6.11.19

Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez)

Ficha Técnica:
Nome Original: Cien años de soledad
Autor: Gabriel García Márquez
País de Origem: Colômbia
Tradução: Eliane Zagury
Número de Páginas: 364
Ano de Lançamento: 1967
ISBN-13: 9788501012074
Editora: Sabiá Ltda

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 77º livro lido em 2019 e foi Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez). Sempre fugi deste livro em função dele ser o favorito de muitas pessoas, é um daqueles livros que me intimidavam porque eu tinha medo de ler e não entender ou não absorver a mensagem, por isso sempre protelei sua leitura. Até a divulgação que o livro seria adaptado para uma série da Netflix, motivo que me fez pegar o meu exemplar velhinho da estante, presente de um professor do Ensino Fundamental e começar a leitura.

Cem Anos de Solidão não apenas deu ao autor o Prêmio Nobel de Literatura de 1982 como também rompeu a hegemonia europeia e norte-americana na literatura mundial na época de seu lançamento e resgatou a América Latina dos seus anos de solidão. Nessa obra, considerada uma das mais importantes da literatura hispânica, Gabriel captura o leitor com seu minucioso trabalho de carpintaria literária, construindo efeitos, graduando impressões, moldando ações e costumes que unidos contam uma história universal. Em cada lar latino-americano é possível vislumbrar as situações da narrativa tão mágica e intensa do autor colombiano.


No meio dos anos conturbados das décadas de 60 e 70, em que os países latino-americanos passavam por seus processos ditatoriais, o realismo fantástico surgiu como crítica social aos domínios da ditadura. Cem Anos de Solidão fundiu elementos mágicos com a realidade da fictícia cidade de Macondo através das experiências vividas pela família Buendía. Convertendo em linguagem a linha tênue entre o real e o imaginário, Gabriel deu forma ao realismo mágico que marcou a literatura latino-americana.

O livro nos conta a história das seis gerações da família Buendía, a principal família de Macondo. Todos os homens são batizados com os nomes José Arcádio ou Aureliano, sendo que os Josés Arcádios são sempre impulsivos, extrovertidos e trabalhadores, enquanto que os Aurelianos são mais pacatos, estudiosos e fechados em seu mundo interior. Os nomes repetidos em alguns momentos podem confundir o leitor e fazê-lo visitar a árvore genealógica da família com frequência, mas essa repetição constante é reflexo de uma história com eternos retornos e referência a uma Macondo que passa por diferentes ciclos laboriosos de prosperidade e decadência.


Como morador de um típico lar latino-americano contemporâneo, enxerguei diversos ingredientes dessa realidade embutidos no romance do autor, o que talvez tenha sido fator fundamental para que eu soltasse várias gargalhadas em muitos momentos da obra. O culto da virilidade masculina é fervorosamente sustentado nas gerações da família e, infelizmente, algo presente na nossa cultura pela figura do "macho" e do discurso do "prendam suas cabritinhas porque meu bode está solto”. O catolicismo tão vivo na nossa cultura é também destaque na obra, trazido principalmente pelas personagens femininas.

O romance de Gabriel também apresenta discussões políticas no contexto de Macondo que podem muito bem serem aplicadas a qualquer outra cidade do nosso continente, por isso a universalidade da obra. A materialidade da consciência coletiva em que vivemos é posta nesse vilarejo onde os ânimos locais, divididos entre Liberais e Conservadores, exaltam-se a tal ponto até uma inevitável guerra civil. É como se Macondo fosse a cidade modelo que reunisse a história de todas as outras cidades latino-americanas. 


 Através de seu realismo fantástico, o autor surpreende o leitor com personagens que simplesmente começam a voar em direção ao céu e não retornam mais, com chuvas que duram anos, borboletas que anunciam pessoas, uma peste da insônia que deixa uma cidade inteira sem dormir a tal ponto que os seus habitantes começam a sonhar acordados e observar o que o outro está sonhando. O modo como o autor descreve esses elementos mágicos e absurdos com tanta primazia fazem com que o leitor pare por um tempo para digerir a leitura com calma. Dificilmente vou esquecer o momento no romance em que o sangue do filho morto viaja por toda a aldeia para acabar aos pés da mãe.

Cem Anos de Solidão é tudo o que as pessoas falam: original, relevante, atemporal e no nosso caso, moradores e sustentadores da América Latina, é uma carta de amor a este povo que já sofreu um pouco de tudo. Algumas partes são confusas e é necessária atenção, mas isso não diminui o fluxo da leitura porque a curiosidade em saber como será o desfecho é o combustível necessário para seguir adiante.

Eu adorei!


Um pouco sobre o autor: Gabriel García Márquez, também conhecido por Gabo, nasceu em 6 de março de 1928, na cidade de Aracataca, Colômbia, filho de Gabriel Eligio García e de Luisa Santiaga Márquez, que tiveram ao todo onze filhos. Logo depois que García Márquez nasceu, seu pai se tornou um farmacêutico. Em janeiro de 1929, seus pais se mudaram para Barranquilla, enquanto García Marquez permaneceu em Aracataca. Foi criado por seus avós maternos, Doña Tranquilina Iguarán e o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía. Quando ele tinha oito anos, seu avô morreu e ele se mudou para a casa de seus pais em Barranquilla, onde o pai era proprietário de uma farmácia. Seu avô materno Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias, cujas histórias encantavam o menino e sua avó materna Tranquilina Iguarán exerceram forte influência nas histórias do autor, um exemplo são os personagens de Cem Anos de Solidão. 
Gabriel estudou em Barranquilla e no Liceu Nacional de Zipaquirá. Passou a juventude ouvindo contos das Mil e Uma Noites; sua adolescência foi marcada por livros, em especial A Metamorfose, de Franz Kafka. Ao ler a primeira frase do livro, "Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso", pensou "então eu posso fazer isso com as personagens? Criar situações impossíveis?". Em 1947 muda-se para Bogotá para estudar direito e ciências políticas na universidade nacional da Colômbia, mas abandonou antes da graduação. Em 1948 vai para Cartagena das Índias, Colômbia, e começa seu trabalho como jornalista. Alguns de seus livros publicados no Brasil são:
    • Cem Anos de Solidão
    • O Amor nos Tempos do Cólera
    • Em Viagem Pela Europa Leste
    • Eu Não vim fazer um Discurso
    • Memórias de Minhas Putas Tristes
    • O Veneno da Madrugada

Um comentário:

  1. Olá!

    Acredita que eu não fazia ideia do que se tratava o livro? óbvio que eu já tinha escutado falar, mas nunca me interessei realmente, até que pontos na sua resenha me chamaram a atenção e eu me vi desejando realizar a leitura. Muito obrigada pela dica, será bem aproveitada.

    Beijos

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