26.11.19

Filme da vez #106 As Panteras

FICHA TÉCNICA
Título Original: Charlie's Angels
Ano de Produção: 2019
Lançamento no Brasil: 14 de novembro de 2019
Duração: 119 minutos
Gênero: Ação, Aventura e Comédia
País de Origem: Estados Unidos
Classificação Etária: 14 anos
Elenco: Elizabeth Banks, Ella Balinska, , Kristen Stewart, Naomi Scott, Noah Centineo, Aly, Chloe Kim, Chris Pang, Danica Patrick, Danny Pardo, David Schütter, Djimon Hounsou, Emre Kentmenoglu, Eric Bouwer, Frederic Böhle, Hailee Steinfeld, Hannah Hoekstra, Jaclyn Smith, Jonathan Tucker, Lili Reinhart, Livia Matthes, Luis Gerardo Méndez, Magdalena Tan, Michael Strahan, Murali Perumal, Nat Faxon, Neil Malik Abdullah, Nick Dong-Sik, Patrick Stewart, Peter Sikorski, Robert Clotworthy, Robert Maaser, Ronda Rousey, Sam Claflin.
Sinopse: As Panteras sempre estiveram a disposição para prover segurança e truques investigativos para clientes exclusivos e agora a Agência Townsend se expandiu a nível internacional, com as mais espertas, mais destemidas e mais treinadas mulheres do planeta. Mas quando um jovem engenheiro de sistemas vaza informações sobre uma perigosa tecnologia, cabe a um trio de Panteras (Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska) entrar em ação, colocando suas vidas em risco para proteger a nós todos.
Oi gente que ama livros, hoje vou compartilhar com vocês as minhas impressões sobre o filme As Panteras. Antes de tudo, você precisa saber que eu cresci assistindo As Panteras, que originalmente era um seriado em que três mulheres eram detetives particulares que trabalhavam para uma agencia secreta. Com tiro, porrada e bomba, essas mulheres lindas e muito inteligentes faziam de tudo para esclarecer as investigações. Na minha casa, esse seriado era cultuado, meu pai costumava chamar eu e minhas irmãs de panteras e só por isso você já consegue imaginar meu apego afetivo com a série. Em 2000 tivemos o primeiro filme baseado no seriado e uma sequencia em 2003. Nenhum dos dois me agradou, mas ainda assim, fui conferir o filme de 2019 com a expectativa sob controle, mas secretamente desejando gostar da produção.

Desde os anos 1970, As Panteras têm sido um respiro de representação feminina no cinema e nas histórias de espionagem, ambos tradicionalmente dominados por homens. Enquanto era norma subestimar as mulheres por sua dita fragilidade, episódio após episódio as agentes vividas por Jaclyn Smith, Farrah Fawcett e Kate Jackson questionavam os estereótipos colocando suas habilidades de combate em uso e, obviamente, salvando o dia. É claro que nem sempre a franquia fez retratos impecáveis da figura feminina. Com o olhar masculino prevalecendo na direção das produções, a hipersexualização das personagens era bastante comum - basta lembrar como a câmera na adaptação dos anos 2000 ficava mais no decote e na cintura de das atrizes do que de fato na altura dos olhos.

Em 2019, ano em que Hollywood segue vivendo as consequências do Me Too, assim como uma clara onda nostálgica, pela primeira vez o universo da Agência Townsend está nas mãos de uma mulher. Com roteiro e direção de Elizabeth Banks, o novo filme subverte alguns padrões da indústria, mas de modo algum abre mão do que é DNA da franquia. Em outras palavras, a sensualidade ainda está presente, mas com uma arma nas missões das agentes, porém de forma mais inteligente: flertando mais com o feminismo e com bom humor.


