Mundo Literário

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Ivi Campos

45 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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