31.8.20

E O Vento Levou (Margaret Mitchell)

FICHA TÉCNICA
Nome original: Gone With The Wind
Autora: Margaret Mitchell
Tradução: Francisca de Basto Cordeiro
País de origem: Estados Unidos
Número de páginas: 800
Ano de Lançamento: 1938
ISBN-13: 9788528901399
Editora: Hemus

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 59º livro lido em 2020 e foi E O Vento Levou (Margaret Mitchell). Eu nunca me interessei profundamente por esta leitura porque já havia tentado assistir ao filme e desistido por achar muito chato. Porém, quando vi que ele estava no desafio Rory Gilmore, fiquei mais curiosa e como estou em uma fase de ler calhamaços, decidi que seria a minha próxima leitura.

O livro nos traz Scarlet O’Hara, uma jovem de uma tradicional família de fazendeiros do sul dos Estados Unidos sonhando em se casar com o grande amor da sua vida, Ashley Wilkes que por sua vez, não tem a menor pretensão em se casar com ela. Contrariada porque Ashley se casará com Melanie, que julga ser inferior a ela, Scarlet se casa com o irmão de Melanie para causar revolta tanto em Ashley quanto em Melanie, mas ambos não estão nem um pouco preocupados com os desmandos de Scarlet. Entre uma pirraça e outra, ela conhece Rhent que se mostra interessado nela, mas Scarlet não tem olhos para qualquer outro homem que não seja Ashley, nem para o homem com quem se casou.


A vida amorosa de Scarlet é apenas uma de suas muitas dificuldades, já que o livro se passa durante a Guerra Civil americana (quando o norte do país guerreou contra o sul a fim de acabar com a escravatura no país) e a família de Scarlet como uma das beneficiadas pela escravidão não queria perder essa guerra.

O livro traz uma trajetória intensa e sofrida de uma mulher que não aceita ser e ter menos que aquilo que lhe disseram que merecia. Ela passa por perdas, por altos e baixos e carimba sua vida com um amor não correspondido, características que poderiam fazer dela uma personagem admirável, mas a verdade é que Scarlet O’Hara é a protagonista mais insuportável de toda a literatura lida por mim na vida. Egoísta, mimada, mentirosa e desonesta, ela segue sem amadurecer por mais de 95% da trama e é impossível ter empatia por ela, apesar de entender que alguns acontecimentos na vida dela eram realmente muito ruins. 

Além disso, Rhent, o personagem que pode desenvolver um par romântico e recíproco com Scarlet, é igualmente tóxico. Arrogante, abusivo e de caráter totalmente questionável, torcia para que ambos se resolvessem porque eles se merecem.


A parte romântica do livro é pouco saudável, mas o fundo histórico é interessante pois não sabia muito sobre a guerra que serve de pano de fundo para o desenvolvimento do enredo. Temos o ponto de vista de quem perdeu a guerra, os personagens principais desta narrativa estavam no Sul e não aceitavam a abolição da escravatura. Como foram o lado perdedor, tiveram consequências sérias com isso e ouso dizer que eram o lado perdedor e errado da guerra.

Existe um momento na trama em que Scarlet precisa tomar as rédeas da própria vida, sair para trabalhar e ter dinheiro para que a fazenda do seu pai não vá a leilão. Nessa parte, quase admirei sua força e inteligência. Digo quase porque como profissional, ela é igualmente egoísta, desonesta e preconceituosa.

A leitura foi ruim por causa dos personagens? De maneira alguma. A história é forte, bem escrita, com nuances racistas sim, mas pelo recorte de época é fácil compreender as motivações da autora. Seu texto é envolvente, interessante e queria chegar ao final da história para poder saber como seria e também na esperança de Scarlet mudar seu jeito de ser. Nas últimas 100 páginas acontece algo desolador e me vi com o rosto molhado de lágrimas em função disso. Me senti tão comovida pela questão que quase gostei da Scarlet, quase...


Este livro é um grande clássico da literatura universal, entretanto a linguagem é simples e muito envolvente. O número de páginas é assustador, mas digo com segurança que elas passam de forma ágil e quando menos se espera, a leitura é concluída.

