20.4.20

Meus Livros de Não Ficção Favoritos


Oi gente que ama livros, hoje quero compartilhar com vocês os meus livros de não ficção favoritos. A grande maioria das minhas leituras é de ficção e transitam entre o romance e o drama, mas sempre me rendo a uma biografia ou algum enredo real que me comove, emociona e sobretudo, me ensina algo de valor.

Vamos conferir?

Eu – Ricky Martin
Se você me acompanha por aqui ou nas redes sociais sabe que sou fanática pelo Ricky Martin e quando a biografia dele foi lançada no Brasil em 2011, era óbvio que eu leria e amaria. O livro conta sua história de vida como qualquer outra biografia. Relata a infância, o desejo de ser artista,  ser reprovado nos testes para o Menudo por duas vezes, o tempo investido enquanto viajava pelo mundo cantando, as primeiras experiências amorosas, o relacionamento de altos e baixos com os pais, uma necessidade constante em busca da espiritualidade, o trabalho para se estabelecer no mundo do show business, a criação da sua fundação de ajuda humanitária, o desejo de ter sua família e a luta intensa e sem fim para se aceitar como homossexual. Tudo isso? Sim, mas acima de tudo, o homem comum atrás do astro. O livro é escrito de uma forma tão deliciosa e envolvente que é impossível não se apaixonar por ele, não desejar saber mais e entender que ele alcançou o sucesso que tem até hoje porque fez tudo da maneira certa. Não por ser um ícone no mundo das celebridades, mas por se tratar de uma pessoa sensível, Ricky não cita nomes de paixões ou profissionais que de certa forma o apoiaram ou tentaram derrubá-lo. Ele conta sobre si mesmo e isto deve bastar. O livro é muito gostoso de ler e nos apresenta um homem simplesmente maravilhoso.

Milagre nos Andes - Nando Parrado e Vince Rause 
O livro nos conta a história de sobrevivência de um grupo de pessoas que sofreram um acidente de avião na Cordilheira dos Andes, local inóspito entre a Argentina e o Chile. Essa história era extremamente popular nas décadas de 80 e 90, muitos documentários e filmes foram feitos baseados nos relatos, mas confesso que eu nunca me interessei muito, por isso quando comecei a ler o livro, imaginei que a leitura seria tediosa e irrelevante. Porém, encontrei além de um texto inteligente e muito sensível, uma das histórias mais fortes de superação e luta pela vida que eu já li na minha vida. Em outubro de 1972, um time uruguaio de rúgbi decolou de Montevidéu rumo a Santiago para alguns jogos. Dentro do avião estava o time, a equipe técnica e alguns parentes destas pessoas, no total de 40 passageiros e 5 tripulantes. Durante uma turbulência violenta, o piloto não conseguiu ver as montanhas abaixo, errou o plano de voo, a asa do avião bateu em um dos picos e a cabine desceu a montanha de neve e gelo. No impacto, algumas pessoas morreram e outras ficaram bem machucadas, mas a grande maioria estava bem. Conseguiram sair da fuselagem e aguardaram pelo resgate, que infelizmente nunca veio. Após o 10º dia do acidente, eles ouviram por um rádio transistor que as buscas estavam encerradas e com muita força de vontade, decidiram que só conseguiriam sair dali se arriscassem vencer a cordilheira.

