13.3.19

O Cemitério (Stephen King)

Ficha Técnica:
Nome Original: Pet Sematary
Autor: Stephen King
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Mario Molina
Número de Páginas: 287
Ano de Lançamento: 1983
ISBN-13: 9788573021875
Editora: Suma de Letras

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 16º livro lido em 2019 e foi O Cemitério (Stephen King). Sempre ouvi falar que este era um dos livros mais aterrorizantes do autor e como não gosto de livros de terror, nunca me interessei em ler. Porém, essa minha realidade começou a mudar após a leitura de It – A Coisa no ano passado porque foi um dos melhores livros que eu li em 2018 apesar do terror do enredo. Mas ler O Cemitério não estava nos meus planos até eu ver o trailer da nova adaptação que este livro ganhou e que estreará nos cinemas em abril de 2019. Levei vários sustos e quando o trailer terminou eu só conseguia pensar: preciso ler este livro antes de ver o filme.

O livro nos traz a família de Louis Creed chegando ao Maine. Louis é médico, conseguiu um excelente emprego na Universidade local e por isso, ele e a família composta da esposa Rachel e dois filhos pequenos, Ellie e Gage, se mudam para lá. Já na chegada, a família percebe que a casa nova, apesar de linda e grande, fica localizada na beira de uma rodovia muito movimentada em que caminhões imensos transitam por ela. No entanto, o mais peculiar desta casa é que nela começa uma trilha que termina em um cemitério de animais. O vizinho Jud, um senhor de idade avançada explica para toda a família que muitos animais de estimação foram atropelados por causa do tráfego intenso e as crianças e donos destes animais os enterram ali ao longo de muitas décadas. A princípio isso incomodou um pouco a Rachel por seu trauma bem desenvolvido com a morte, mas no geral, apenas despertou um desconforto em Ellie, que tem um gato de estimação muito carinhoso e fofinho e a ideia de ver seu gatinho morrer era péssima. 

Infelizmente o medo da menina se confirma quando o gato é atropelado enquanto ela, o irmão e a mãe passam um feriado longe de casa. Louis fica muito triste só com a ideia de dar a notícia da morte do gato para a filha, por isso, quando Jud vai ajudá-lo a enterrar o animal, ele o leva para um cemitério diferente, distante do cemitério de bichos. Horas depois de enterrar o animalzinho, o gato s volta para casa e Louis descobre que aquele cemitério mais distante possui o poder de trazer de volta os mortos. 

A partir disso, a história se desenvolve sobre a dor da perda e o calvário do luto. Louis que se orgulhava de ser um homem cético e que de certa forma ridicularizava coisas sobrenaturais, começa a perceber que a tristeza da morte de alguém a quem se ama é capaz de mudar essas convicções. E é nessa transformação que o clímax do livro se estabelece com cenas de ação e terror muito bem desenvolvidas.

O livro demora mais de 100 páginas para chegar no plote principal, mas essas páginas em nada são inúteis porque o autor aprofunda todos os personagens e constrói situações ao redor deles para entendermos suas motivações e imaginarmos o que cada um pode fazer diante do seu limite emocional. Todos os personagens têm arcos próprios e bem construídos, inclusive as crianças. Ellie é uma menina de opinião forte e ao mesmo tempo, carinhosa e apegada. Gage, praticamente um bebê, também é capaz de despertar os sentimentos mais melancólicos da trama. Rachel é uma esposa apaixonada, mãe dedicada e isso é comprovado em cada página. Jud parece um pouco sinistro e amedrontador com sua experiência de vida, mas nos envolve e faz com que nos importemos com ele. 

Entretanto, o protagonismo nunca é tirado de Louis. É ao redor dele que tudo acontece e as decisões no enredo também são formadas a partir dele. Existe um acontecimento no livro que o leva a ter um fluxo de consciência muito pertinente, nos faz refletir sobre vida e morte e sem dúvida é uma parte muito visceral da história. Louis reflete sobre suas atitudes e eu não conseguia parar de ler essa sequência de parágrafos tão intensa e envolvente.

O livro tem cenas de terror muito fortes. Me assustei em várias delas e embora tenha lido o livro muito rapidamente, fiz algumas pausas para tomar fôlego e colocar o coração no ritmo certo para prosseguir. As páginas finais são extremamente intensas e o final é melancólico, mas fortemente consistente.

Como disse, o que me levou a ler o livro foi a experiência positiva com o trailer. Porém, o filme que entra no circuito nacional em abri é um remake porque este mesmo enredo já esteve nos cinemas em 1989. O filme chama-se Cemitério Maldito e o procurei assim que eu terminei a leitura. Este enredo de 30 anos atrás é bem fiel ao livro, com alguns efeitos exagerados e caricatos, mas, ainda assim, um bom filme. 

Enfim, foi o primeiro livro do ano de 2019 que eu favoritei e dei 5 estrelas. Foi uma leitura intensa, assustadora, mas com um enredo tão bom e bem escrito que me foi impossível não concluir a leitura mais que satisfeita.

