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QUEDA DE GIGANTES (Ken Follett)



Venho hoje falar para vocês do primeiro livro da trilogia O Século, de Ken Follett – Queda de gigantes.
 
Ken Follett é um autor que dispensa apresentações, acredito que mesmo quem nunca leu alguma de suas histórias, saiba de quem se trata. Autor de thrillers e romances históricos, – quem nunca ao menos ouviu falar de “O buraco da agulha”, “A chave de Rebeca” ou “Os pilares da terra”?
 
Eu leio Follett de “olhos fechados”. Não me importa sinopse. Saiu livro novo e já entra na minha lista de desejos, mas como eu não gosto de começar a ler trilogias antes que o último livro seja lançado, esse livro, da trilogia O Século eu só comecei a ler agora já que o terceiro e último livro foi lançado na última Bienal de SP. Tendo os três livros disponíveis, finalmente me entreguei ao primeiro: “Queda de gigantes”, lançado em 2010 pela Editora Arqueiro.
 
Nesse primeiro livro, Follett nos apresenta cinco famílias em cinco países diferentes – uma inglesa, uma galesa, uma americana, uma alemã e uma russa. O livro começa no despertar do século XX, no ano de 1911. E durante as 912 páginas vamos passar pelo conflito na Europa que culminou com a Primeira Grande Guerra Mundial, pela revolta dos trabalhadores na Inglaterra que cansados de serem explorados pela classe dominante se unem em rebelião. Passamos ainda pela Revolução Russa, na era de Lênin e Trótski e pelo sonho, e luta, do sufrágio feminino.
 
O autor une personagens históricos com personagens fictícios de forma magistral. Teremos em volta dos personagens cativantes criados por Follett, as personalidades reais na história mundial, como: Woodrow Wilson (o 28º presidente norte-americano), Rei Jorge V, Rainha Maria, Winston Churchill (membro do Parlamento), Lênin, Leon Trótski, entre outros. Como o próprio autor no fim do livro nos explica, esses personagens foram incluídos na história transitando entre os personagens fictícios, em situações que poderiam ter sido verdadeiras, e suas falas e pronunciamentos foram retirados de uma extensa pesquisa realizada para a história. Então as situações podem ser fictícias, os diálogos, criados pela mente do autor, mas as palavras de cada um são verdadeiras, apenas inseridas de maneira ficcional para que o livro não perdesse a dinâmica.
 
Os personagens fictícios são apresentados logo no começo do livro em uma lista de personagens que ocupa cinco páginas(!!!) Sim...quando me deparei com isso foi assustador e já me imaginei tendo que recorrer a lista em várias partes da leitura para poder identificar quem era o personagem, de onde ele vinha e quem eram as pessoas no seu entorno. Ledo engano, nada disso foi necessário, uma vez que o autor vai nos apresentando os personagens de maneira gradual, capítulo por capítulo e de uma maneira que não nos deixava esquecê-los nem quando a história saia da Alemanha e passava a ser contada dos Estados Unidos da América. Os personagens são marcantes, carismáticos a sua maneira e nunca os esquecemos, nem mesmo depois de terminar a leitura do livro.
 
Não podemos esquecer que o mote principal é a Primeira Guerra Mundial, e os personagens, na sua grande maioria diplomatas, são amigos, se frequentam e muitos se apaixonam. Conhecemos cada um deles: alemãs, ingleses, galeses, russos e americanos, nos envolvemos em suas histórias, em suas vidas e em seus amores, até que inicia a Grande Guerra e todos viram, da noite para o dia, inimigos mortais. De que lado nós, pobres leitores ficamos? De nenhum. Torci pelos personagens principais de cada país, querendo que todos passassem pela guerra sem grandes perdas e sem mortes. Os países entram em guerra, mas os personagens são humanos e aqueles que sempre juramos serem os responsáveis pelos conflitos são os que o autor nos mostra mais a fundo, mais humanos, mais sensíveis e nos juntamos ao grupo que luta pelo fim da guerra.
 
Sinto informar que a guerra começou em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918, quatro longos anos, com muitas perdas de todos os lados da história, com muitos conflitos paralelos, fazendo com que o mundo depois desse evento nunca mais fosse o mesmo. Isso não é spoiler, está em todos os livros de História Mundial. E como, infelizmente, em qualquer guerra, temos baixas, e algumas delas ainda não superei.
 
No meio desse grande conflito conheceremos os galeses de uma família de mineradores, os irmãos Billy Duplo e Ethel Williams. Ele começou a trabalhar nas minas da família aristocrática Fitzherbert quando completou apenas 13 anos de idade, enquanto Ethel era governanta na mansão. As duas famílias se ligam em laços de amor e ódio. Na Rússia, dois irmãos órfãos, Grigori e Lev Peshkov seguem caminhos diferentes. Um acalentava o sonho americano e juntou o que conseguia para comprar uma passagem para os EUA e conseguir ter a vida de sonhos que imaginava, mas devido a alguns imprevistos cedeu seu sonho ao irmão, ficando na Rússia acabou se juntando a revolução bolchevique. O alemão Walter Von Ulrich tem que deixar seu grande amor, Lady Maud Fitzherbert e ainda lutar contra o irmão dela, o conde Fitz. Nos EUA vamos acompanhar Gus Dewar, assessor do presidente, que mesmo lutando contra a guerra acaba envolvido totalmente nela.
 
