29.11.18

The Beauty of Darkness (Mary E. Pearson)

Ficha Técnica:
Nome Original: The Beauty of Darkness
Autora: Mary E. Pearson
Tradução: Ana Death Duarte
País de Origem: Estados Unidos
Número de Páginas: 576
Ano de Lançamento: 2017
ISBN-13: 9788594540270
Editora: Darkside Books

Oi gente que ama livros hoje venho com a resenha do 71º livro lido em 2018 e foi The Beauty of Darkness (Mary E. Pearson). Este livor encerra a trilogia As Crônicas de Amor e Ódio e minha expectativa para este livro estava sob controle porque embora eu tenha adorado o primeiro livro, achei o segundo bem arrastado. Antes de começar a falar o que eu achei da conclusão desta trama, aviso que a resenha possui spoilers dos livros anteriores.

O livro começa com Lia e Rafe escapando de Venda, mas ambos estão debilitados e há um longo caminho até o posto mais próximo de Dalbreck. Sven, Jeb, Tavish e Orrin os encontram e como os quatro aliados do príncipe os ajudam na jornada. Porém, é difícil saber o que realmente está acontecendo às suas costas. Será que o Komizar realmente morreu? Há um grupo de rahtans em suas costas? O que aconteceu com Kaden?


O que está bem claro na mente de Lia é que ela precisa voltar a Morrighan e avisar a seu pai que um enorme exército marchará na direção de seu reino, com o Komizar antigo ou com aquele que tomar o seu lugar. O que a garota não sabe é que Rafe não tem exatamente os mesmos planos, já que seu primeiro compromisso é com Dalbreck. Ambos, por motivos próprios, precisam correr contra o tempo e vencer velhos e ocultos inimigos para alcançar seus objetivos e cumprir seus deveres com seus reinos. Mas é óbvio que não conseguirão fazer isso juntos.

Este último livro tinha como responsabilidade responder muitas questões abertas nos livros anteriores, muita coisa a ser explicada e muito precisava ser feito para que tudo se encaixasse. O começo do livro foi cansativo, mas a partir de determinado momento, o livro ganhou um ritmo absurdo e eu só consegui ficar em paz em relação a esta história quando finalizei a leitura.

No começo temos uma Lia e um Rafe extremamente desalinhados. O que deveria ter sido conflito no segundo livro, onde havia desconfiança porque eles ainda se conheciam pouco e houve todo o drama da revelação das identidades e que foi ignorado, entrou em pauta aqui. Rafe tomou uma postura machista e superprotetora. Sua Lia não deveria ser nada além de uma adorável princesa em apuros, o que não condiz em nada com a postura da personagem e muito menos com a dele, que no último livro fez basicamente nada enquanto ela carregava toda a trama.

Arabella começa a história descompassada. Seu amado e seus leais amigos não acreditam em seu dom e todo o sinal ou pressentimento que ela tem precisa ser explicado e é sempre duvidado. Isso também acaba prejudicando o andamento da narrativa, pois tudo gera conflito. Não bastando isso, outras intrigas e revelações fora do ponto acabam por gerar brigas intermináveis entre o casal central, trancando a narrativa.


Na minha opinião tudo isso deveria ter sido explorado no segundo volume, trazendo aqui uma frente unificada. O que se manteria seria a relutância de Rafe de deixar Lia ir a Morrighan, afinal em seu reino ela é uma traidora e há um preço em sua cabeça. Porém, esse acaba sendo o mínimo dos detalhes e há uma avalanche de pequenas coisas que destoa do clima que o segundo livro se esforçou imensamente para estabelecer com todos os votos de amor e escapadas.

Felizmente, próximo ao meio do livro há uma mudança drástica nas posturas e os personagens finalmente focam naquilo que devem fazer. Lia tem um dever, Rafe tem outro. Os problemas não vão se resolver sozinhos e eles terão de abrir mão de coisas que lhes são desejadas para que o bem maior não seja sacrificado.

Kaden é o personagem mais desperdiçado desse livro. Ele tem um papel muito vago e serve apenas para fazer o que lhe é mandado. O assassino desapareceu e o jovem que vemos aqui mais parece um soldado do que alguém com toda aquela paixão de destino e dever que apresentou nos últimos livros. Eu tinha altas expectativas para ele e nada se cumpriu. O seu dom, inclusive, foi esquecido. É como se nem tivesse existido.

Vamos falar do dom: Explicação? Nenhuma. Lógica? Também não. A sensação que eu tenho com toda a história e seus elementos secundários e terciários é que a autora achou legal inserir, mas depois não soube o que fazer com as coisas e deixou tudo boiando. Em vez de explicar aquilo que precisava ser dito para que houvesse lógica nesses elementos, ela optou por contar a história de personagens que não nos interessavam, como Gwyneth, por exemplo. Sua contribuição para a história é mínima, mas há uma página inteira dedicada a explicar sua vida. A vida de Kaden também foi explorada, mas de onde deveria ter vindo algo espetacular veio apenas a constatação da suspeita que já tinha ficado no segundo volume.


