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Não Conte Para a Mamãe (Toni Maguire)

Ficha Técnica:
Nome Original: Don't Tell Mummy
Autora: Toni Maguire
Tradução: Isabel Alves
País de Origem: Inglaterra
Número de Páginas: 308
Ano de Lançamento: 2012
ISBN-13: 9788528615722
Editora: Bertrand Brasil
SKOOB

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 47º livro lido em 2016 e foi Não Conte Para a Mamãe (Toni Maguire). Desde o lançamento deste livro no Brasil, em 2012, eu senti vontade de conhecer esta história, que apesar de forte e consequentemente triste, me gerou o interesse em função da coragem e pertinência do tema.


O livro nos traz a Toni, uma mulher adulta e bem-sucedida, indo visitar a sua mãe em um hospital no interior da Irlanda. A mãe de Toni se encontra muito doente e os médicos já prepararam Toni para o pior, alertando que tudo é uma questão de dias. Toni então, se dedica a passar os últimos dias de vida da sua mãe, ao seu lado. E enquanto assiste a vida abandonar o corpo da mãe que Toni tanto amou, ela mentalmente relembra sua infância e compartilha no livro uma história triste, violenta e injusta.

Antoinette Maguire é o nome de Toni e ela começa suas lembranças falando dos primeiros anos de sua vida, em Londres, na companhia da mãe. Os seis primeiros anos, Antoinette viveu basicamente só com a mãe. Seu pai estava servindo na segunda guerra mundial e vinha para casa em espaços longos de tempo, então a figura materna era todo o exemplo de adulto que ela tinha. Além da avó materna, a quem também muito amava. Nestes primeiros anos, a mãe de Antoinette era extremamente zelosa, amorosa e a filha era o centro da sua existência. Porém, a guerra terminou e o pai voltou para casa e eles decidiram ir morar na Irlanda, na época, Irlanda do Norte e a vida de Antoinette se transformou totalmente.

A mãe dela, muito obcecada e apaixonada pelo pai, acabou relaxando nos cuidados e atenção para com a filha e além disso, o pai, de forma cruel, começou a abusar sexualmente dela. Tudo começou com um beijo que ele deu na pequena filha de seis anos, na boca e de forma bem vulgar. Aquilo assustou a criança e ela correu para contar para a mãe. A mãe ouviu a história, mas não deu importância e aconselhou a filha a nunca mais tocar naquele assunto. Porém, o pai seguiu com a violência e quando a menina tinha apenas sete anos de idade, ele fez sexo com ela e isso passou a ser uma rotina para ele. A cada estupro, ele sempre alertava que ela nunca deveria contar para a mãe, pois a mãe deixaria de amá-la. Na mente infantil de Antoinette, ela sabia que isso era uma grande possibilidade, porque de fato, a mãe estava cada vez mais distante dela por causa da presença do pai.

Essa violência teve uma série de repercussões na vida de Antoinette. Ela se tornou uma criança retraída, louca para ser amada pelas colegas de escola ou vizinhança, mas esta carência, acabou por afastar as crianças da sua idade. Sempre muito apaixonada por livros e filmes, ela se refugiava na fantasia para tentar esquecer o pesadelo que vivia dentro de casa, com o pai.
“As crianças, como os animais, pressentem quando alguém é fraco, diferente ou vulnerável. Apesar de serem bem-educadas, oriundas de lares onde a crueldade não tem espaço, aquelas crianças nutriam uma aversão instintiva por mim”
O pai, além de pedófilo, era um mal exemplo em muitos aspectos, mas a mãe de Antoinette, tentava mascarar toda a situação e aos olhos dos vizinhos e da família do marido, eles mostravam que era felizes e uma família exemplar.

Além dos abusos sexuais, o pai de Antoinette a espancava com regularidade e seguia ameaçando, dizendo que se um dia a mãe dela soubesse, a culpa de tudo seria de Antoinette e de mais ninguém.

Antoinette acabou engravidando aos 14 anos e foi neste momento que a mãe tomou conhecimento do que acontecia dentro de casa. Um aborto foi realizado na menina e o pai foi preso, porém, a mãe de Antoinette permaneceu distante e nunca mais retribuiu o amor que a filha lhe devotava.

