Norte e Sul (Elizabeth Gaskell)

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

FICHA TÉCNICA

Nome original: North and South
Autora: Elizabeth Gaskell
Tradução: Doris Goettems
País de origem: Inglaterra
Número de páginas: 746
Ano de Lançamento: 1855
ISBN13: 9780140620191
Editora: Landmark
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 83º livro lido em 2022 e foi Norte e Sul (Elizabeth Gaskell). Eu achava que não podia amar nenhum romance das antigas tanto quanto Persuasão e Jane Eyre, mas Norte e Sul completou a tríade que para mim, é a perfeição dos clássicos românticos. 

O livro nos traz Margareth, meiga e paciente, morando com uma tia rica em Londres, enquanto os pais moravam numa vila do interior do Sul da Inglaterra. Quando volta a morar com eles, começam os choques que transformarão sua vida e revelarão seu caráter: o pai, um pastor, decide se afastar da Igreja da Inglaterra e torna-se um dissidente. Sem emprego, vira tutor em uma cidade industrial do norte, Milton, um lugar cinza, cheio de trabalhadores e comerciantes e o mais distante possível da vida bucólica que a família levava antes. A mãe de Margareth – que sofre com a mudança de circunstâncias e com a falta do filho Frederick, desaparecido por motivos explicados ao longo do livro – logo adoece na nova cidade. Já o pai começa a se envolver no clima dinâmico e cheio de ideias novas de Milton e, em especial, com um de seus pupilos: o bem-sucedido John Thornton.

Margareth é forçada a lidar com a nova condição de vida e o faz admiravelmente. Depois que a mãe adoece, dedica-se a cuidar dela e do pai, um homem amoroso, mas fraco, que logo cede sob a pressão das dificuldades. Margaret tem vários preconceitos contra Milton e seus habitantes, vê sua corrida por lucro como antirreligiosa e até digna de desprezo. Aos poucos, começa a se envolver com alguns trabalhadores das fábricas, pessoas muito mais pobres que ela, demonstrando enorme compaixão e coragem. Seu verdadeiro problema é com os mestres das fábricas – entre os quais se encontra o sr. Thornton, que fica extremamente ofendido com o desprezo que a garota demonstra por sua amada cidade. 

Duas pessoas teimosas que ficam brigando, mas secretamente se admiram e eventualmente se apaixonam, só para continuarem separadas por mal-entendidos e convenções sociais do período vitoriano? 

Parece uma fórmula padrão para romances desse século escritos por mulheres – mas, apesar da semelhança com Austen e de ser quase contemporâneo com Jane Eyre, Norte e Sul é muito diferente. Embora haja um romance em seu cerne, o livro também trata de questões como industrialização, greves e relações trabalhistas, assim como dissidência religiosa. Alguns desses aspectos são mais fáceis de compreender que outros. Não é explicado, por exemplo, em que consiste exatamente a dissidência do pai de Margaret, e para quem não conhece os meandros religiosos das diferentes Igrejas inglesas, é bem confuso o motivo exato que o fez desistir do posto de pastor. O preconceito de Margaret contra comerciantes também é um pouco bizarro e leva certo tempo até que você se acostume com as ideias aristocráticas da garota.

No entanto, outros aspectos são surpreendentemente atuais: as relações entre patrão e empregados, o funcionamento de greves e sindicatos, a raiva de ambos os lados do conflito, a pobreza e o desespero das classes trabalhadoras e a condescendência e o paternalismo dos chefes, por exemplo, que pouco mudaram nos últimos 150 anos. O livro inclui muitas discussões, o que é legal, considerando que Thornton é o herói da obra, e nos deixa vislumbrar as ideias dos trabalhadores também, em especial, do sr. Higgins, um dos funcionários com que Margaret faz amizade. A autora chega a propor, até o fim do romance, que um relacionamento mais humano e próximo entre essas classes é o começo para relações mais tranquilas.

Temos um livro robusto, romântico, com personagens tridimensionais, que não apenas se apaixonam, mas vivem numa sociedade complexa e que possuem outras prioridades na vida, além do amor. Eu fiquei extremamente envolvida com a narrativa e foi uma excelente experiência de leitura para mim. 

Adorei!


Um pouco sobre a autora:
Escritora britânica e contista da era vitoriana, conhecida também como Mrs. Gaskell. Seus romances oferecem um retrato detalhado das vidas de muitas faces da sociedade, incluindo os muito pobres, e, como tal, são de interesse para os historiadores sociais, bem como os amantes da literatura. 

Alguns de seus livros publicados no Brasil são:
  • Norte e Sul
  • Mary Barton
  • O Chalé de Morland
  • Esposas e Filhas
  • O casamento de Manchester
  • Contos de Terror
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Ivi Campos

46 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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