29.1.21

10 Autores 10 Livros 10 Países



Oi gente que ama livros, hoje venho com uma lista de 10 livros, escritos por 10 autores de 10 nacionalidades diferentes. Escolhi os livros baseada na nacionalidade do autor ou pelo enredo do livro ser mais de 80 por cento ambientado no país em questão. Deixei a Inglaterra e os Estados Unidos de fora por serem os países de que mais consumo literatura.

Vamos conferir?


Afeganistão – O Caçador de Pipas (Khaled Hosseine)
O livro nos traz Amir, um afegão que vive nos Estados Unidos há muito tempo, que recebe um telefonema de um amigo querido que já no fim da vida, pede para que ele volte ao Oriente Médio a fim de se despedir dele. Esta viagem representará à Amir a oportunidade de se libertar dos demônios da culpa de algo que ele fez quando ainda era um menino em Cabul, sua terra natal. A partir disto, Amir nos conta como foi a sua infância e sobre a amizade dele com Hassan, filho de um criado da sua casa. Mais que isso, Hassan e o pai eram tidos pelo pai de Amir como parte da família e conhecemos então, um Amir que transita entre ser uma criança egoísta e medrosa, mas também um menino carinhoso e feliz. Algo muito triste acontece com Hassan e Amir e após a separação inevitável, acompanhamos Amir e seu pai fugindo do Afeganistão enquanto a Rússia destituía o poder político que lá vigorava. Conhecemos a história sob a perspectiva de Amir e o quanto ele sofre e se envergonha do que fez na infância. Sua vida segue e ele tem a oportunidade de voltar e tentar corrigir o erro que cometeu naquela época.
África do Sul – Nascido do Crime (Trevor Noah)
O livro traz a história de vida de Trevor Noah, hoje com 36 anos que nasceu de uma relação ilícita. Não estou falando que sua mãe ou seu pai eram casados com outras pessoas quando nasceu, não é isso que torna sua concepção errada. O que fez Trevor nascer de um crime foi o fato da mãe ser negra, o pai branco e ele ter nascido na África do Sul durante o Apartheid, regime político de forte segregação racial em que dirigentes brancos se aproveitaram da vulnerabilidade da população negra para marginalizá-los. Ele foi criado e educado pela mãe, Patricia Noah, uma mulher forte, rígida, mas apaixonada pelo filho e decidida dar uma vida melhor a ele. Não apenas em questões materiais, mas que o filho tivesse oportunidades, direto de escolha, sobrevivesse com bravura e determinação diante do racismo legalizado no país.


Argentina – As Coisas que Perdemos no Fogo (Mariana Enriquez)
O livro é uma coletânea de doze histórias que flertam com o terror e o suspense, trazendo as características sul-americanas para o texto. As histórias trazem situações do cotidiano de uma forma que pretende dar medo ou apreensão em quem está lendo e envolver o leitor. Não é um livro que traz fantasmas ou situações sobrenaturais como em outros enredos do gênero, mas a autora explora uma maneira particular de ver o mundo, surpreende e aterroriza ao nos colocar em situações corriqueiras e ao mostrar que em seu imaginário, um mundo além do nosso pode estar mais próximo do que imaginamos. A princípio existe uma estranheza em entender a forma com a autora quer nos contar as histórias, mas quando nos acostumamos, o livro flui rapidamente.

Brasil – Fim (Fernanda Torres)
O livro nos traz o fim da vida de cinco amigos: Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto e Ciro. Eles se conheceram na juventude, acompanharam a vida um do outro e cada capítulo traz os momentos finais de suas histórias. Curiosamente, o último a morrer é o primeiro a compartilhar seus momentos finais. Álvaro foi um homem com um casamento frustrante e sempre rumou de médico em médico, cuidando da saúde (talvez por isso tenha sido o último a morrer). Morreu com mais de 80 anos e além de contar do casamento falido, relata como chegou até a hora derradeira. Na sequência vem Sílvio, um verdadeiro maluco, totalmente imerso em drogas e sexo, que mesmo na terceira idade, viveu como se fosse um adolescente. Temos ainda Ribeiro, que nunca se casou, mas não desistiu das mulheres. Conhecemos o Neto, único homem comportado do grupo, contido e tranquilo. Por fim, o primeiro a morrer foi Ciro, o mais bonito dos cinco amigos e que poderia ter todas as mulheres.

