6.5.20

O Cortiço (Aluízio de Azevedo)

Ficha Técnica:
Autor: Aluísio Azevedo
País de Origem: Brasil
Número de Páginas: 159
Ano de Lançamento: 1890
ISBN-13: 9788508019519
Editora: Ática

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 30º livro lido em 2020 e foi O Cortiço (Aluízio de Azevedo). Não tinha a intenção de ler este livro até a minha sobrinha comentar que teria que ler para um trabalho da escola e como foi um dos livros que eu não li na minha época de ensino médio, decidi fazer a leitura também.

O livro nos traz João Romão rumo ao enriquecimento. Para acumular capital, ele explora os empregados e se utiliza até do furto para conseguir atingir seus objetivos. Ele é o dono do cortiço, da taverna e da pedreira. Sua amante, Bertoleza, o ajuda de domingo a domingo, trabalhando sem descanso para que ele alcance o seu objetivo e se torne um homem rico.

Em oposição a João Romão, surge a figura de Miranda, o comerciante bem estabelecido que cria uma disputa acirrada com o taverneiro por um pedaço de terra que deseja comprar para aumentar seu quintal. Não havendo consenso, os dois homens se tornam rivais.

Com inveja de Miranda por sua condição social mais elevada, João Romão trabalha intensamente e passa por privações para enriquecer mais que seu oponente. No entanto, um fato muda a perspectiva do dono do cortiço. Quando Miranda recebe o título de barão, João Romão entende que não basta ganhar dinheiro, é necessário também ostentar uma posição social reconhecida, frequentar ambientes requintados, adquirir roupas finas, ir ao teatro, ler romances, ou seja, participar ativamente da vida burguesa.

Paralelamente, também estão no cortiço moradores de menor ambição financeira, em que se destacam Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade. Um exemplo de como o romance procura demonstrar a má influência do meio sobre o homem é o caso do português Jerônimo, que tem uma vida exemplar até cair nas graças da mulata Rita Baiana. Opera-se uma transformação no português trabalhador, que muda todos os seus hábitos.

Todo o cortiço também muda, perdendo o caráter desorganizado e miserável para se transformar na Vila João Romão. O dono do cortiço aproxima-se da família de Miranda e pede a mão da filha do comerciante em casamento. No entanto, há o empecilho representado por Bertoleza, que exige usufruir os bens acumulados ao perceber as manobras de Romão para se livrar dela, afinal ela o ajudou sem cansar.

O livro tem uma linguagem rebuscada e a narrativa é cansativa até o leitor entender para que caminho o autor quer levá-lo. Quando percebi o que estava acontecendo e qual era o objetivo dele, me vi imersa na leitura e só fechei o livro depois de concluí-la. 

Temos um núcleo dentro da narrativa que me deixou muito desconfortável. Uma menina é entregue ao casamento para um homem bem mais velho. A questão é que se trata realmente de uma menina, pois sua menstruação ainda não veio e a mãe espera este dia chegar para casar a filha. 

O livro termina de forma dramática e triste, deixa uma reflexão muito pessimista para a sociedade capitalista em que vivemos. No livro existe o sonho da mobilidade social, o desejo de enriquecer, mas a possibilidade de que isso aconteça é absurdamente impossível e a dramaticidade do final do livro culmina disso.

Eu gostei muito do livro da metade para o final. Achei o início repetitivo, mas ganhou ritmo a partir de uma certa parte da narrativa. Sinceramente, não sei se alunos do ensino médio conseguem absorver todas as nuances da obra porque eu mesma não sei se consegui, porém, é um livro que traz uma discussão interessante sobre como vivemos e nossa vontade incansável de ser mais do que realmente somos materialmente.

Eu gostei.


Um pouco sobre o autor: Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís em 14 de abril de 1857 e faleceu em Buenos Aires em 21 de janeiro de 1913. Foi um novelista, contista, cronista, diplomata, caricaturista e jornalista brasileiro; além de bom desenhista e discreto pintor. Filho do vice-cônsul português David Gonçalves de Azevedo. Alguns de seus livros publicados no Brasil são:

    • Medo Imortal
    • O Cortiço
    • Histórias de Humor
    • O Coruja
    • Melhores Contos de Aluísio Azevedo
    • Demônios
    • Uma Lágrima de Mulher
    • Casa de Pensão
    • O Mulato

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Oi Ivi, tudo bem?

    EU também não precisei ler no meu ensino médio essa obra e confesso que classicos não me atraem muito justamente pela linguagem rebuscada demais e cansativa, mas me surpreendeu saber que a partir de um ponto a leitura começa a ser mais envolvente. Nossa, mas eu fiquei desconfortavel em saber sobre essa menina que precisou de casar com um homem mais velho só de ver sua resenha, fico imaginando a repulsa ao ler na obra.

    Não é um livro que eu gostaria de ler, mesmo sabendo que é um classico. Gostei da sua resenha.

    Beijinhos,
    Ani
    www.entrechocolatesemusicas.com.br

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