Em um misto de reboot e sequência, As Panteras apresenta novas protagonistas que desde o princípio são bastante habilidosas, cada qual no seu campo. Kristen Stewart é Sabina, a mais atrevida e engraçada do grupo; Ella Balinska é ex-agente do MI6 Jane, certamente a mais forte no combate corpo a corpo; por fim, Naomi Scott é a caloura Elena, a funcionária de uma empresa de tecnologia que descobre que o inovador projeto de energia sustentável em que está envolvida, na realidade pode ser usado para fins violentos. Sob a liderança de Bosley, um cargo na organização e não somente um indivíduo, elas tentarão impedir que esse protótipo caia nas mãos erradas.

Girl power definitivamente é a palavra de ordem da produção, até mesmo nas cenas de ação. São muitos os comentários em tom de piada que zombam do machismo dos adversários, enquanto elas, claro, acabam com eles. Inclusive, Banks se permite estereotipar alguns personagens masculinos de forma escrachada para esse fim, trazendo mais uma camada cômica para uma história por si só leve e divertida. Entretanto, é a relação entre o trio que sustenta este pilar do filme.


Em meio à missão, cada agente aprende uma lição graças à companhia uma da outra. Jane, que começa o longa com uma atitude orgulhosa, entende que não precisa fazer tudo sozinha; há uma rede de apoio com a qual contar nos momentos difíceis. Tímida, Elena passa a ter mais confiança para falar o que pensa e realmente descobrir um novo lado de si mesma, graças às novas amigas. Sabina talvez seja a personagem com a evolução menos perceptível, mas felizmente o carisma da personagem dá conta de disfarçar essa lacuna. É verdade que a evolução da amizade do trio é por vezes apressada e, por isso, o arco das personagens perde um pouco de força. Ainda assim, ver três personagens tão diferentes encontrando apoio umas nas outras e se permitindo chorar e se divertir é bastante agradável.

Contudo, nem sempre o feminismo é apresentado de forma orgânica na trama. A direção do filme aposta no seguro e se vale muito do discursivo para brincar com situações cotidianas, com as quais o público certamente se identificará. Como piada, esse recurso funciona. Mas, em um sentido mais amplo, dá um ar banal para o filme, como se fosse apenas mais um tentando surfar nesta “moda”.

Embora não seja brilhante, As Panteras é uma homenagem fofa e carismática à franquia, com direito a referências às produções anteriores e participações realmente especiais. Nesta fase em que Hollywood prefere a reciclagem a criar histórias originais, o filme se mostra uma grata surpresa, capaz de te deixar com um sorrisinho no rosto ao sair do cinema.

Eu adorei!!!

Trailer Oficial:

3 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Nunca assisti nada das panteras, acredita? Mas fiquei bem curiosa com esse lançamento, depois de ler tua opinião. É uma pena que não seja um filme 100% bom, mas mesmo assim fiquei com vontade de ver. Adorei a dica!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  2. Oi, Ivi!
    Eu acho que nunca assisti os filmes dos anos 2000, mas obviamente eu conheço a história e até as personagens. Como não sou a maior fã desse estilo de filme, nem pretendia assistir esse lançamento. No entanto, vi muitas críticas positivas, falando que é divertido e elogiando a direção da Elizabeth Banks, que até fiquei com um pouco de vontade de assistir.
    Mas o que fez eu querer realmente assistir foi novamente todos os machos caindo em cima de um filme protagonizado por mulheres. Temos 500 Velosos e Furiosos, e dificilmente vemos tanto homem reclamando. Então com certeza irei assistir, só para dar uma força ao filme.
    Ps.: adorei a resposta da Elizabeth Banks às críticas.
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2019/11/resenha-formatura-livro-3.html

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  3. Oi, que bom saber que gostou do filme. Eu vi o filme dos anos 2000 e realmente era ótimo ter um filme onde as mulheres eram as agentes secretas que resolviam os casos, então achei ótimo saber que teríamos um novo filme e gostei da escolha do elenco. Estou bem animada para assistir, amei conferir suas considerações. Ótimo post!

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