A história do livro é ainda mais chocante porque é real, é o relato da história da autora e dos anos de abuso que viveu com a pessoa que deveria cuidar para que nada de ruim lhe acontecesse. O livro, com uma linguagem fria, dura e muito indigesta, nos conta da violência física e emocional que uma criança de apenas seis anos foi submetida e que isso se estendeu por longos sete anos.

Em nenhum momento, a leitura deste livro foi fácil ou fluida. Não porque a narrativa seja truncada ou cansativa, mas porque o teor das informações e das situações que a autora compartilha, são sérios demais para se ler de forma tranquila.
“No passado, eu desejara, secretamente, que um adulto lesse nos meus olhos a necessidade desesperada que eu sentia. Agora eu voltava a implorar, mas para que eles me pedissem perdão por não terem percebido nada.”
Existiram momentos em que eu chorei muito enquanto lia porque na minha cabeça, uma criança é para ser amada, cuidada e sobre todas as coisas, respeitada e, nada disto tem no livro. Fui assaltada por momentos de revolta e dor física ao ler como a infância desta mulher lhe foi roubada de forma tão feia.

Após o pai de Antoinette ser preso, um outro pesadelo se estabeleceu: ela foi expulsa da escola em que estudava porque as pessoas acreditavam que ela havia seduzido o pai. A família paterna, a renegou para sempre e na tentativa de trabalhar honestamente e seguir sua vida, ela perdeu o emprego das vezes que seus patrões descobriam o seu passado.

O livro nos coloca várias situações revoltantes. A mais óbvia, a do pai para com a filha. Mas outras me deixaram um bolo na garganta, como a de uma sociedade que culpabilizou uma vitima totalmente inocente. A figura da mãe também despertou uma intensa aversão em mim. Ela não percebia o quanto a filha estava perdida e sozinha, sofrendo, porque a sua atenção e seu amor, eram apenas para o marido.

Apesar de todo o sofrimento, o livro é muito bom. Muito bem escrito, detalhado e reflexivo. A situação, infelizmente mais comum do que estamos preparados para aceitar, me comoveu profundamente e na minha cabeça, penso nas crianças que estão passando por isso hoje e meus lhos ardem, com vontade de chorar.
“O amor é um hábito difícil de quebrar. Pergunte a qualquer mulher que tenha ficado numa má relação muito tempo depois de ela ter deixado de funcionar. Muitas mulheres que tiveram de escapar para abrigos, aceitam os companheiros de volta. Por quê? Porque amam não o homem que as maltratou, mas o homem com quem imaginaram casar.”
Não é um livro que eu recomendo para todos porque realmente é forte e violento, porém recomendo para que todas as mães possam ler e refletir sobre esta história. É necessário estarmos com a mente aberta e com uma atenção intensa sobre os filhos para que este tipo de situação, jamais se aproxime das nossas crianças.

Foi sofrido, mas eu apreciei muito a oportunidade de conhecer esta história.

Observação: A leitura deste livro cumpre com o item 7 do Desafio Literário 2016. O item 7 seria a leitura de um livro que eu quisesse muito ler. Estou querendo ler este livro desde o lançamento em 2012, então, acredito que se encaixe bem no quesito. Se vocês tiverem sugestões para os outros itens, aguardo ansiosamente!!!


Um pouco sobre a autora: Toni Maguire nasceu na Inglaterra, no final dos anos 40. Atualmente, se divide entre O reino Unido e a África do Sul, país pelo qual ela se apaixonou ainda criança, enquanto desenvolvia um trabalho escolar. Já publicou alguns livros, todos versando sobre violência e abuso de crianças, mas no Brasil Não Conte Para a Mamãe é o seu único livro publicado.
Comentários
23 Comentários

23 comentários:

  1. Ivi.... obrigada por me apresentar essa história. E sim ficará na minha lista de leitura, vou me preparar mentalmente pois parece ser bem forte.

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  2. Ivi.... obrigada por me apresentar essa história. E sim ficará na minha lista de leitura, vou me preparar mentalmente pois parece ser bem forte.

