9.10.20

O Jardim das Borboletas (Dot Hutchison)

FICHA TÉCNICA
Nome original: The Butterfly Garden
Autora: Dot Hutchison
Tradução: Débora Isidoro e Carolina Caires Coelho
País de origem: Estados Unidos
Número de páginas: 304
Ano de Lançamento: 2018
ISBN-13: 9788542212020
Editora: Planeta

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 71º livro lido em 2020 e foi O Jardim das Borboletas (Dot Hutchison). Este livro não estava na minha lista de leituras, mas entrou em função de ser a leitura do mês do Nossa Vida Literária, grupo de membros do canal Minha Vida Literária. A capa me ganhou pela beleza e iniciei a leitura animada.

O livro nos traz os agentes especiais do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddison com uma difícil missão pela frente. Eles se deparam com a denúncia de um cenário terrível e surpreendente. Um homem, conhecido apenas como o Jardineiro, mantinha várias jovens presas em um lugar que chamava de O Jardim. O socorro demorou a chegar e no meio de tantas jovens debilitadas e apavoradas estava uma jovem chamada Maya, que parece menos abalada e disposta a colaborar com a investigação. Ela destaca-se como a líder dessas garotas que não confiam em ninguém e estão completamente imersas nas personagens que esse sádico criou para elas.

Esse homem levava suas reféns a uma mansão isolada, lhes dava um novo nome, tatuava asas de borboletas em suas costas e fazia com que elas estivessem sempre lindas e prontas para servi-lo. Todas elas eram jovens, entre 16 e 21 anos e muito belas. Ele era completamente obcecado pela beleza, parâmetro utilizado para escolher suas borboletas. 

O livro começa pelo fim, com a descoberta deste crime monstruoso e a partir disso, conhecemos a vida pregressa de Maya e desvendamos como ela foi parar naquele inferno, o que acontece em uma trama cheia de reviravoltas, que nos mostram o lado mais doentio e sombrio da mente humana. 

Maya é a grande incógnita dessa narrativa. Por vezes, os agentes acreditam que ela está com o jardineiro nesse circo de horrores, já que parece tão pouco traumatizada. Nós não sabemos quase nada sobre ela, mas aos poucos traçamos seu perfil e descobrimos o que está por trás de uma pessoa tão durona, insolente e calada. Ela esconde tantos segredos misturados que fica difícil julgar se ela está falando toda a verdade e só no final temos tudo revelado e entendemos suas motivações.

Não se espante se até a metade do livro não entender qual a verdadeira faceta e sentir raiva de algumas atitudes dela. Se puder se colocar no lugar dela e sentir um pouco de empatia, tudo fará sentido. Desde o começo sabemos que não será fácil arrancar informações dela, pois Maya é quem conduz os investigadores e isso é incrível. Uma garota que consegue ser tão inteligente quanto eles e se mostra tão destemida frente a todas as atrocidades que sofreu. 

O Jardineiro é a figura mais intrigante, nem preciso falar que é completamente maluco, mas o que me deixou mais pensativa foi a fixação dele com a beleza. Por incrível que pareça, ele trata suas borboletas muito bem, é gentil e se preocupa com o estado físico de cada uma delas, as alimenta e cuida da saúde delas. Ainda assim, é impossível entendê-lo porque ele é um estuprador, sequestrador e assassino.

Além de Maya, conhecemos as outras borboletas e acompanhamos suas variadas histórias. Cada uma possui particularidades e juntas elas formam uma grande família, se ajudam e se consolam. 

É preciso alertar que o livro traz muita violência e gatilhos fortes com os temas de abuso, pedofilia e estupro. Nada parece ser exatamente gráfico ou descritivo, mas conforme avançamos sobre as loucuras do Jardineiro, mais perto chegamos de toda sorte de crimes cometidos em seu jardim. Por volta dos 80% do livro, uma de suas vítimas nos desperta completa aversão pela inocência e idade dela.

Alguns detalhes não fazem muito sentido, como por exemplo, o jardim ser imenso, com estrutura para manter muitas jovens e ser na casa da família do jardineiro. Outros “furos” aparecem na narrativa, mas ficam em segundo plano porque queremos descobrir como tudo aquilo começou e Maya se mostra bem reticente ao relatar os detalhes.

Foi uma leitura difícil e desconfortável, mas me prendeu na primeira à última página e mesmo despertando sentimentos ruins, eu não conseguia parar de ler.

Para quem não tem problemas com o tema e gosta de uma narrativa diferenciada (do fim ao início), é uma excelente indicação, salientando novamente sobre a violência sexual no enredo, o que é sempre desconfortável para todo e qualquer leitor.

Gostei.

Um pouco sobre a autora: Dot Hutchison é escritora, dedicada especialmente ao público jovem-adulto. Possui interesses bem diversificados, indo de teatro, queda-livre e "xadrez humano" em feiras renascentistas a navegar horas e horas pelas páginas da Wikipedia (às vezes, as pesquisas não têm muito a ver com as histórias que ela escreve, como naquela vez em que Dot leu sobre São Jorge ter passado o resto de seus dias arrependido por ter matado o dragão). No Brasil, seus livros publicados são:

    • Rosas de Maio
    • O Jardim das Borboletas

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