Carrie Soto está de Volta (Taylor Jenkins Reid)

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Ficha Técnica:

Nome Original: Carrie Soto Is Back 
Autor: Taylor Jenkins Reid
Tradução: Alexandre Boide
País de Origem: Estados Unidos
Número de Páginas: 352
Ano de Lançamento: 2022
ISBN13: 9780593158685
Editora: Paralela
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 80º livro lido em 2022 e foi Carrie Soto está de Volta (Taylor Jenkins Reid). Eu estava muito ansiosa para ler este livro, comprei o e-book na pré-venda e assim que ficou disponível no Kindle, parti para a leitura muito animada.

O livro nos traz Carrie, uma tenista de muito sucesso e vitórias grandiosas no ano de 1995 com seu pai assistindo ao jogo da tenista Nicki Chan no Aberto dos Estados Unidos. Carrie está aposentada, porém essa tenista que estão vendo está prestes a bater o recorde que Carrie estabeleceu quando ainda jogava e ela se sente desafiada a voltar para as quadras e não deixar seu recorde ser batido. Sendo assim, Carrie volta a jogar e o livro volta ao passado e nos conta como foi a jornada de Carrie até aquele momento.

Quem já leu qualquer livro da Taylor está familiarizado com a autora mostrar diversas passagens do passado das personagens em diversas décadas de suas vidas. Nesse temos uma narrativa de 1955 até 1996 e traz a história de vida de Carolina “Carrie” Soto que começa com seu pai, Javier “el Jaguar” Soto, indo da Argentina para os Estados Unidos para jogar tênis – onde ele conhece Alicia, uma professa de dança que logo lhe rouba o coração. Alicia parecia ser uma mulher com os pés no chão, afirmando que não precisava de muito além de estar com Javier para ser feliz, mas ele tinha grandes sonhos para a família que estava formando com sua esposa. Entretanto, o destino lhe tira Alicia e a filha ainda bebê por um atropelamento, o que deixa a casa sempre com a sensação de que estava mais vazia do que deveria, como a própria Carrie deixa claro em determinadas passagens do livro. Crescendo só com o pai que amava o esporte, Carrie logo começa a acreditar que um dia será a melhor tenista do mundo e se dedica duro para isto, treinando com Javier em qualquer momento livre, se privando de viver diversas experiências para conseguir chegar ao jogo que acredita ser perfeito.

À medida que cresce, Carrie mostra sua personalidade forte, um traço presente nos pequenos detalhes e decisões da garotinha, como quando ela faz uma coleguinha chorar na escola depois de ser provocada e é punida por assumir o que falou, enquanto a outra nega que provocou Carrie. Claro que sua personalidade também é afetada pela criação solo do seu pai, que sempre via um potencial imenso em sua filha para se tornar uma grande tenista. A medida que crescia e se tornava uma jovem adulta, Carrie colocava uma pressão em si para sempre ser a melhor porque era o que o pai queria e Javier demonstrava bastante isso. Ao mesmo tempo, fica claro para o leitor, que por mais que o pai de Carrie a levasse ao extremo em treinos e competições, ele a amava acima do tênis, o que causa uma certa aflição, já que fica claro que eventualmente aquele relacionamento pode ruir devido a pressão do meio esportivo.

Estreando no circuito profissional, Carrie não muda sua personalidade em nada e é aqui que o livro pode ganhar ou afastar o leitor. A narrativa está na década de 1980 e apesar do mundo ser outro, nós, mulheres, ainda sofremos com a mesma pressão imposta para todas: como uma mulher pode ser direta e falar o que pensa livremente, sem pudor? Como pode uma mulher colocar a carreira profissional acima do desejo de construir uma família e ter um marido para chamar de seu? Como alguém pode amar uma mulher que só pensa em trabalho? – eu te desafio a me responder se estas perguntas também recaem sobre qualquer homem porque já sabemos a resposta. Não há uma pressão sobre os atletas masculinos sobre quando eles formarão família ou por qual motivo eles não sorriem mais (sim), enquanto Carrie, dentro da trama, passa por tudo isso – e sabemos que na vida é assim também.

Seguindo a trama, avançamos para o Aberto dos Estados Unidos de 1995, um retorno que pode significar tudo para Carrie, mas também pode mostrar que ela não deveria ter voltado a ativa, opinião de muitos jornalistas. Carrie está mudada, amadurecendo, entendendo coisas sobre si e seu relacionamento com seu pai, o relacionamento central do livro. Na verdade, Carrie preenche cada página do livro: Carrie é o centro da história, é o coração e é a dona de todos erros e acertos nesta jornada. A medida que os jogos de tênis acontecem, o leitor torce pela tenista e você se pergunta como vai torcer por uma personagem em um esporte que não entende nada (como no meu caso, que entendo zero sobre tênis) e eu digo para você não se preocupar porque é Taylor Jenkins Reid fazendo o que ela faz de melhor: transmitindo emoção, te fazendo ter raiva de personagens, torcer por eles e sofrer porque é assim que autora funciona em todos seus livros e não seria diferente nesse. Carrie Soto é a personagem principal em cada página desse livro, assim como Evelyn Hugo era a personagem principal do seu livro mesmo que os 7 maridos fossem mencionados. Carrie está em cada página deste livro de uma forma tão forte que se torna maior a cada passagem, trazendo todas as emoções reais de uma pessoa que convive conosco: amamos, odiamos, aprendemos com a personagem, bem como aconteceu com a nossa velha amiga Evelyn – porque é assim que tem que ser quando lemos algo que nos impacta.

Eu tive um problema pessoal com o livro que não me aproximou da Carrie, ainda que eu admire sua força e determinação. Exemplo de mulher em muitos aspectos, ela não foi um símbolo forte de feminismo para mim porque ouvi falar da Carrie no livro Malibu Renasce e ela era a amante de um homem casado. Eu não consigo entender como a Carrie pode ser um ícone feminista, desvalorizando e fazendo outra mulher sofrer com uma atitude egoísta, mas isso é uma questão particular minha e eu sei que o apelo feminista do livro não dá atenção para este detalhe, porém, em função disso, minha experiência com o livro foi diferente do que tenho acompanhado pela blogosfera literária.

Ainda assim, o final do livro é maravilhoso e pela excelente jornada de leitura, foi uma experiência maravilhosa, como é sempre com as histórias da Taylor.



Um pouco sobre a autora:
Taylor Jenkins Reid é autora de vários romances de sucesso. Seus livros foram indicados como melhores livros de verão pela People, pela Cosmopolitan, pela Glamour, pelo Buzzfeed, pelo Goodreads e outros veículos. Ela mora em Los Angeles com o marido, a filha e o cachorro. 

Seus livros publicados no Brasil são:

    • Daisy Jones and The Six
    • Em Outra Vida, Talvez?
    • Os Sete Maridos de Evelyn Hugo
    • Amores Verdadeiros
    • Depois do Sim
    • Malibu Renasce
    • Pra Sempre Interrompido
    • Evidências de Uma Traição
    • Carrie Soto está de Volta
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Ivi Campos

46 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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