20.5.20

Herdeiras do Mar (Mary Lynn Bracht)

FICHA TÉCNICA
Nome original: White Chrysanthemum
Autora: Mary Lynn Bracht
Tradução: Julia de Souza
País de origem: Coreia do Sul
Número de páginas: 303
Ano de Lançamento: 2020
ISBN-13: 9788584391554
Editora: Tag Inéditos

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 34° livro lido em 2020 e foi Herdeiras do Mar (Mary Lynn Bracht). Este livro chegou para mim através do clube Tag Inéditos e eu fiquei empolgada por se tratar de um enredo passado do outro lado do mundo, escrito por uma autora de origem coreana.

O livro nos traz a história de duas irmãs, Hana e Emiko, em tempos diferentes. O livro começa em 1943, com Hana aos 16 anos, a mãe e outras mulheres da Ilha de Jeju, na ainda unificada Coreia. O mundo vive a segunda guerra mundial e a Coreia está sob o domínio do Japão. Em todo o país, as pessoas têm medo dos soldados japoneses que agem com violência e desrespeito como todo dominador. Hana e as mulheres de sua família fazem parte da tradição de mulheres Haenyeo, são  mergulhadoras com uma prática intensa de apneia e conseguem mergulhar profundamente para pescar e sustentar suas famílias. Elas têm muito orgulho disso porque sabem que não precisam de homens para seguirem suas vidas e embora Hana tenha um pai trabalhador e honesto, sabe desde cedo que já tem uma profissão que pode dar a sua independência financeira se ela assim quiser. 


O pai de Hana era professor antes da dominação japonesa e a guerra o transformou em um operário, tentando assim diminuir sua dignidade como homem. Apesar da guerra e dos tempos de medo e dificuldade, a família de Hana é unida e feliz. Até o dia em que ela e as outras mulheres estão mergulhando e sua irmã de 9 anos está na praia cuidando dos baldes de pesca do dia, em que Hana vê um soldado japonês se aproximar da praia e nada ao encontro da irmã para protegê-la e ao conseguir esconder a irmã, Hana é levada pelo soldado japonês.

Em capítulos intercalados, reencontramos Emiko em 2011, viajando para Seul para visitar seus filhos e participar de um ato de protesto no centro da capital coreana que tem como objetivo nunca esquecer as mulheres que foram sequestradas pelo exército japonês. Com idade avançada, Emiko ainda alimenta o sonho secreto de reencontrar a irmã levada da praia naquele dia e que nunca mais voltou. 

Acompanhamos Hana e Emiko em diferentes momentos, ambas com dores intensas. Hana é levada para longe da sua família e obrigada a se prostituir. Ainda no caminho ao seu cativeiro, é violentada pelo soldado Morimoto, que inicia uma verdadeira obsessão por ela. A partir disso, seus dias são cheios de violência com estupros e espancamentos sistemáticos. Hana é obrigada a abrir mão de seu nome e sua história, vive verdadeiros dias de terror.

Emiko também passa por sua dose de dor, relembrando a morte do pai, a prisão da mãe e ainda bem nova, é obrigada a se casar com um homem que nunca a respeitou. Ela nunca esqueceu o sacrifício que a irmã fez por ela e sabe que seu coração só terá paz se conseguir encontrá-la. Emiko tem pouco tempo de vida porque foi diagnosticada com uma doença cardíaca e sabe que precisa correr para realizar seu único sonho.

O livro é intenso, forte, com cenas de violência bem gráficas e angustiantes. Além disso, temos um capítulo da história do nosso mundo que poucas pessoas conhecem. Quando pensamos em segunda guerra mundial, normalmente pensamos na Alemanha e nos Judeus, eu particularmente desconheço o que outros povos sofreram. Ter contato com essa parte da história foi um pouco assustador porque ao pesquisar um pouco sobre o assunto, descobri que muitas mulheres sofreram o verdadeiro inferno na mão dos japoneses como a personagem deste livro, pois de alguma forma sinistra e irracional, eles acreditavam que podiam fazer isso.

