4.3.20

David Copperfield (Charles Dickens)

Ficha Técnica:
Nome Original: David Copperfield
Autor: David Copperfield
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Ana Lima
Número de Páginas: 1160
Ano de Lançamento: 1850
ISBN-13: 9788582850671
Editora: Penguin

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 14º livro lido em 2020 e foi David Copperfield (Charles Dickens). Tenho este livro na estante há um tempo, porém como o livro é IMENSO nunca me senti muito animada para desbravar suas mais de mil páginas. Isso mudou quando a Polly do Entre Livros e Personagens promoveu uma leitura em conjunto, pois fiquei empolgadíssima com o projeto que previa ler um ou dois capítulos por dia. Porém, meu amor pelo enredo e pelo protagonista foi tão grande que simplesmente pisei no acelerador e li o livro todo em 15 dias, desrespeitando todo o cronograma.

O livro nos traz David que nasceu em uma sexta feira à meia-noite, considerado um sinal de má sorte. O pai de David morreu antes de conhecer seu filho e David encontra apoio em sua mãe e em sua governanta, Peggoty. No entanto, a mãe de David sente a necessidade de ter um marido após ficar viúva. e em seguida se casa com Mr. Murdstone, um homem severo e insensível. Eles também acolhem em sua casa a irmã de Mr. Murdstone. Na convivência diária, os Murdstones tentam afastar o garoto até que o inevitável acontece: numa briga entre o Sr. Murdstone e David, o menino acaba mordendo a mão do seu padrasto após levar uma surra dele e seu destino acaba sendo em um colégio interno.


Ao se mudar para o colégio interno em Salem House, dirigido por um homem chamado Mr. Creakl, David conhece novos amigos, entre eles: James Steerforth, que vai se tornar seu maior amigo e companheiro e Tommy Traddles. O autor exibe um contraste entre esses dois personagens: a única coisa em comum que compartilham é a sua estreita amizade com David Copperfield. Ele mostra essas diferenças através de seus olhares, personalidades e os resultados finais de suas vidas.

A infância de David se torna muito difícil e conturbada pela ausência das pessoas que amava e aos poucos ele precisa assumir responsabilidades imensas para a sua pouca idade, como também amadurecer antes do tempo.

A escrita de Dickens aliada a um protagonista apaixonante são o grande trunfo deste livro maravilhoso. Acompanhamos a saga de David com detalhes e a cada dificuldade ou cada pequena vitória, nos envolvemos ainda mais com ele e torcemos para que alcance a felicidade. Os personagens que orbitam ao redor dele também são muito desenvolvidos, amamos uns, odiamos outros e essa dinâmica torna a leitura viciante porque o autor consegue fazer você se emocionar com os acontecimentos da vida do personagem.


Ao longo do livro podemos ver que Dickens concentra-se em órfãos, mulheres e deficientes mentais e a exploração é regra na sociedade industrial de sua época. Dickens se baseia em sua própria experiência como criança para descrever a desumanidade do trabalho infantil e da prisão dos devedores. Seus personagens sofrem a punição nas mãos de forças maiores do que eles mesmos, mesmo sendo pessoas boas.

Mesmo em um tempo tão distante do nosso, vemos o autor mencionar o machismo e o quanto é absurdamente prejudicial para todos. Existe uma passagem de reflexão sobre a vida de uma personagem feminina massacrada por uma atitude quando um homem havia feito a mesma coisa e ninguém falava dele. Essa parte me deixou tão satisfeita com o autor que eu suspirei de felicidade. Vez ou outra aceitamos que homens mais velhos, em sua maioria idosos, permaneçam em seus discursos misóginos alegando que são de outro tempo. Querem que perdoemos o machismo, mas em 1850 (ano da publicação do livro), um autor já mencionava o quanto isso era negativo.

Outro ponto explorado no livro é a relação entre marido e esposa que alcançam a igualdade no relacionamento. Dickens nos dá como exemplo um casamento de determinados personagens para mostrar que podem ser felizes juntos sem que nenhum dos cônjuges seja subjugado ao outro. Por outro lado, Dickens didaticamente nos mostra as tentativas do padrasto de “melhorar o caráter” da mãe de David, esmagando o seu espírito. Para isso, a deixa mansa e sem voz por causa do temperamento abrasivo, imperioso e caráter dominador dele.


Ao longo do romance, Dickens critica a visão da sociedade apoiada na riqueza e nas classes sociais como medidas de valor de uma pessoa. Dickens usa Steerforth, rico, poderoso e nobre, para mostrar que esses traços são mais propensos a corromper do que melhorar o caráter de uma pessoa. Nessa época, havia certa tendência em ver a pobreza como um sintoma de degeneração moral e as pessoas pobres e deficientes físicos como merecedoras desse sofrimento. Dickens, por outro lado, simpatiza com os pobres e implica com o fato de que suas aflições resultam da injustiça da sociedade e não de suas próprias falhas.

Apesar de ter sido contemporâneo de Karl Marx e Engels, Charles Dickens sempre rejeitou a revolução das massas; ao contrário, ele temia a revolução da “plebe” e se declarava “um reformador de corpo e alma”.

O autor não pinta um quadro moral preto e branco, mas mostra que a riqueza e a classe social são indicadores não confiáveis ​​de caráter e moralidade. Ele nos convida a julgar seus personagens com base em suas ações e qualidades individuais e não na mão que o mundo cruel os trata.

“David Copperfield” é um livraço. Não existe possibilidade de você, leitor, não se apaixonar por esse livro. Uma obra que merece um lugar de destaque na sua estante.

O romance é o mais autobiográfico do autor. Dickens usa incidentes de sua vida para criar um enredo, uma concentração de mundos morais e sociais numa tela ampla para contar sua história a partir do seu personagem-título, olhando para trás, sobre os altos e baixos da sua longa vida. O romance é uma crítica social de Dickens a uma sociedade vitoriana com poucas salvaguardas contra os maus-tratos aos pobres e, em particular, nos seus centros industriais.

A razão para este cenário é o fato de Dickens ter nascido na cidade de Portsmouth, Inglaterra, em 1812. Quando criança, ele mudou-se para Chathan, onde viveu uma infância agradável. Muitas cenas de sua infância estão entrelaçadas ao longo desse romance em particular. As habilidades de escrita de Dickens são óbvias. Um livro que pode ser lido por todas as pessoas, um romance fácil de entender, em que a escrita se move rapidamente. Rico em metáforas é um clássico que, segundo alguns de seus grandes leitores, pode ser considerado o seu melhor trabalho, inclusive, era o seu livro favorito entre todos os que escreveu.

Eu amei!!!


Um pouco sobre o autor: Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas da era vitoriana e contribuiu para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. A fama dos seus romances e contos pode ser comprovada pelo fato de todos os seus livros continuarem a ser editados. Dickens era filho de John Dickens e de Elizabeth Barrow. Educado por sua mãe, tomou gosto pelos livros. Durante três anos frequentou uma escola particular. Contudo, o pai foi preso por dívidas e, ainda adolescente, Dickens teve que trabalhar em uma fábrica que produzia graxa para sapatos. Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou, graças a uma herança recebida pelo pai. Mas sua mãe não permitiu que ele saísse logo da fábrica, o que fez com que Dickens não a perdoasse por isso. As más condições de trabalho da classe operária tornar-se-iam um dos temas recorrentes da sua obra.
Alguns de seus livros publicados são: 
    • Oliver Twist
    • David Copperfield
    • Grandes Esperanças
    • Um conto de natal
    • As aventuras do Sr. Pickwick
    • Vento noturno

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