Apesar dos problemas com posturas dos personagens, o que realmente mais me incomodou foi a falta de explicação para as coisas que a autora inventou. A quantidade de coisas com pouca lógica  ou que realmente são questionáveis pela facilidade que acontecem: ferimentos graves  esquecidos, pessoas que entram e saem de castelos pelas janelas como truques de mágica, profecias anunciadas a noite e até as explicações da pessoa responsável por maquinar grande parte da vida de Lia ficam a desejar. 

Você deve estar se perguntando, depois de tudo isso que escrevi, tenho certeza que gostei do livro? Tenho, e é aí que entra todo o amor que temos quando nos apegamos a uma história. Se essa fosse uma trama que tivesse me desagradado desde o primeiro livro, eu provavelmente reclamaria bem mais agora, mas juro que terminei o livro tentando ser positiva. Eu gosto muito da escrita da Mary E. Pearson, porque apesar dos buracos, ela consegue instigar o leitor a não largar o livro nunca e a leitura de todos os três volumes foi frenética para mim. Esse foi o volume que eu li com mais calma, pois não queria deixar passar nada e eis que quem deixou passar foi a própria autora.

Mesmo assim, ao fim de tudo, acho que a trama se fechou bem, deixando alguns pontos abertos para que imaginássemos o futuro. Isso também proporciona que a autora possa revisitar seu mundo mais a frente e criar outras histórias dentro dele (e quem sabe dessa vez ela explica alguma coisa, né?). Até o que eu reclamei no segundo livro que gostaria que não acontecesse aqui, teve certo valor e me deixou satisfeita. Acho que o alívio de ver certas coisas darem certo no final foi suficiente para que eu me agarrasse a essa história e mantivesse meu amor vivo.

Queria deixar aqui também a sinalização que ver a Princesa Arabella toda empoderada mais ao fim do livro fez toda a diferença. Tem até algumas cenas engraçadas com ela e as coisas que precisa fazer. Foi especial que a personagem tivesse esses momentos, afinal toda a sua jornada foi exatamente porque ela queria mais para sua vida, algo que a motivasse e não fosse imposto.

The Beauty of Darkness não foi exatamente o que eu estava esperando, mas encerrou essa trilogia com um saldo positivo, e mesmo não tendo tido 100% de aproveitamento comigo, tem um lugar especial no meu coração. 

Eu gostei!


Um pouco sobre a autora: Mary E. Pearson é uma premiada escritora do sul da Califórnia, conhecida por seus outros sete livros juvenis — entre eles a série popular The Jenna Fox Chronicles. Mary é formada em artes pela Long Beach State University, e possui mestrado pela San Diego State University. Aventurou-se em trabalhar como artista por um tempo, até receber o maior desafio que a vida poderia lhe proporcionar: ser mãe. Adora fazer caminhadas, cozinhar e viajar para novos destinos sempre que tem a oportunidade. Atualmente, é autora em tempo integral e mora em San Diego, junto com seu marido e seus dois cachorros. Seus livros publicados no Brasil são:

    • The Kiss of Deception
    • The Heart of Betrayal
    • The Beaty of Darkness
    • As Crônicas de Morrighan

5 comentários:

  1. Eu li o segundo livro e o final me deixou tão impactada que ainda não tive coragem de ler a obra. Gostei de ver todos os pontos que você gostou ou não na leitura, e fico ainda mais animada para conferir, mesmo que eu venha a desgostar das mesmas coisas.
    beijos

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  2. Olá!
    Li os dois primeiros e já no segundo achei bem lento o ritmo da história. Uma pena saber que a trama se perdeu em um dos seus principais pontos que foi o dom da protagonista.
    Agora quando for ler sem dúvidas irei com as expectativas bem baixas.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  3. Oi, Ivi! Tudo bem?
    Eu li a trilogia toda há mais tempo e confesso que preciso reler para lembrar dos detalhes. No entanto, eu lembro de ter gostado bastante desse livro, apesar de ter alguns problemas mesmo. O que mais me marcou nesse sentido foi ter faltado mais explicação sobre o dom, principalmente no caso do Kaden.
    No entanto, eu gostei bastante da trilogia como um todo e fiquei satisfeita com o desfecho. Agora, quero muito ler As Crônicas de Morrighan e Dance of Thieves, que se passa no mesmo universo.
    Adorei a resenha e fico feliz que, apesar das ressalvas, você gostou do livro. Espero que o novo seja melhor e que a autora dê mais explicações que faltaram nesse.
    Beijos!

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  4. Já o primeiro volume da saga não me prendeu muito a atenção. Saber que a saga em si tem esses arrastamentos e trama aberta em coisas que parece que não deveria não me animou muito, até mesmo desanimou. Estava pensando em recomeçar a ler a saga e ir até o fim, mas deixa pra depois - mais uma vez!

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