24.4.19

Ismael: Um Romance da Condição Humana (Daniel Quinn)

Ficha Técnica:
Nome Original: Ishmael: An Adventure of the Mind and Spirit
Autor: Daniel Quinn
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Thelma Médice Nóbrega
Número de Páginas: 260
Ano de Lançamento: 2010
ISBN-13: 9788585663216
Editora: Peirópolis

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 24º livro lido em 2019 e foi Ismael: Um Romance da Condição Humana (Daniel Quinn). Mais uma vez, escolho a minha leitura a partir da indicação de um amigo. Como a outra indicação que ele deu foi muito feliz para mim, não tinha como não ler este livro aqui.

O livro nos traz um anúncio interessante: “Professor procura aluno. Deve ter o desejo sincero de salvar o mundo. Candidatar-se pessoalmente”. Isso era o que dizia o anúncio publicado na seção de classificados do jornal. Ao ler a mensagem, o narrador ficou perplexo com a ingenuidade da proposta e a considerou coisa de malucos, para dizer o mínimo. No entanto, ao lembrar de seus anos de rebeldia juvenil, o homem resolve procurar o tal professor que deseja salvar o mundo. Chegando ao local mencionado no jornal, o narrador vê que o professor na verdade é um gorila chamado Ismael. Ismael consegue comunicar-se com ele através de telepatia e utiliza esse artifício para trocar mensagens com seu novo aluno.

Ismael conta a história da dominação humana sobre a natureza e a sua própria história é um retrato disso, pois o gorila foi retirado de sua vida livre na floresta africana para servir a exposições itinerantes e a zoológicos. Contando a história da evolução humana e da relação de nossa espécie com as demais, Ismael explica a seu aluno o surgimento da chamada civilização, a partir do cultivo de vegetais e o início da agricultura moderna. Com a agricultura, a nossa população também aumentou, afinal a maior quantidade de alimento possibilitou que um número maior de pessoas vivesse e se fixasse em um determinado local. Ismael também explica que isso foi a solução para alguns dos problemas da humanidade e o início de outros. De acordo com o gorila, os seres humanos se dividiram em dois grupos a partir da agricultura: os “pegadores” e os “largadores”. Os primeiros pertencem à civilização e estão preocupados em produzir, lucrar e se proliferar. Já os largadores podem ser chamados de “selvagens”, são pessoas que vivem à margem da civilização e ainda mantêm um estilo de vida semelhante ao de nossos antepassados. Como o planeta é dominado por “pegadores”, caminhamos para o colapso ambiental e social.

O romance é repleto de ideias (nem todas corretas) à respeito da evolução das civilizações humanas, da relação da humanidade com o mundo ao seu redor e do conceito de que somos o ápice da evolução e a espécie dominante no mundo. Além disso, o autor cita outros autores, como o antropólogo Peter Farb e sua teoria a respeito da relação entre a produção de alimentos e a diminuição da miséria. Farb afirmava que quanto mais comida for distribuída para uma população em situação de miséria, maior é a possibilidade de que essa população aumente e gere ainda mais miséria. Ou seja, a tentativa de diminuir a pobreza apenas pela distribuição de alimento talvez tenha o efeito contrário ao desejado. É uma ideia controversa e polêmica, mas que foge do simplismo que temos visto em nossas terras.

Para quem gosta de ler sobre a evolução das sociedades humanas e de nossa civilização, o livro não é a obra mais recomendada, pois falha em alguns detalhes históricos. No entanto, para quem procura por um romance repleto de ideias interessantes e tem interesse na discussão do futuro da humanidade, o livro é altamente recomendável porque desperta a oportunidade da reflexão, de se pensar em algo sério sobre a nossa própria vivência no planeta. 

A leitura me fez questionar nossa ação sobre a terra enquanto apenas terra e enquanto planeta. Com uma visão ocidental, aborda religião, questionando-a de forma contumaz, porém pertinente e como pensar é sempre algo desconfortável, mas agregador, o livro conseguiu me satisfazer em vários aspectos.

O início é estranho e a narrativa diferenciada, mas como todo o seu enredo é desenvolvido em diálogos, a leitura acabou se tornando fluida e rápida.

Sem dúvida, foi um livro que eu não me interessaria se não fosse indicado, mas que valeu demais por todos os parágrafos lidos.

Gostei muito.


Um pouco sobre o autor: Daniel Quinn nasceu em Omaha, Nebrasca, em 1935. Estudou na Universidade de St. Louis, na Universidade de Viena e na Universidade Loyola de Chicago. Em 1975, Quinn abandonou uma longa carreira de editor para tornar-se escritor. A primeira versão do livro que veio a ser Ismael — seu livro premiado — foi escrito em 1977. Seguiram-se seis outras versões até o livro encontrar sua forma final, como ficção, em 1990. Quinn passou a aprofundar as origens e experiências de Ismael numa autobiografia altamente inovadora, com o título: Providence — The Story of a Fifty Year Vision Quest.  A respeito de sua nova obra de ficção, Quinn escreveu: “Durante anos, preocupei-me com a possibilidade de jamais igualar — muito menos ultrapassar — o que consegui em Ismael. Essa dúvida apagou-se, para mim, com A História de B. Ismael certamente 'aprovaria esse livro”. 

6 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Não conhecia esse livro ainda, mas pela temática parece ser bem interessante. Realmente não é meu tipo de leitura, mas acredito que algum dia eu possa dar uma chance à obra. Adorei a dica!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  2. Oi Ivi!
    Achei interessante a abordagem do enredo sobre religião, um gorila telepata, fiquei curiosa como desenrola a história e se nos passa algum aprendizado. Parabéns pela resenha, obrigado pela dica, bjs!

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  3. Achei a proposta do livro interessante, mas não é algo que me chamou a atenção no momento para fazer a leitura. Nunca tinha ouvido falar desse autor, vou dar uma pesquisa nele depois, ver se acho algo que me interesse.
    beijos

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  4. A proposta desse livro é no minimo intrigante, por termos um protagonista gorila para falar da evolução humana. Confesso que não é o tipo de livro que me agradaria, mas o questionamento que ele nos traz é válida, assim como o fato de ser uma narrativa fluída ajuda, então quem sabe um dia desses eu de uma chance e ouça o que Ismael tem a contar.

    Abraços.

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  5. Olá!
    Apesar de trazer temas interessantes sobre a evolução humana acredito que não leria. Quando penso nesse tipo de leitura já sinto que será arrastada, não me arriscaria por gostar de leituras ágeis e com menos ficção científica e história.
    Mas gostei de saber mais sobre suas impressões.

    Camila de Moraes

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  6. Olá, na realidade Ismael foi lançado nos anos 1990 (acho que foi em 1992 ou 1995) e existem 4 versões do livro (que foi aperfeiçoado) pelo proprio Daniel ao longo das versões lançadas. A versão que eu tenho é a ultima, se não me engano. Também li a primeira versão e ela tem algumas diferenças interessantes. Não li essa versão que você leu.

    Existe também um filme levemente baseado no livro chamado "instinto", onde Anthony Hopkins faz o papel do Ismael.

    É um baita livro, pela relação direta com o consumo ambiental pelos modelos atuais de exploração no mundo, mas realmente não aprofunda.

    abs

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