Eu gostei da experiência!!!


Um pouco sobre a autora: Margaret Munnerlyn Mitchell foi uma escritora norte americana. Criança prodígio, desde pequena já pensava e idealizava romances. Aos 22 anos, Margaret casou-se com Berrien "Red" Upshaw, ex-jogador de futebol americano. Como os rendimentos do marido não eram suficientes para a manutenção do casal, mudaram-se para a casa dos Mitchell e ela arranjou um emprego como repórter do "The Atlanta Journal Sunday Magazine", onde um ex-namorado, John R. Marsh, trabalhava como editor. A aproximação profissional com Marsh e o comportamento violento de Upshaw, levaram Margaret a divorciar-se em Outubro de 1924. Em 4 de Julho de 1925 casou-se com Marsh. Seus livros publicados no Brasil são:
    • E O Vento Levou
    • A Ilha Perdida

21 comentários:

  1. Eu adoro esse livro.
    A Scarlett é mimadíssima sim, egoísta sim.. Mas o livro num todo é ótimo porque a trajetória dela é tiro, porrada e bomba, no senti leve.

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  2. Pensei que você iria dar 5 estrelas, o filme em si não consegui assistir até o fim, confesso que dormir profundamente. Mas, tenho muita vontade de ler a obra, pq sei que vou gostar, por ele ser um carmalhaço não me assusta, até gosto de ler livros com muitas páginas, claro que vai depender e muito da escrita autor.

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  3. Eu não sabia que esse filme era adaptado de um livro, de 800 páginas ainda. Mas não é pra menos, né? O filme é super longo. Hahahaha
    Comprei o DVD sem nunca ter assistido, só tinha ouvido falar. Eu gostei bastante, mas claramente tem muitas questões que nós, com toda desconstrução e consciência que temos hoje, achamos problemático.

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  4. Oi Ivi!
    Assisti o filme, mas não tive coragem de ler o livro por não ter gostado da protagonista já no filme mostrou egoísta e mentirosa. O enredo até que gostei com pano de fundo a guerra, mas lendo sua resenha me deu a curiosidade de ler e sentir a mesma emoção que sentiu nem que seja nas últimas cem páginas kkk. Obrigado pela dica, parabéns pela resenha, bjs!

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  5. Olá.
    Realmente, o que sempre me assustou no livro foi o número de páginas, haha. Confesso que dos clássicos esse eu nunca tive tanta vontade de ler, mas lendo sua resenha fiquei curioso em alguns pontos e já estou até pensando em colocar na minha lista de leitura.
    Abraço.

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  6. Oi, Ivi!
    Acho que todo mundo já ouviu falar dessa história, seja do livro ou do filme. Eu conheço, até porque recentemente ele se envolveu em uma polêmica, mas nunca li nem assisti o filme.
    Sobre a leitura, não tenho muito interesse em fazê-la, mas quem sabe eu não assista ao filme um dia desses, até por ser um clássico do cinema.
    O que mais me atrai é o contexto, com a guerra acontecendo.
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2020/08/resenha-casa-das-orquideas-um-role-pelo.html

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Oi Ivi. :)
    Minha mãe é louca por esse filme, mas não sei se ela já leu o livro.
    Nunca parei pra assistir, mas o pouquinho que vi eu gostei.
    Um clássico é sempre um clássico, nunca sai de moda.
    Adorei sua resenha, parabéns.
    Eu acho que nesse caso opto pelo filme, acho que não teria saco de ler rs.

    Beijos.
    Manuscrito de Cabeceira

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  9. Medo desse livro!! Não pelo número de páginas, mas sou do tipo q pega ranço dos personagens e, depois, de tudo o q tem a ver com ele. Super conhecia o filme, clássico, bem falado e pontuado, mas confesso q Nunca tinha lido ums resenha do livro. Taí, caçar um ebook pq andar com um tijolo na mochila não dá mais! Kkkkkkk

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  10. Medo desse livro!! Não pelo número de páginas, mas sou do tipo q pega ranço dos personagens e, depois, de tudo o q tem a ver com ele. Super conhecia o filme, clássico, bem falado e pontuado, mas confesso q Nunca tinha lido ums resenha do livro. Taí, caçar um ebook pq andar com um tijolo na mochila não dá mais! Kkkkkkk