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  3. Oi Ivi, esse livro está no meu kindle esperando para ser lido. Já li várias resenhas sobre a obra e nem sei porque ainda não o li, porque imagino que deve ser uma trama extremamente emocionante. Deve mesmo ser muito forte e sofrido, mas já li um livro bem parecido com esse, então já posso estar mais preparada com as cenas. Se bem que q gente sempre acaba se surpreendendo né?! Enfim, sua resenha me deixou mais motivada para fazer essa leitura e vou colocá-la como prioridade. Obrigada pelos comentários!
    Boas leituras!
    Beijos, Fer

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  4. Ivi, eu li este livro e olha que dor! Poxa, ela desde os seis anos ficou sofrendo os abusos e a forma como ela contava foi dolorida demais porque ninguém merece isso né. E ainda passar por tudo o que ela passou e ser taxada como culpada. Culpada! E lembro que quando elas foram morar em uma casa para a mãe dela ser faxineira era quando ela vivia mais feliz. este livro é uma realidade enorme, infelizmente.

    Beijos,

    Greice Negrini

    Blogando Livros
    www.blogandolivros.com

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  5. Olá Ivi,
    Ainda estou em choque em relação a esse livro. Sempre soube da temática forte e marcante dele, mas nunca imaginei que era assim. Sério, fiquei bem sem chão. O que mais choca é saber que foi real.
    Não sei o que se passa na cabeça de um pai, aquele que deve ser o exemplo e proteger a filha de todo mal, de abusar sexualmente dela. E, o pior, isso durou OITO anos! Não é possível que a mãe não tenha percebido e, quando percebeu, isso tornar-se culpa dela? É revoltante. É revoltante saber que isso acontece com mais frequência do que imaginamos e que as vítimas são culpadas.
    Pretendo ler esse livro e tentar digeri-lo.
    Parabéns pela incrível resenha.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

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  6. Ivi, eu fiquei completamente arrepiada lendo a sua resenha, imagina quando eu ler o livro. Porque eu vou ler com certeza! Este é um tema muito alta ultimamente e eu acho que é um tema que a gente tem que continuar expondo, debatendo para lutar contra a cultura do estupro. E pensar que tem gente gritando para sete ventos que a cultura do estupro não existe. Não só existe como é apenas um pedaço de uma cultura ainda muito maior e enraizada: a do machismo.

    Um Metro e Meio de Livros

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  7. É uma leitura bem intensa. E triste. Por sinal bem triste. realmente precisa de um preparo psicológico para entregar-se a leitura deste livro. Esta semana que passou li dois livros parecidos, abordando temas polêmicos. Por hora, estou sem estômago (risos) Mas não irei descartar a dica.

    Beijinhos...
    http://estantedalullys.blogspot.com.br/

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  8. Oi Ivi
    Tenho muita vontade de ler esse livro. Gosto de leituras intensas que nos levam a refletir sobre as coisas. Concordo quando você diz que não é uma leitura para qualquer um, mas tenho certeza que vai a pena enfretá-la.
    Gostei muito da dica.
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  9. Olá!
    Não consigo nem assimilar direito a história deste livro. Estou totalmente em choque com o que aconteceu com a autora quando ela tinha apenas seis anos. Me dá uma revolta muito grande e acredito que choraria em diversas partes também, por isso acredito que não deveria ler este livro. Me deu um nó na garganta de ler sua resenha, quase chorei aqui. Meu Deus, que vida sofrida :(

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  10. Eu tenho grande aversão por estupro, a situação fica ainda pior quando é com menores de idade e totalmente intragável quando o próprio pai faz essa barbaridade. Eu não consigo ver nada disso, me dá nojo e uma vontade enorme de reagir e fazer justiça com minhas próprias mãos. Eu te confesso que eu não tinha vontade de ler o livro até que você mencionou que é uma história real, vontade, vontade, ainda não estou, mas fiquei interessada em saber sobre a vida dela. Saber como ela superou.

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  11. Olá Ivi, tudo bem?

    Li e resenhei esse livro no blog, uma história revoltante e triste e que deixou marcas e sequelas irreparáveis, com certeza um livro que deve ser lido por muitos...ótima resenha.


