2.8.21

Incidente em Antares (Érico Veríssimo)

Ficha Técnica:
Nome Original: Incidente em Antares
Autor: Érico Verissimo
País de Origem: Brasil
Número de Páginas: 496
Ano de Lançamento: 1971
ISBN-13: 9788535907674
Editora: Companhia de Bolso

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 53º livro lido em 2021 e foi Incidente em Antares (Érico Veríssimo). Tenho um amigo que desde 2018 tem me presenteado com seus livros favoritos e este foi o presente de 2021, título que já tinha curiosidade, uma vez que o autor é elogiadíssimo e meu conterrâneo.

O livro. nos traz a cidade fictícia de Antares, localizada no interior do Rio Grande do Sul, particularmente próxima as cidades reais de São Borja, cidade natal de Getúlio Vargas e Uruguaiana, cidade que faz fronteira com a Argentina. Em 1963, as famílias mais tradicionais da cidade, os Campolargo e os Vacariano, lutavam pelos privilégios de sua classe oligárquica ao mesmo tempo que enfrentam confrontos com as novas ideias políticas surgidas, principalmente o comunismo, crescente na classe operária de Antares.


O livro é dividido em duas partes. Na primeira, temos um panorama da situação política e social da cidade, os grupos políticos, a apresentação dos personagens e a revelação dos interesses de cada um. Embora o autor descreva o desenvolvimento do país como lento e truncado, a escrita do autor é ágil e dinâmica, o que faz o leitor querer saber mais e mais deste panorama político do país. É na segunda parte que acontece o "incidente" do título da obra.

O incidente que dá nome à segunda parte do livro aconteceu numa sexta-feira, dia 13 de dezembro do ano de 1963 e colocou Antares no radar do Rio Grande do Sul e do Brasil. Embora a fama tenha sido passageira, foi graças ao incidente que todos conheceram essa pequena cidade ao sul do país. No dia 12 de dezembro de 1963 ao meio-dia, foi declarada greve geral em Antares. A greve abrangia todos os setores da sociedade: indústria, transportes, comércio, central elétrica, serviços. A greve começou com os trabalhadores das fábricas, que saíram para o almoço e não retornaram para o trabalho. Depois foi a vez dos funcionários dos bancos, dos restaurantes e até da companhia de energia elétrica abandonarem os respectivos postos. Os funcionários da empresa fornecedora de energia cortaram a luz da cidade inteira, só pouparam os cabos referentes aos dois hospitais da região.

Neste mesmo dia, sete pessoas morrem e suas famílias são impedidas de fazerem o sepultamento porque até os coveiros estão em greve. À noite, os mortos levantam-se do caixão e reunidos, voltam à praça central da cidade e reivindicar seu direito de sepultura.


Os mortos são Quitéria Campolargo, uma matriarca da cidade que morreu do coração, mulher forte que sabe que as filhas e genros brigarão por seus bens; Barcelona, o sapateiro anarquista, também vítima de um ataque cardíaco; Cícero Branco, o influente advogado vitimado por um AVC, que conhece segredos comprometedores de muita gente importante da cidade; João Paz, comunista torturado até a morte pela polícia; Pudim de Cachaça, um bêbado envenenado pela mulher; Menandro Olinda, o genial pianista, gravemente deprimido, que se suicidou cortando os pulsos e Erotildes, prostituta, vítima de tuberculose e que não foi atendida a tempo pelos médicos.

Cada um destes personagens contribui seriamente para que o Incidente tome proporções gigantescas dentro da trama, o que pode nos deixar tensos, bem como nos arrancar risadas.

Se na primeira parte do livro o tom é sério, muitas vezes por tentar dar ar de veracidade a história contada ao inserir dados científicos e técnicos (como a presença dos fósseis de gliptodonte), na segunda parte o narrador já se encontra mais à vontade para relatar fofocas, rumores e suspeitas sem maiores fundamentos.


Escrito em 1971 e um dos últimos livros da obra de Érico Veríssimo, Incidente em Antares é marcado pelo forte tom político, além de trazer características do Realismo Fantástico, em que coisas reais e irreais acontecem com a mesma naturalidade. Com uma linguagem irônica, costurada de humor e ao mesmo tempo de crítica social, o autor traz neste romance uma análise da sociedade de Antares em uma comparação à própria sociedade brasileira.

Foi uma leitura que me surpreendeu muito positivamente. Sempre que escolho um clássico para ler, me sinto intimidada e sempre acho que não vou absorver tudo o que o livro pode me trazer. Em Incidente em Antares a leitura foi fluida, divertida e também reflexiva. A maneira como o autor nos faz pensar na política da época, bem como nas relações humanas que se estabelecem no enredo foram muito bem desenvolvidas. Não vejo a hora de ler mais obras do autor.

Adorei!!


Um pouco sobre o autor:
Erico Lopes Verissimo nasceu em Cruz Alta, no noroeste do estado do Rio Grande do Sul, no dia 17 de dezembro de 1905. De família abastada que ficou arruinada, era filho do farmacêutico Sebastião Veríssimo da Fonseca e da dona-de-casa Abegahy Lopes. Tinha um irmão mais novo, Ênio, e uma irmã, Maria. Quando tinha quatro anos de idade, Erico Verissimo ficou gravemente doente e, após ser levado a vários médicos, foi finalmente diagnosticado com meningite complicada com broncopneumonia pelo médico Olinto de Oliveira, cujo tratamento salvou sua vida. 

Alguns de seus livros publicados são:

  • Clarissa
  • Caminhos Cruzados
  • Música ao Longe
  • Um Lugar ao Sol
  • Olhai os Lírios do Campo
  • Saga
  • O Resto é Silêncio
  • O Tempo e o Vento 
  • O Tempo e o Vento — O retrato
  • O tempo e o Vento — O arquipélago
  • O Senhor Embaixador
  • O Prisioneiro 
  • Incidente em Antares 

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