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  11. Oi, Ivi!
    Assim como você nunca me interessei em ler E o vento levou, e lendo sua resenha e assim conhecendo um pouco da história confesso que fiquei com menos vontade ainda de conhecer a história da Scarlet O’Hara, ela casar com outro para causar revolta tanto em Ashley quanto em Melanie é pra mim inacreditável, mostra bem o tipo de personagens que ela é; eu não suporto personagem egoísta, mentirosos e mimados, assim como imaturos... Mas eu amei sua resenha! Abraços!

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  12. Entendo toda essa temática envolvendo o racismo mas pra ser sincera essa é uma história que não me chama a atenção, acho bacana quem lê mas nao acho que seja tão facil de engolir, sabe? Em todo caso, é uma leitura que marcou uma época e hoje figura entre os grandes nomes da literatura.

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  13. Oii!

    Eu sempre fico receiosa em fazer leituras de livros tão antigos justamente por ficar revoltada com os problemas do passado, não que não vivamos hoje, né? mas eu sempre fico incomodada. Gostei da sua resenha e de saber que as 800 páginas são tranquilas de se ler, realmente elas assustando.

    Beijinhos,
    Ani
    www.entrechocolatesemusicas.com.br

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  14. Olá, tudo bem? Realmente é um grande clássico que muita gente me recomenda. Ainda não tive oportunidade de ler justamente por conta do tamanho, porém depois do que disse, de trazer linguagem fácil, fico menos receosa de tentar. Dica mais que anotada! E adorei a sua edição <3
    Beijos

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  15. Olha, já ouvi falar sobre a obra, mas confesso que não sou muito "ligada" em clássicos. Pela premissa da personagem, já não me conquistou. Entendo que nós sempre buscamos o melhor para nossas vidas, mas nem sempre podemos ter tudo, sabe? E a parte romântica ... hmmm... já não me conquista também hahaha. Mas fico feliz que tenha gostado da experiência. Acho que isso vale mais que tudo.

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  16. Eu sempre tenho um pezinho atras com classicos devido a linguagem. Esse ter uma faciul, ja ajuda bastante.
    Nunca vi o filme então ler o livro super pode ser otima ideia!
    Muito obrigado pela dica!!

    beijinhos

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  17. Oie, tudo bem? Jura que você não curtiu o filme? Lembro que assisti pela primeira vez tinha uns 10 anos se não me engano. Mas dormi na metade haha De lá pra cá já foram umas cinco vezes. Gosto de acompanhar os cenários, o figurino, a época. Mas confesso que não sabia da existência do livro. Agora vou atrás. Um abraço, Érika =^.^=

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  18. Olá, tudo bem?
    Acredita que até pouco tempo atrás eu não sabia da existência do livro? Conhecia só o filme. Confesso que não tenho muita curiosidade de ler. Pelo que lembro do filme, tem muito drama e idas e vindas, o que eu não tenho muita paciência. Mas achei legal saber que a linguagem é simples e envolvente e acho que o contexto histórico deve enriquecer a leitura.
    Beijos!

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  19. Essa obra está na minha lista de desejados, pois fico imaginando que leitura magnífica deve ser, pois se o filme é incrível, a obra deve ser o dobro disso, já que muitas coisas não colocam nas adaptações. Espero ter o meu exemplar em breve.

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  20. Olá!
    Tenho vontade de ler clássicos e esse tbm, lendo sua resenha fiquei curiosa e receosa com a leitura, mas irei dar uma chance, vou colocar no kindle, assim não me assustado com o número de páginas.

    Beijos

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  21. Olá Ivi!!!
    Quando eu vi o título jurava que seria do filme que você iria falar e você me vêm com o livro...
    Nossa!!!
    Eu leio alguns clássicos e gosto, mas sempre tem esse porém de que tenho que ver a época que foi escrito pois sim vai aparecer muitas nuances que terei que ignorar porque era uma época diferente.
    Adorei a resenha!!!

    lereliterario.blogspot.com

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