Apesar das 912 páginas desse primeiro volume, em nenhum momento a leitura se torna pesada, enfadonha. O autor fez com que a história fluísse de maneira limpa e agradável. No começo da leitura pode dar um certo desespero pela tamanho e peso do livro, mas quando a leitura vai chegando ao final, antes mesmo de terminar, já nos sentimos órfãos. Ainda bem que esse é o primeiro livro da trilogia, isso quer dizer que ainda podemos viajar em mais dois livros até o desfecho definitivo.
(O despertar da classe trabalhadora)
“(...) A classe operária é mais numerosa do que a classe dominante, e mais forte. Eles dependem de nós para tudo. Produzimos a comida que eles comem, construímos as casas em que eles moram e fabricamos as roupas que eles vestem. Sem nós, eles morrem. Não podem fazer nada a menos que a gente deixe. Nunca se esqueça disso.” (Pág. 122)
(Romance um pouco apimentado para a época, pelo menos a visão que eu tenho do início do século XX)
“Walter estava nervoso com medo de alguém entrar, mas o amor e o desejo que sentia eram grandes demais para ele se conter. Quando colocou a mão direita entre as suas coxas, soltou um arquejo chocado: ela estava nua ali. Descobrir que Maud havia planejado aquilo para lhe proporcionar prazer o deixou ainda mais arrebatado. Walter começou a acaricia-la com delicadeza, mas ela jogou o quadril para a frente e ele aumentou a pressão.” (Pág. 196)
(O início da Guerra)
“E era isso que havia acontecido repetidas vezes ao longo das últimas duas semanas, pensou Maud, sem esperanças. Em todos os países, aqueles que eram contra a guerra haviam sido derrotados. Os austríacos tinham atacado a Sérvia quando poderiam ter evitado isso; os russos se mobilizaram em vez de negociar; os alemães se recusaram a participar de uma conferência internacional para resolver a questão; os franceses haviam desdenhado a oportunidade de permanecerem neutros; e agora os britânicos estavam prestes a entrar na guerra quando poderiam facilmente ter ficado de fora.” (Pág. 284)
(A luta pelo sufrágio feminino)
“A palestrante naquela noite seria Sylvia Pankhurst, uma das líderes das sufragistas, que militavam pelo voto feminino. A guerra havia provocado uma cisão na famosa família Pankhurst. Emmeline, a mãe, renunciara à campanha enquanto durasse o conflito. Uma das filhas, Christabel, apoiava a mãe, mas a outra, Sylvia, havia rompido com as duas e dado continuidade à luta. Ethel estava do lado de Sylvia: as mulheres eram oprimidas tanto em tempos de guerra quanto de paz - e nunca conseguiriam justiça enquanto não tivessem o direito de votar.” (Pág. 367)


Um pouco sobre o autor: Kenneth Martin Follett, nasceu em Cardiff (País de Gales) no dia 05 de junho de 1949. Autor de thrillers e romances históricos, vendeu mais de 100 milhões de cópias no mundo todo. Os principais títulos lançados no Brasil são:

- O buraco da agulha (1978)
- A chave de Rebeca (1980)
- Na toca do leão (1986)
Não ficção:
- O roubo perfeito (1978)
- O voo da águia (1983)
Série:
- Os pilares da terra (1989)
- Mundo sem fim (2007)
Trilogia:
O Século
- Queda de gigantes (2010)
- Inverno no mundo (2012)
- Eternidade por um fio (2014)
 
Comentários
7 Comentários

7 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá Fernanda,
      é uma bela história sim, maravilhosa. Um dos melhores livros que já li, com certeza esta no meu top 10 :)
      Bjs

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  2. Eu amo esse livro, não fiz como vc, comecei a ler ainda não tinha sido lançado o 3 volume e passei um ano aguardando. Todos os personagens são apaixonantes, inclusive os vilões e o teor histórico do livro é maravilhoso. Recomendo pra todo mundo.

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    1. Olá Vanessa!
      Bem dizer nem tem vilões né? Até eles o autor nos mostrou humanos. Não queria que eles ganhassem alguma coisa mas tb não queria que eles morressem, ou saissem do livro de qq outra forma :)

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  3. Não conhecia este livro pra ser sincera mais sinceramente nao me chamou atenção!
    Não a capa pois achei sei sem graça mais historia tem conteudo bem agradavel de ler e um enredo muuuito bom ! Adoraria pode ler um dia esta bela historia

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    Ficarei feliz em receber sua visita em meu Blog. Obrigada

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    1. Olá Girlene!
      Eu gostei das capas da trilogia tb, mas não se desanima por elas pq a história é muito interessante.

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  4. Eu torço um pouco o nariz para este gênero mais sério, porém é um mergulho no universo do livro que deve valer muito a pena. Além disso, o autor é bem classificado pelos críticos.

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