10.7.20

Columbine (Dave Cullen)

Ficha Técnica:
Nome Original: Columbine
Autor: Dave Cullen
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Eduardo Alves
Número de Páginas: 480
Ano de Lançamento: 2019
ISBN-13: 9788594541536
Editora: Darkside Books

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 46º livro lido em 2020 e foi Columbine (Dave Cullen). Depois de ter lido O Acerto de Contas de uma Mãe (Sue Klebold), fiquei bem curiosa em relação ao massacre de Columbine que aconteceu em abril de 1999, quando dois adolescentes entraram atirando na escola. Em função desta curiosidade, não pensei duas vezes em procurar o livro que conta esse crime de forma detalhada.

Quando peguei o livro nas mãos, me perguntei se precisava ser tão grande, afinal tinha como objetivo relatar um crime que acontecera em um único dia, porém conforme comecei a ler, entendi a minúcia do autor e a motivação de trazer tantas informações.


Columbine traz um perfil dos assassinos, Eric Harris e Dylan Klebold, bem como cita todas as vítimas, que sobreviveram ou infelizmente perderam a vida naquela manhã. Em um primeiro momento entendemos a motivação dos criminosos: Eric queria matar e Dylan queria morrer. A partir disso, eles planejaram durante um ano e se organizaram para o dia que chamavam de dia do juízo final. Eles próprios deixaram muitos relatos que ajudariam as autoridades a elucidar o que aconteceu naquele dia, como filmagens, cronogramas e diários. Desde o início, a família de Eric se mostrou pouco colaborativa para que se destrinchasse a vida do seu filho, enquanto a família de Dylan se pronunciou desde o primeiro momento com desculpas e pedidos de perdão.

O livro traz também o passo a passo do dia do massacre, bem como as provas que deixaram claro que eles tinham planejado fazer algo muito maior do que realmente foi feito, apesar do estrago que de fato aconteceu. O plano era colocar bombas estratégicas na escola para ferir um número maior de alunos e eles planejaram até atrapalhar a polícia e os bombeiros quando o salvamento se tornasse iminente.

O livro relata a cidade de Jefferson County, onde ficava a escola, e suas características, como o apego forte a religião cristã. Líderes religiosos se levantaram para dizer que tudo aquilo era uma ação demoníaca, enquanto outros líderes sabiam que afirmar isso era absolver os assassinos do julgamento comum bem como minimizar a responsabilidade do Estado, uma vez que o acesso que os jovens tiveram às armas foi muito fácil.


Também há detalhes muito tristes, como os corpos dos dois primeiros jovens mortos que ficaram na calçada da escola por mais de 24 horas porque a polícia temia que mais bombas estivessem neles. A revolta e a desolação destas famílias é inimaginável.

O livro traz cópia dos diários dos jovens e, sem dúvida, essa é a parte mais chocante do livro. Ambos viviam doenças mentais muito intensas, mas manifestaram isso em palavras de diferentes formas. Eric destilava ódio e descrevia como imaginava matar alguém. Dylan se mostrava totalmente apaixonado por uma garota e por não ser correspondido, só pensava em tirar a própria vida. Em determinada parte do diário, ele acreditava que nem estaria vivo quando o plano de Eric fosse executado.

É um livro angustiante, denso, tenso, difícil, duro e o trabalho de investigação do autor foi embasado em relatos oficiais, bem como em todo andamento da investigação. Eric e Dylan se mataram no mesmo dia do massacre, porém suas famílias tiveram que prestar esclarecimentos, o que durou anos nos tribunais.


Eu gostei muito da forma profissional e crítica que o autor usou para contar essa história, tentando se manter imparcial a todo momento. A narrativa é fluida e simples, porém essa edição da Darkside Books está repleta de erros de revisão e muitas vezes tive que reler as frases para que fizessem algum sentido. Isso tornou a leitura truncada, pois existem erros bem primários que me incomodaram muito.

De uma forma geral, é um livro que entregou o que prometeu: detalhou um crime de conhecimento mundial e que levantou muitos debates relevantes no mundo, como o porte de armas e a facilidade em se comprar munição.

Eu gostei muito!!


Um pouco sobre o autor: Dave Cullen é jornalista e escritor. Nasceu nos Estados Unidos e lá escreve para importantes jornais como New York Times, Vanity Fair, BuzzFeed, Politico, Times de Londres, New Republic, Newsweek, Guardian, entre outros. No Brasil, apenas Columbine foi publicado.

2 comentários:

  1. Está aí um livro que eu não conseguiria encarar nem tão cedo. :( Estou lendo "A Boa Filha" e tem uma cena de tiroteio numa escola e só isso (na ficção) já me deixou angustiada, imagina um massacre real, com tanta destruição! Talvez um dia eu leia, quando me sentir preparada.

    Não consigo entender como alguém, e ainda por cima tão jovem, consegue matar com tanta frieza, consegue ser tão ruim. Nunca entenderei algo assim.

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  2. Olá, tudo bem? Tenho curiosidade em saber mais sobre essa situação, mas tenho pegado cada vez mais ranço nas revisões da Darkside que na minha opinião não valem o preço de capa, mesmo que seja edição capa dura e tudo mais. Entendo seu descontentamento com isso, e com certeza isso seria um dos meus maiores empecilhos. Enfim, acho que seria uma leitura angustiante, mas ainda assim interessante de se fazer. Ótima resenha!
    Beijos

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