Colômbia – Não Há Silêncio que Não Termine (Ingrid Betancourt)
Temos um livro de cunho político, mas também a catarse da dor de dezenas de seres humanos rebaixados a condição de pária. A obra de Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência colombiana em 2002 nos conta como ela e outros reféns foram mantidos em cativeiro até 2008. A obra mescla narrativa em primeira e terceira pessoa com ritmo ágil, como um thriller, a ponto do leitor não sentir o peso das mais de 500 páginas. Traz em primeiro plano a angústia de uma mulher privada da companhia dos filhos por longos anos, a tristeza de uma filha que perdeu o pai enquanto estava sequestrada e teve que guardar seu luto ao mesmo tempo em que era tratada como um animal pelos guerrilheiros. Um mês após o rapto, Ingrid ficou sabendo da morte de seu pai, o ex-embaixador da Unesco Gabriel Betancourt, ao receber comida de um guerrilheiro embrulhada em um pedaço de jornal que narrava o cortejo fúnebre. 

Coréia do Sul – Herdeiras do Mar Mary Lynn Bracht
O livro nos traz a história de duas irmãs, Hana e Emiko, em tempos diferentes. O livro começa em 1943, com Hana aos 16 anos, a mãe e outras mulheres da Ilha de Jeju, na ainda unificada Coreia. O mundo vive a segunda guerra mundial e a Coreia está sob o domínio do Japão. Em todo o país, as pessoas têm medo dos soldados japoneses que agem com violência e desrespeito como todo dominador. Hana e as mulheres de sua família fazem parte da tradição de mulheres Haenyeo, são mergulhadoras com uma prática intensa de apneia e conseguem mergulhar profundamente para pescar e sustentar suas famílias. Elas têm muito orgulho disso porque sabem que não precisam de homens para seguirem suas vidas e embora Hana tenha um pai trabalhador e honesto, sabe desde cedo que já tem uma profissão que pode dar a sua independência financeira se ela assim quiser. 

França – Os Miseráveis (Victor Hugo)
O livro nos traz Jean Valjean, um homem que rouba um pedaço de pão levado pelo desespero e por isso foi condenado a trabalho forçado nas galés (que podemos entender como uma penitenciária) e teve que cumprir uma sentença de dezenove anos por causa de inúmeras tentativas de fuga. Quando termina sua pena e é colocado em liberdade, percebe que a condição de ex-prisioneiro nunca o abandonará e decide mudar de nome. É então que conhece Fantine, uma mulher que também teve uma vida difícil, tendo que deixar sua filha, Cosette aos cuidados de estranhos. Antes que Jean possa ajudá-las, o inspetor Javert se coloca no encalço dele, determinado a levá-lo a justiça por novos delitos. Anos depois, a vida destes personagens se cruza com o jovem Marius, um estudante engajado com a Revolução de 1832. 

Irlanda – O Pacifista (John Boyne)
O livro conta a história do encontro entre o ex-soldado Tristan Sadler e Marian Bancroft. Marian é a irmã de Will, amigo que Tristan conheceu quando chegou ao treinamento antes de guerrear contra os alemães no norte da França, que morreu antes da guerra terminar. O motivo do encontro é Tristan devolver cartas que Marian escreveu ao irmão, mas na verdade Tristan tem outro objetivo em mente: Ele quer revelar a ela um segredo que carrega intimamente e não suporta mais. Entre o encontro com Marian, em 1919, quando a primeira Guerra Mundial havia chegado ao fim, Tristan lembra do passado, um pouco da infância, muito da guerra e assim, o personagem se descortina na nossa frente e nos mostra o quanto é difícil ir na contramão de padrões estabelecidos e nunca questionados. A narrativa em primeira pessoa com a perspectiva de Tristan nos dá o panorama perfeito de um homem inteiro, com sentimentos, desejos, qualidades, mas também com defeitos e aquela porção de mediocridade dada a cada ser humano.

