28.8.20

A Dança da Morte (Stephen King)

Ficha Técnica:
Nome Original: The Stand
Autor: Stephen King
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Gilson Soares
Número de Páginas: 1248
Ano de Lançamento: 1988
ISBN: 9788581050546
Editora: Suma de Letras

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 58º livro lido em 2020 e foi A Dança da Morte (Stephen King). Sem dúvida, 2020 está sendo o ano dos calhamaços para mim e decidi encarar as 1247 páginas deste tijolo, mesmo que o enredo seja completamente desconfortável nos dias de hoje.

O livro nos traz a população mundial sendo eliminada por uma doença chamada de Capitão Viajante, ou supergripe que na verdade era uma arma biológica criada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e liberada acidentalmente. Em menos de um mês, um número incontável de pessoas morre, deixando o mundo praticamente deserto. Os sobreviventes veem-se atraídos por forças opostas, onde os “bons” vão buscar abrigo sob a liderança de Mãe Abigail, uma senhora de 108 anos. Já os “maus”, se unem ao sinistro Randall Flagg, o homem escuro.


Para facilitar a organização cronológica dos eventos o livro foi dividido em três partes. A primeira aborda todo o processo de contágio da doença, enquanto conhecemos os protagonistas. A segunda mostra a trajetória dos sobreviventes pós apocalipse, cada um seguindo seu caminho em direção à Mãe Abigail ou ao tirano Flagg. Nesse momento, o grande destaque é a necessidade dos ajuntamentos se reorganizarem enquanto sociedade. Já a terceira parte mostra o embate entre as forças antagonistas da Mãe e do homem escuro.

Esta não é a primeira publicação do romance. Por motivos financeiros, King precisou fazer diversos cortes para diminuir o custo de produção. Por acreditar que valia a pena e a pedido de seus leitores, decidiu publicar o texto integral depois de muitos anos. Isso permitiu a exploração completa dos acontecimentos e dos personagens sem pressa no desenvolvimento, além de levar em consideração o impacto que tal catástrofe teria nos meios político, socioambiental e cultural. Alguns diálogos e passagens realmente não fazem falta para o contexto geral, mas aumentam a profundidade, já que conhecemos as bases emocional e motivacional de cada um dos envolvidos.

Enquanto fazia a leitura, comentei com um amigo sobre o livro e ele me disse que esta história é um spin off da série Torre Negra do autor, o vilão de A Dança da Morte é o mesmo homem de preto, arqui-inimigo neste universo. A Torre Negra é o elemento central que une todas as realidades criadas por Stephen King em suas diversas obras. No quarto volume da série, Mago e Vidro, o pistoleiro Roland Deschain e seu ka-tet desembarcam em um mundo pós-apocalíptico onde aparentemente todas as pessoas foram dizimadas por um vírus letal. Porém, só descobrimos os detalhes de como isso aconteceu em A Dança da Morte.


É esse confronto que faz girar todas as engrenagens, como em um jogo de xadrez do “bem contra o mal”. O próprio King define a obra como uma “longa história de cristianismo obscuro” porque Deus é constantemente mencionado, assim como diversos textos bíblicos. Isso desperta a fé de alguns e o ceticismo de muitos, mas nenhum dos envolvidos nega que há algo sobrenatural em torno deles, visto que até mesmo o desfecho só pode ser aceito considerando esse elemento sem explicação racional.

Em função da situação do mundo em 2020 pela Covid 19, a identificação é muito forte. Na parte em que o autor descreve os sintomas – febre, cansaço, tosse, dificuldade para respirar – é impossível não entender a sensação que ele quer passar e os personagens têm total aversão a qualquer pessoa que espirre ou tussa ao lado deles, algo que vivemos desde março no Brasil. Além disso, o livro relata morte rápida quando acometido da doença e vemos caminhões frigoríficos providenciados para guardar os mortos. Se eu tivesse lido este livro antes, passaria por este trecho achando que Stephen King estava sendo dramático e exagerado, mas visto o que acontece em nosso país, infelizmente, não pude achar a criatividade do autor mais sinistra do que de costume. A doença passeia pelo mundo de forma alegórica, como se de fato a morte esteja dançando entre as pessoas, levando com ela quem possa carregar.


O livro é um romance completo com doses equilibradas de fantasia, suspense, terror, sociologia e teologia. Mesmo com tamanho assustador a princípio, esta é uma de suas obras mais aclamadas, pois Stephen King exibe mais uma vez sua genialidade para conceber uma ficção que aborda diversas questões pertinentes à sociedade e a fé das pessoas.

Eu gostei muito, mas não indico para todas as pessoas, principalmente para quem sofre na pele e na família o avanço da atual pandemia.


Um pouco sobre o autor: Stephen Edwin King é um escritor americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Os seus livros venderam mais de 350 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países. Livros do autor que eu já li:

1979 – A Zona Morta 
1982 – Quatro Estações
1983 – O Cemitério 
1986 – It – A Coisa 
1987 – Misery – Louca Obsessão
1990 – A Dança da Morte
1996 – À Espera de Um Milagre
2006 – LOVE: A História de Lisey 
2009 – Sob a Redoma 
2011 – Novembro de 63 
2017 – Belas Adormecidas

Nenhum comentário:

Postar um comentário