28.6.19

Pequenos Incêndios Por Toda Parte (Celeste NG)

Ficha Técnica:
Título Original: Little Fires Everywhere
Autora: Celeste Ng
Tradução: Julia Sobral Campos
País de Origem: Estados Unidos
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 416
Ano de Publicação: 2018
ISBN: 978-85-510-0313-1987 

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 46° livro lido em 2019 e foi Pequenos Incêndios Por Toda Parte (Celeste NG). Depois da experiência perfeita com Tudo o Que Nunca Contei da mesma autora, não pensei duas vezes em conhecer o novo livro dela e já adianto que minha expectativa foi confirmada e superada com sucesso.

O livro nos traz a Mia, uma fotógrafa conceitual que após anos vivendo praticamente como nômade com a sua filha adolescente Pearl, chega a Shaker Heights, uma cidade perfeita e habitada por pessoas perfeitas. Logo quando descarregam os poucos pertences do carro velho, são notadas por Moody, um dos filhos da tradicional família Richardson. Moody tem três irmãos: a mais velha é Lexie, de 18 anos, adolescente padrão: bonita, loira e muito popular. Trip segue pelo mesmo caminho da irmã mais velha, talentoso nos esportes e pouco esperto para o resto da vida. Moody, que compartilha os 15 anos com a nova vizinha Pearl, é mais introspectivo, escreve poesia e é mais sensível às outras pessoas. Já Izzy é a caçula e completamente diferente do que se espera de alguém que nasceu em cresceu em Shaker Heighs e muito diferente dos próprios irmãos.


O livro então se desenvolve em Mia e Pearl se adaptarem ao novo lugar, pois sempre foram pessoas muito simples. Mia vende suas fotos para galerias de arte e quando algum trabalho seu não é comprado, sustenta a filha através de pequenos empregos como o de garçonete. Ela tem um passado sombrio, não mantém relacionamento com seus pais e não deseja ser famosa ou uma fotógrafa destacada no meio, quer apenas viver o dia a dia e de preferência passar sem chamar a atenção dos outros. Pearl também é assim, simples e tranquila, mas de certa forma a convivência com os Richardson desperta nela um certo deslumbramento e algumas questões que antes não pareciam importantes.

A autora conseguiu desenvolver arcos independentes para os personagens e todos se unem em algum ponto do enredo, dando consistência para todas as pequenas histórias que ela inseriu ao longo da narrativa. Conseguimos entender as motivações de cada um e torcer para que tudo termine bem porque de certa forma, não temos vilões nesta história, apenas vidas distintas que se cruzam e precisam sobreviver a isso.

O protagonismo é de Mia e Pearl, elas são fortes e bem desenvolvidas, no entanto a personagem que mais me chamou a atenção foi a Izzy porque ela tem elementos que eu admiro. Ela não mantém uma boa relação com a mãe, mesmo sendo extremamente estudiosa. Talvez por ser a única pessoa que questiona as regras indo na contramão dos padrões e acaba sempre se metendo em encrencas, sua posição na família não é muito confortável. E após conhecer Mia e Pearl, Izzy passa a desejar ter tido uma outra vida, ainda que seja uma garota privilegiada.


A trama do livro ainda envolve uma bebê oriental que é adotada por uma das famílias daquele lugar e tem a mãe biológica tentando reaver sua guarda. Mia tentará ajudá-la e isso será o catalisador dos problemas que surgirão entre Mia e a mãe dos novos amigos de Pearl, fazendo com que ela acabe investigando o passado de Mia.

Comecei a ler o livro muito empolgada e essa empolgação foi aumentando durante a leitura. A habilidade que a autora tem com as palavras e a maneira gloriosa como me fez sentir tudo dentro da narrativa me deixou mais que satisfeita com o livro. Temos aqui muitos personagens e eles são ricos, fortes e impactam a história em um momento ou outro e a forma como a autora administrou tudo isso dentro do livro me deixou abismada porque a possibilidade dela se perder com tantas histórias era grande.

Muitos temas são abordados dentro do livro e cada um é relevante dentro do arco do seu personagem, mas sem dúvida a empatia ou a falta dela é o que permeia tudo. A maternidade e seus altos e baixos, as mentiras e as expectativas com o futuro, além de algo muito delicado como aborto fazem parte da trama de forma responsável, com profundidade, nos levando a refletir sobre tudo o que acontece com os personagens.


Eu adorei a leitura e sem dúvida fico aqui torcendo para que a autora escreva muitos livros desta forma, com drama, reflexão, personagens envolventes e temas sérios que precisam ocupar mais páginas em nossa literatura mundial. 

Sem dúvida, eu amei!!!


Um pouco sobre a autora: Celeste Ng cresceu em Pittsburgh, Pensilvânia, e Shaker Heights, Ohio, nos Estados Unidos, em uma família de cientistas. Formou-se em Harvard e fez o mestrado em belas-artes pela Universidade de Michigan, onde ganhou o Hopwood Award. Seus ensaios e trabalhos de ficção já foram publicados na One Story, TriQuarterly, Bellevue Literary Review, Kenyon Review Online. Atualmente Ng mora em Cambridge, Massachusetts, com o marido e o filho. Seus livros publicados no Brasil são:
    • Tudo o Que Nunca Contei
    • Pequenos Incêndios Por Toda Parte

Um comentário:

  1. Olá
    Eu li esse livro acho que ano passado e amei a história. Pra mim, acima de tudo, ele é um livro sobre maternidade. Sobre mães reais, que buscam fazer o que é melhor para seus filhos. A escrita da autora é incrível e a cada momento eu queria ler mais.

    Vidas em Preto e Branco

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