10.12.18

A Memória do Mar (Khaled Hosseine)

Ficha Técnica:
Nome Original: Sea Prayer
Autor: Khaled Hosseine
Ilustrador: Dan Willians
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Pedro Bial
Número de Páginas: 64
Ano de Lançamento: 2018
ISBN-13: 9788525066749
Editora: Globo Livros

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 77º livro lido em 2018 e foi A Memória do Mar (Khaled Hosseine). Quando soube do lançamento deste livro, fiquei eufórica. Khaled Hosseine é um autor incrível, mas que escreve super pouco. Antes deste livro, escreveu apenas 3 histórias maravilhosas, mas apenas três, então saber que um novo livro dele chegaria me tirou o sono. De verdade!

O livro nos traz a história de um pai que está embalando seu filho pequeno para dormir. Enquanto ele serenamente faz seu filho adormecer, fala coisas sérias como a intolerância e o racismo que seu povo tem sofrido. Como se isso não bastasse, também aborda a guerra e a forma como ela está agredindo a inocência do filho.


Esta história foi inspirada na história real de Alan Kurdi, o garoto de três anos que apareceu afogado numa praia da Turquia. As fotos do seu corpo foram extremamente exploradas pelas mídias mundiais e colocaram a discussão sobre a intolerância racial e a dificuldade que povos que vivem em países em conflito enfrentam para tentarem a vida em um lugar pacífico. Junto ao pequeno Alan, faleceram também o seu irmão de cinco anos Galip e a sua mãe, Rehan, além de mais outros doze sírios que viajavam da Turquia para a Grécia. O único membro da família Kurdi que sobreviveu foi o pai, Abdullah


Alan Kurdi nasceu em Kobane, cidade curda do norte da Síria, lugar onde se viveu a dura Batalha de Kobane. Após se mover entre várias cidades da Síria para escapar do Estado Islâmico, a família estabeleceu-se na Turquia em 2014. O pai de Alan vivia na Turquia desde 2012, em busca de trabalho e visitava sua família em Kobane quando era possível. A família regressou a Kobane a princípios de 2015, mas precisou fugir para a Turquia quando o Estado Islâmico atacou novamente Kobane. Após a tentativa frustrada de levar a família para a ilha grega de Kos, o pai de Kurdi tomou a decisão de transladar-se para a Europa de maneira ilegal num barco pneumático, mas a viagem terminou nesta tragédia com o naufrágio da embarcação.

O livro não conta a história de Alan, é apenas o que disse no início: um pai acalentando o seu filho. No entanto, a história do Alan Kurdi não pode ser esquecida. E foi com esse objetivo que Khaled Hosseine decidiu lançar este livro e convocar o mundo a prestar atenção na Síria e entender que precisam abrir as portas para os refugiados. Nós brasileiros estamos longe de ser um destino para essas pessoas que deixam sua pátria em busca de paz, mas não sejamos hipócritas porque aqui do nosso ladinho temos os venezuelanos tentando abrigo na nossa terra e infelizmente sendo hostilizados por brasileiros. Que tenhamos mais empatia pelas dores humanas e sociais e deixemos de ser tão pequenos.


Enfim, é um livro que diz muito mais pelo seu objetivo do que pelo seu conteúdo. As ilustrações são belíssimas e tocantes, vale a pena estar na sua estante, até porque parte da renda do livro é direcionada para instituições sérias que tem por objetivo ajudar os refugiados. Foi um livro forte e emocionante, que merece ser lido por você.

Eu gostei muito.


Um pouco sobre o autor: Khaled Hosseini nasceu na capital do Afeganistão, Cabul. Ingressou na Universidade da Califórnia, San Diego, escola de Medicina, onde recebeu o título de Doutor em Medicina em 1993. Tornou-se escritor em 2003. Seus livros publicados no Brasil são:

  • O CAÇADOR DE PIPAS
  • A CIDADE DO SOL
  • O SILÊNCIO DAS MONTANHAS
  • A MEMÓRIA DO MAR

Um comentário:

  1. Oi, Ivi!
    Ainda não conhecia o livro, mas realmente adorei. A começar por essa capa, que coisa mais linda! Nunca li nenhum livro do Khaled Hosseini, mas aquela história do garoto que apareceu afogado na praia me impactou muito na época, e acho que não pode ser esquecida. Saber que esse livro se inspirou naquele acontecimento é algo que já faz com que eu o admire. Achei sua resenha linda e concordo totalmente com o que você disse sobre sermos mais empáticos com os refugiados. Ótimo post! Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

    ResponderExcluir