Não há Silêncio que Não Termine – Ingrid Bittencourt
O livro traz a história real da prisioneira Ingrid Betancourt, refém das FARC. Ela conta seus dias de cativeiro, desde como foi sequestrada até o dia em que foi libertada. Foram 7 anos de cativeiro, todos contados no livro. Filha de uma tradicional família colombiana, educada na Europa, Ingrid Betancourt resolveu abandonar a segurança de uma vida confortável para dedicar-se aos problemas de seu conturbado país. Elegendo-se sucessivamente deputada e senadora, Ingrid fundou o partido Oxigênio Verde em 1998, com o objetivo de trazer novas esperanças à política colombiana, marcada pela violência sectária e pela corrupção. Interessada em promover o diálogo entre as diversas facções da guerra civil que há décadas dilacera a Colômbia, a jovem senadora resolveu em 2001 lançar sua candidatura às eleições presidenciais. No ano seguinte, durante uma viagem de campanha ao único município governado por um prefeito de seu partido, a candidata - então mal colocada nas pesquisas - foi sequestrada por um comando das Farc com diversos assessores e seguranças, num episódio até hoje mal explicado. Levada para o interior da selva em inúmeras viagens de barco, caminhão e marchas a pé, Ingrid se viu repentinamente desligada do convívio dos amigos e da família, isolada do mundo exterior em meio a guerrilheiros fortemente armados. A autora de “Não há silêncio que não termine” passaria mais de seis anos em poder das Farc. Sua visível agonia, documentada por cartas e "provas de vida" em vídeo, bem como sua libertação numa célebre e cinematográfica operação do Exército colombiano em 2008, chamaria novamente as atenções do mundo para o conflito que atualmente ameaça a paz no continente sul-americano. Este livro é o relato contundente de sua experiência como prisioneira da guerrilha narcotraficante, em meio à fome, à doença e às humilhantes condições impostas pelos sequestradores. Os momentos mais dramáticos de sua longa crônica de desventuras certamente são as desesperadas tentativas de fuga. Decidida a recuperar sua liberdade a qualquer custo, Ingrid tentou escapar diversas vezes, sendo invariavelmente recapturada pela guerrilha, faminta e perdida na selva. 

O Acerto de Contas de uma Mãe – Sue Klebold
Em “O Acerto de Contas de Uma Mãe – A vida após a tragédia de Columbine”, temos o relato da tragédia pelos olhos de Sue Klebold, mãe de Dylan Klebold, um dos atiradores responsáveis por aquele dia de horror em 20 de abril de 1999. É uma narrativa forte, que nos faz pensar sobre nossa vida e sobre nossas atitudes no trato com as pessoas. Embora Sue comece nos contando como foi o dia da tragédia, o livro segue uma ordem linear e cronológica, em que conta sobre a vida de Dylan desde o dia do seu nascimento. Com o olhar de uma mãe carinhosa, relata que ele sempre foi doce, bom filho e sempre teve um comportamento tranquilo na escola, era uma das crianças mais inteligentes nos anos de ensino fundamental. Esse comportamento mudou um pouco com a chegada da adolescência e Dylan se tornou mais introspectivo, o que foi visto apenas como uma característica de sua personalidade. Ele tinha amigos, dividia seu tempo entre a escola e pequenos trabalhos como em uma pizzaria da cidade e tinha uma vida social saudável até se aproximar de Eric Harris e cometer o primeiro delito com ele: roubar um carro e levar o equipamento eletrônico. Quando isto aconteceu, ambos foram encaminhados para um tipo de medida sócio educativa e liberados desta punição por terem um comportamento exemplar dentro do programa. Mesmo com este fato e a timidez e distância de Dylan se tornando maiores a cada dia, Sue e seu marido não perceberam que o filho estava deprimido e pretendia se matar, inclusive tinha planos de cometer o suicídio antes de participar do massacre com Eric. Diários e vídeos dos dois mostravam que tudo estava sendo planejado um ano antes. Nos diários pessoais de Dylan, ele salientava que não chegaria a fazer aquilo na escola, pois teria tirado a sua vida antes.