Stephen King já escreveu muitos livros e eu li poucos, mas todos os que li foram leituras excelentes e sempre que termino de ler um livro de sua autoria, me pergunto porque não li mais coisas dele. Lendo sobre as obras do autor, descobri que ele faz alusão ao livro Cujo no livro O Cemitério e isso me deixou curiosa, então espero que eu não demore muito a ler um outro livro do autor porque tenho quase certeza que será mais uma leitura incrível.

Eu adorei!


Um pouco sobre o autor: Stephen Edwin King é um escritor americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Os seus livros venderam mais de 350 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países. Alguns dos seus livros do autor publicados no Brasil:

1974 - Carrie (Carrie)
1975 – A Hora do Vampiro (Salem’s Lot)
1977 – O Iluminado (The Shining)
1978 – A Dança da Morte (The Stand)
1979 – A Zona Morta (The Dead Zone)
1980 – A Incendiária (Firestarter)
1981 – Cão Raivoso (Cujo)
1983 – Christine (Christine)
1983 – O Cemitério (Pet Sematary)
1983 – A Hora do Lobisomem (Cycle of the Werewolf)
1984 – O Talismã (The Talisman, escrito com Peter Straub)
1986 – A Coisa (It)
1987 – Os Olhos do Dragão (The Eyes of the Dragon)
1987 – Angústia (Misery)
1987 – Os Estranhos (The Tommyknockers)
1989 – A Metade Negra (The Dark Half)
1990 – A Dança da Morte (expandida) (The Stand: The Complete & Uncut Edition)
1991 – Trocas Macabras (Needful Things)
1992 – Jogo Perigoso (Gerald’s Game)
1992 – Eclipse Total (Dolores Claiborne)
1994 – Insônia (Insomnia)
1995 – Rose Madder (Rose Madder)
1996 – À Espera de Um Milagre (The Green Mile)
1996 – Desespero (Desperation)
1998 – Saco de Ossos (Bag of bones)
2001 – O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher)
2001 – A Casa Negra (Black House, escrito com Peter Straub)
2002 – Buick 8 (From a Buick 8)
2006 – Celular (Cell)
2006 – LOVE: A História de Lisey (Lisey’s Story)
2008 – Duma Key (Duma Key)
2009 – Sob a Redoma (Under the Dome)
2011 – Novembro de 63 (22/11/63)
2013 – Doutor Sono (Dr. Sleep)
2014 – A Casa Negra
2017 – As Belas Adormecidas
2018 – A Pequena Caixa De Gwendy
2018 – Outsider
2018 – Elevation

6 comentários:

  1. Vejo a quantidade de livros que tem publicado do autor e li apenas 3, estou indo para o quarto agora.
    O Cemitério é um livro interessante. Já ouvi bons elogios a história.
    E é um livro fino com um conteúdo muito bem elaborado. Louis é um personagem muito bem escrito pelo que noite.
    Vou tentar ler.

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  2. Oi Ivi!

    Tudo bem?

    Assim como foi não sou adepta de obras de terror e sempre coloco King para ler e nunca leio. Você me entusiasmou ao afirmar que um dos melhores livros do ano passado foi desse autor e o desse ano também. Não sei se adquiro coragem para ler, eu fico impactada com filmes de terror, imagina lendo? Mais tentarei! Em relação aos pontos do livro, todos parecem bem promissores e que contribuem para o desenvolvimento da trama. FIquei um pouco chocada com tantos animais mortos, e mais ainda com o "cemitério" que ressuscita e que tem tudo a ver com o título.

    Beijos e obrigada pelo incentivo.

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  3. Oi Ivi! Eu sou uma fã declarada do King, amo cada pedacinho dos livros dele, e embora goste mais de uns que de outros, gosto de todos. Li O Cemitério depois de assistir a primeira adaptação, embora não goste de fazer isso, e talvez por isso eu tenha perdido um pouco do impacto do terror na leitura, mas amei! Gosto da maneira como ele tem a capacidade de misturar muito bem a realidade sólida de um médico cético, com o miticismo e o sobrenatural daquele cemitério velho e da dor da perda. Acho demais. Obrigada pela dica!

    Bjoxx ~ Aline ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  4. Olá!
    Me simpatizo bastante com a escrita do SK, mas mediante a quantidade de livros publicados não li nem 10%.
    Cemitério parece ser uma obra extremamente impactante que nos causa horror. Mas gosto do fato do autor mexer com nosso imaginário inserindo outros elementos dentro da trama.
    Pretendo ler em algum momento.

    Camila de Moraes

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  5. Olá Ivi!!!
    Olha esse é o livro que vou passar reto e nem olhar mesmo que esteja numa estante de graça para mim.
    Assim não que eu não tenha interesse de ler Stephen, mas por isso vou passar para uma série que não é terror porque sou medrosa horrores.
    Já assisti várias de suas adaptações com terror e passo noites quase em claro sem conseguir dormi. Assisti o "Cemitério Maldito" na faculdade e até hoje não consigo pensar nesse filme sem ficar com medo.
    Parabéns pela resenha tenho certeza que é terror mesmo, mas eu passo por ser medrosa rsrsrsrs

    lereliterario.blogspot.com

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