O livro coloca como protagonistas as mulheres que em tempos de conflito político, social e econômico sofreram na pele a brutal, terrível e injusta condição de não ter como se defender. Embora o livro seja uma ficção, o enredo dá voz para as pessoas que foram enganadas, sequestradas e abusadas por militares japoneses durante a colonização da Coreia. 


A leitura foi intensa, sofrida e angustiante, mas me trouxe a curiosidade de pesquisar sobre a história real por trás disso tudo e entender um pouco como tudo isso aconteceu. É um livro forte, violento e sufocante, mas com uma oportunidade de reflexão muito relevante.

Eu amei!!!


Um pouco sobre a autora: MARY LYNN BRACHT é uma autora americana de ascendência coreana que agora vive em Londres. Ela tem um mestrado em Escrita Criativa pela Birkbeck, Universidade de Londres. Ela cresceu em uma grande comunidade ex-pat de mulheres que cresceram na Coréia do Sul no pós-guerra. Em 2002, Bracht visitou o vilarejo de infância de sua mãe e foi durante essa viagem que ela soube pela primeira vez sobre as mulheres capturadas e colocadas em bordéis para os militares japoneses. No Brasil Herdeiras do Mar é o seu único livro publicado.

6 comentários:

  1. OiiI!

    QUe capa mais linda <3!!

    Eu não conhecia o livro e fiquei impressionada em saber seu conteúdo. Faz tempo que não leio algo nesse estilo e que seja tão angustiante assim. Gostei de ler sua resenha e fiquei curiosa para me aprofundar na história.

    Eu também tenho o costume de pesquisar fatos para entender como aconteceram de fato.
    A resenha está incrivel e as fotos estão lindas!

    Beijinhos,
    Ani
    www.entrechocolatesemusicas.com.br

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  2. Olá, tudo bem? Agora que acompanho muito mais sobre a cultura asiática, sei que guerras e conflitos políticos em todo mundo tem a sua herança. Até hoje a Coréia tem um baque muito grande com tudo que sofreu na mão do Japão. Não conhecia o livro, mas pelo que vi é inédito da TAG né?! Vou correr conferir assim que sair pela editora Paralela. Imagino que seja um livro forte, porém com grandes reflexões. Dica anotada!
    Beijos

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  3. Oi, Ivi!
    Quando esse livro chegou pela TAG aqui em casa, logo que vi a capa, já fiquei muito interessada, exatamente por ele trazer uma parte da história que não conhecemos muito. Eu até sabia alguns horrores que os japonese tinham passado na Segunda Guerra Mundial, mas o que os coreanos passaram nas mãos dos japoneses é novo para mim.
    Depois da sua resenha, só fiquei mais interessada!
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2020/05/resenha-lobo-por-lobo-livro-1.html

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  4. Oi, Ivi! Tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas achei legal a tag trazer um livro escrito por uma autora de origem coreana, que permite ao leitor conhecer uma outra cultura e história. Porém, apesar de ter ficado curiosa, não sei se é uma leitura que eu faria. Deu para ver o quanto é um livro pesado, com cenas muito fortes e dolorosas. Ultimamente ando fugindo de leituras assim e optando por livros mais leves, que ajudem a relaxar nesse período de quarentena.
    Mas amei ler a sua resenha e talvez em um outro momento eu dê uma chance para esse livro, que parece ser uma leitura muito rica.
    Beijos!

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  5. Nossa, não conhecia o livro, nem a capa, gostei bastante da premissa. Parece um livro que gostaria muito de conhecer, por todas as características presentes.

    O fato de pesquisar também é muito presente em mim, sou assim com tudo! A pesquisa já faz parte da leitura 😍

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  6. Olá Ivi!!!
    Eu admito que nunca havia ouvido falar sobre esse livro até me deparar com ele hoje na sua resenha, eu acho que livros que trazem uma temática tão importante como essa são muito necessários pois vemos uma realidade que muitas vezes estava escondida de nós.
    Eu nunca soube desses casos e sua resenha me lembrou até de um filme que vi, mas realmente é triste pensar como foi muita coisa que aconteceu e que muitas vezes descobrimos por meio da literatura.
    Parabéns pela resenha e é uma dica mais que anotada!!!

    lereliterario.blogspot.com

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