Todo Dia a Mesma Noite – Daniel Arbex
O livro traz uma reportagem sobre a tragédia de Santa Maria que aconteceu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, na qual 242 jovens morreram após o incêndio da boate em que estavam. A boate Kiss, uma das favoritas da juventude da cidade, pegou fogo após um membro da banda que estava se apresentando acender um sinalizador no palco, que atingiu a espuma que revestia o teto do local para abafar o som. Em função do local não ter saídas de emergência e da dificuldade da multidão encontrar a saída, uma vez que as luzes se apagaram, a grande maioria das mortes ocorreu devido a fumaça tóxica que a queima da espuma gerou. Se você não morou embaixo de uma pedra desde 2013, você sabe o quanto esta tragédia abalou o Brasil. Cinco anos depois daquela noite triste e dolorosa, a jornalista Daniela Arbex resolveu publicar o livro recontando aquela noite, sob a perspectiva de quem sobreviveu e das famílias cujos filhos, pais e mães morreram ali. A narrativa do livro não é linear e isso causa uma sensação de confusão muito grande no leitor, mas tenho a impressão que foi de propósito para deixá-lo desorientado ao ler os depoimentos, como se estivesse vivendo aquela noite também. Foi a impressão que tive e compartilho com vocês que o livro extremamente bem escrito e muito emocionalmente narrado, nos faz ter sensações muito intensas: dor, calor, sede, tristeza, revolta e também esperança. Eu senti tudo isso enquanto lia e foram poucas as páginas em que eu não chorei desoladamente ao conhecer um pouco da intimidade daqueles jovens. Quando somos impactados por algo grande e doloroso assim, nos atemos algumas vezes somente as estatísticas: quantos morreram? Quantos se salvaram? Quantos culpados? Quantos, quantos e quantos. Números que muitas vezes são usados apenas para nos chocar. Mas quando cada um destes números ganha nome, profissão, curso e sonhos, a estatística perde força e a empatia fica mais fácil e íntima.

Estes foram os livros de não ficção que marcaram a minha vida e me trouxeram uma perspectiva mais íntima e madura sobre os assuntos que abordam. Seja a biografia do meu ídolo ou a conscientização do que aconteceu na Boate Kiss, todos me fizeram amadurecer e por isso sempre busco livros que possam exercer este efeito sobre mim.

E vocês, gostam de ler não ficção? Se sim, quero que deixem nos comentários suas indicações, vou adorar conferir e se eu ainda não tiver lido, lerei com prazer.

Beijos

9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Amo livros de não ficção. Gostei muito de ler Favores Vulgares. Achei o livro chocante em muita coisa
    Esse livro da Sue Klebold eu sou doida para ler. Nos olhos de uma mãe a visão sempre é outra.. É o filho que cometei tamanha barbaridade.

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  3. Opa, tudo bem por aí?

    Já li Todo Dia a Mesma Noite e achei uma obra muito completa e maravilhosa, apesar de se tratar de uma tragédia tão triste, eu gosto muito de obras jornalísticas e tal. Assim como gosto muito de biografias também, logo, acho que eu gostaria bastante da do Rick Martin. Estou pensando em ler após o seu post haha.

    Abraços!
    Acampamento da Leitura

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  4. Olá Ivy,

    Gosto muito de livros de não-ficção e não conhecia quase nenhum da sua lista, gostei.


    Beijos!!


    http://devoradordeletras.blogspot.com/

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  5. Oi Ivy
    Não li nenhum dos seus favoritos de hoje, mas tenho uns de não ficção favoritos pra citar:
    Sobre a escrita - Stephen King
    O ano em que disse sim - Shonda Rimes
    Para educar crianças feministas - Chimammanda

    Beijos

    Vidas em Preto e Branco

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  6. Oi!
    Esses livros devem ser maravilhosos, ainda não li nenhum, mas lendo suas dicas não deixo de me perguntar: porque não li antes?! Quero muito ler o livro do Ricky Martin sua vida e trajetória de luta, O acerto de contas de uma mãe, me deixou arrepiada só de ler esse trecho, já vou colocar na minha lista. Parabéns pelo post, obrigado pelas dicas, bjs!

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  7. Olá tudo bem?

    Não costumo ler muitos livros de não ficção, mas é algo que estou tentando mudar. Não conheço os livros citados, mas gostei demais da indicação de Não Há Silencie que Não Termine e O Acerto de Contas de Uma Mãe. Adorei o post, parabéns.

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  8. Eu curto demais biografias, não sabia que o Rick Martin tinha. já estou bem interessado em ler. Eu gostei dos demais títulos que citou, bem sugestivos.

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  9. Oi Ivi, fiquei bem interessada em O Acerto de Contas de uma Mãe, acho que eu já vi um vídeo sobre ela no youtube! Grande lista, peguei algumas recomendaçoes!

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