29.5.20

Na Hora da Virada (Anggie Thomas)

FICHA TÉCNICA
Nome original: On The Come Up
Autora: Anggie Thomas
Tradução: Regiane Winarski
País de origem: Estados Unidos
Número de páginas: 378
Ano de Lançamento: 2019
ISBN-13: 9788501117045
Editora: Galera Record

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 36º livro lido em 2020 e foi Na Hora da Virada (Anggie Thomas). Eu estava bem animada para ler porque o primeiro livro da autora, O Ódio que Você Semeia, foi um dos meus livros favoritos em 2018 e eu sabia que ela não me decepcionaria nesta segunda experiência.

O livro nos traz a Bri, uma adolescente negra que mora em um bairro bem desfavorecido e que após compor uma música e vê-la viralizar, tem que lidar com as consequências disso porque as pessoas não interpretaram o que ela queria dizer na canção da maneira certa. Sua família, seus amigos e até seu crush, Malik, entenderam errado o objetivo de Bri e agora ela tem que lidar com muitas situações conflitantes.

Só que este nem é o maior dos problemas dela. Sua família está passando por uma situação financeira muito complicada e se a mãe paga o aquecimento, não sobra para pagar a conta de luz. Se paga a luz, não sobra para comprar comida e tudo piora quando ela perde o emprego logo no início do livro.

Seu pai morreu em uma situação de violência, infelizmente típica em sua região e após essa perda, a mãe tem problemas sérios com drogas. Já livre do vício, a mãe luta para poder provar que é capaz de cuidar da própria família e trava uma batalha diária com os avós paternos de Bri, que insistem que ela não tem capacidade de fazer isso da forma certa. Como se fosse pouco, a tia de Bri, uma das pessoas que ela mais gosta no mundo se envolve com o tráfico de drogas e além disso ser perigoso, Bri sabe que pode ter um fim catastrófico.

Mais uma vez a autora me ganhou logo nas primeiras frases. O enredo é desenvolvido de forma fluida e até simples, mas é possível perceber o que a autora quer nos contar, para onde quer nos levar e isso torna a leitura maravilhosa, por imaginar que várias coisas podem dar errado ao Bri tentar se explicar ou deixar que todos a interpretem mal, o que não é tão importante quanto perceber a crítica social inserida em cada parágrafo deste livro.

O racismo é discutido de forma didática, lúcida, com embasamento histórico e ainda assim, não deixa o texto truncado ou panfletário. É uma reflexão bem mastigadinha para quem insiste em dizer que racismo não existe e outras coisas idiotas que as pessoas falam por aí vez por outra.

Uma das características fortes na composição das histórias da autora é que ninguém é perfeito. Bri é uma protagonista admirável, forte, destemida e consciente do seu papel, mas não é perfeita. Em alguns trechos da narrativa eu pensei: “calma aí amiga, não é por aí não”, mas isso não me fez gostar menos dela. Apesar dos erros do passado e dos que ainda podem acontecer, sua mãe é exemplar. Ama os filhos de forma incondicional e luta contra si mesma pelo bem deles para que os erros do passado não se repitam.

Outros personagens dão consistência ao enredo, o tornam forte e relevante e quando a história é concluída, seu coração está quente e satisfeito por ter lido mais uma história incrivelmente boa.

É um livro totalmente independente de O Ódio Que Você Semeia, porém existem algumas ligações entre eles, como por exemplo, se passarem no mesmo bairro, a problemática do primeiro livro ser mencionada e até servir de inspiração para que a do segundo livro tenha respaldo. Independente disso, os livros podem ser lidos fora de ordem porque você estará em contato com uma ótima escrita e uma mensagem que precisa ser repetida e refletida até que a sociedade se dê conta do quanto o racismo é negativo em toda e qualquer situação.

Como deu para perceber, eu adorei demais este livro. A história me consumiu e foi uma leitura tão imersiva que podia ouvir a música que a Bri compôs, mesmo não conhecendo o áudio original. É um livro que deveria ser leitura obrigatória na escola porque sua mensagem é relevante e necessária.

Eu adorei!!!


Um pouco sobre a autora: Angie Thomas nasceu e foi criada em Jackson, no Mississippi, o que se percebe pelo seu sotaque. Quando adolescente, era rapper e sua maior conquista foi ter escrito um artigo sobre si mesma na Revista Right On. É bacharel em escrita criativa pela Belhaven University e possui um diploma não oficial em Hip Hop. Ela ainda sabe fazer rap, se for preciso. Seu livro de estreia, O Ódio Que Você Semeia, foi o primeiro a vencer o Walter Dean Meyers Grant, em 2015, na categoria We Need Diverse Books. O romance foi adaptado para o cinema, pela Fox, e chegou ao primeiro lugar da lista do New York Times na semana de seu lançamento. Seus livros publicados no Brasil são:
    • O Ódio que Você Semeia
    • Na Hora da Virada

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