Índia – Escola de Contos Eróticos Para Viúvas (Balli Kaur Jaswall)
O livro nos traz a Nikky, uma jovem de vinte e poucos anos, de família indiana, vivendo em Londres há muitos anos. Seu pai faleceu há pouco tempo e ela precisa arrumar uma renda extra para ajudar nas despesas da família. Nikky é totalmente ocidentalizada e pouco se importa com a tradição da família, já sua irmã mais velha, Minddy, quer se casar da forma mais tradicional possível. Para isso, pede que Nikky vá ao templo de Southal e veja no mural de anúncios matrimoniais se tem algum homem interessante para ela. Nikky não concorda com a escolha da irmã, mas ainda assim faz esse favor. No templo, ela descobre que precisam de uma professora para dar aulas de escrita criativa e se candidata ao cargo. Lá também ela conhece Jason, que será seu interesse romântico dentro do livro. Quando Nikky chega para dar a sua primeira aula, descobre que sua turma de alunos é formada só por mulheres. Todas de origem indiana, mais velhas e viúvas, se matricularam no curso com o objetivo de matarem um pouco de tempo. A grande maioria não é alfabetizada e com medo de perder o emprego, Nikky se dispõe a alfabetizar algumas delas. Porém, elas encontram um livro de romance erótico nas coisas de Nikky e se mostram também muito interessadas em escrever contos do mesmo tipo. As mulheres encontram ali um ambiente seguro para compartilhar suas fantasias.

Portugal – As Intermitências da Morte (José Saramago)
O livro começa com a seguinte frase: “No dia seguinte ninguém morreu.” e prossegue a narrativa com a descrição dos fatos ocorridos após a Morte ter deixado de prestar serviços à comunidade local de um determinado país, a partir do primeiro dia do ano. A escolha do autor pela temática da morte é o que origina todo o encadeamento da narrativa. Embora esse tema já tenha sido profundamente explorado por diversos autores, Saramago leva o leitor a refletir o seu aspecto contrário, isto é, o não morrer. Para o que a princípio pode ser visto como a tábua de salvação para todos os males, o autor revela o outro lado da moeda, ou seja, todos os problemas que a tão temerosa morte causaria se deixasse de prestar os seus funestos serviços. No desenrolar dos diferentes fatos ocorridos no país fictício, o autor revela que a morte apesar de ter sido acusada de “impiedosa, cruel, tirana, malvada, sanguinária, vampira, imperatriz do mal, Drácula de saias, inimiga do gênero humano, desleal, assassina, traidora”, é o que poderíamos considerar como um verdadeiro mal necessário.

Gostaram? Vocês conseguem listar 10 autores de 10 países diferentes, que não estejam nesta lista? Deixem os que lembrarem nos comentários, vou adorar conhecer, inserir na minha lista de leitura e assim aumentar ainda mais a diversidade de países dentro das minhas leituras.

Beijos

5 comentários:

  1. Olá
    Que lista maravilhosa. Dos títulos citados, já li O caçador de Pipas e apenas esse rs. Confesso que não conhecia vários das suas indicações, e fiquei bem intrigada em relação "As Coisas que Perdemos no Fogo" e "O Pacifista" Vou procurar mais informações sobre eles. Adorei sua indicação, mesmo porque é ótimo conferir culturas diferentes da nossa, em especial na literatura não é mesmo?!.
    Beijos, Fê
    https://modoliterario.blogspot.com/

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  2. Adorei a ideia do post!
    Dos livros selecionados, o único que li foi o Caçador de Pipas, que me tocou profundamente. Outro livro do autor tão bom quanto é A Cidade do Sol.
    Beijos

    Quanto Mais Livros Melhor

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  3. Oi!!

    Ai, adorei o post! Dessa lista eu só tenho Herdeiras do Mar que, pelos comentários, dizem ser um livro muito forte e muito bonito, ainda não li por falta de tempo, mas espero ler ainda esse ano!
    E O Caçador De Pipas eu li quando era bem mais nova, num livro de biblioteca e nossa, me lembro de ter ficado super impactada com a leitura, é uma história muito bonita mas muito triste.

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  4. Olá, tudo bem? Adorei o post, no qual peguei várias dicas para passear por esse mundão pelos livros! Pensando por aqui, talvez eu leia muitos livros estadunienses, mas de vez em quando, surge alguns outros de localidades diferentes. Um que pode acrescentar na lista é Outlander que se passa na Escócia.
    Beijos

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  5. Oi, Ivi! Tudo bem?
    Adorei o post e vou anotar as indicações. Ainda não li nenhum dos livros citados, mas tenho muita vontade de ler Os miseráveis. As Intermitências da Morte eu ainda não conhecia, mas já li outro livro do Saramago (Ensaio sobre a cegueira) e amei muito. Então, vou adicionar esse na lista de desejados também.
    Beijos!

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