    Bjs.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  12. Oie Ivi!!
    Amei..amei a resenha! Já havia visto esse livro pelas redes sociais, porém confesso que não sabia sobre o que se tratava exatamente, estou com um aperto no peito só por finalmente descobrir os temas abordados. Não sei se o leria, não tenho psicológico para tanto. Embora eu tenha me interessado muitíssimo.
    bjs

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  13. Oie!
    Esse livro é muito recomendado, mas ainda não tive coragem para ler. Confesso que para mim, o tema é pesado demais e não consigo ler livros assim. Já tive a minha cota de livros sofridos, e deixo esse para outro momento.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  14. Oi!
    Sinceramente acho que não teria coragem de ler este livro, principalmente por saber que a mãe já sabia desses abusos e nunca fez nada, e pra piorar ainda deixou de dar o apoio que a filha precisou depois que teve que abortar um filho de estupro.
    Sua resenha está perfeita, é um ótimo livro mesmo, mas eu passo longe dele rsrs

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  15. Apesar de não ser mãe, gostei da premissa do livro. Não sei se o leria pelo conteúdo mais forte e violento, e pra isso preciso me preparar. Sempre me envolvo demais com os livros que leio e às vezes fico na bad depois. Mas anotei a dica.

    ;D
    Nelmaliana Oliveira

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  16. Olá,quando vi a capa não imaginava do que livro se tratava, a premissa é incrível, mas tenho um certo receio em ler até por que tenho uma filha e isso abalaria meu emocional por completo. Creio que a autora quis meio que pregar um alerta. Fiquei meio chateada e querendo entender o por que que a mãe se afasta da filha em um momento no qual ela tinha que está mais presente na vida da filha. O livro parece trazer consigo uma carga emocional muuito forte. Parabéns pela resenha!

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  17. Oi!
    Eu já conhecia o livro, mas não sabia exatamente do que se tratava a história... Sua resenha ficou ótima, o enredo parece ser muito pesado mesmo, e chocante, ainda mais por ser uma história real. Não sei se leria no momento, mas vou deixar a dica anotada.
    Beijos!

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  18. Nossa Ivi, eu fiquei até arrepiada com a sua resenha , me deu muita repugnância com o pai de Toni e um ódio ainda maior pela mãe dela que se tivesse ouvido a garota quando o primeiro beijo aconteceu nada disso teria acontecido. Esse livro traz assuntos bem polêmicos eu não sei se teria estômago para ler. Pois só de ver sua resenha já estou totalmente revoltada. E como sou mãe fico indignada!!!
    Estou com medo de ler apesar da história ter chamado minha atenção. Entende esse conflito?
    Bj

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  19. Oi Ivi...
    nossa que livro pesado, isso é realmente muito triste e revoltante, já li relatos da vida real sobre esses assuntos, porem nunca li um livro como esse e fiquei muito interessada, tudo que essa menina-mulher passa e sofre na vida nos faz refletir e prestar mais atenção a nossa volta... vou tentar adquirir um exemplar o mais rápido possível... Obrigado pela dica, deve ter sido difícil ler e resenhar esse livro e te admiro por isso...
    Beijocas...
    https://westfalllivros.blogspot.com

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  20. Livros fortes e violentos não me atraem nem um pouco... ainda mais histórias como essa, com um pai pedófilo. Não tenho estômago para esse tipo de coisa, não entra na minha cabeça de jeito nenhum a questão do estupro, um pai estuprando a própria filha então, não tenho nem palavras para dizer o que penso sobre isso. Não vou ler de jeito nenhum.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  21. Oi Ivi, uau esse é um livro chocante. Eu fiquei com muita vontade de ler ele, pois eu gosto desses assuntos fortes e séries, e principalmente quando se trata de casos reais. Realmente é muito triste ver que isso realmente aconteceu e ver o quanto a criança sofreu, imagino como foi para a autora relembrar essa época. Adorei a resenha!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  22. Oi Ivi!
    Confesso que a historia intriga, cria curiosidade para ler, mas ao mesmo tempo é medo do choque por ser uma historia real, talvez leria em um momento que esteja tranquila para ser forte na leitura de todo o conteúdo.

    Abraços

    Viviana

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  23. Oi Ivi! Adoro vir aqui no seu cantinho. Acho sua escrita muito sensível e hoje lendo sua resenha tive certeza desta percepção. Mesmo nos trazendo um relato de uma história real, você conseguiu despertar em mim aquela vontade de conhecer mais a fundo este livro. Quando comece a ler, de cara achei que não seria um livro que me interessaria ler por causa da violência em si. Eu confesso que sou fraca demais pra este tipo de assunto, mas sua resenha me animou a ler. Pode sr que demore um pouco, mas vou ler sim! <3

    Valei pela dica!

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