19.12.18

Um Milhão de Finais Felizes (Vitor Martins)

Ficha Técnica:
Autor: Vitor Martins
País de Origem: Brasil
Número de Páginas: 352
Ano de Lançamento: 2018
ISBN-13: 9788525065377
Editora: Globo Alt

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 84º livro lido em 2018 e foi Um Milhão de Finais Felizes (Vitor Martins). Eu comprei este livro na Bienal do Livro de São Paulo e estava empolgadíssima para ler porque amei o primeiro livro do autor, mas infelizmente o livro ficou pegando poeira na estante até semana passada.

O livro nos traz o Jonas um jovem que terminou o ensino médio e por não ter condições de pagar uma faculdade, foi trabalhar em uma cafeteria para ajudar nas despesas de casa. Jonas não sabe ao certo que curso faria se pudesse pagar pelos estudos porque o que ele realmente quer ser é escritor. Ele já começou várias histórias interessantes, mas por preguiça e talvez incentivo, ainda não concluiu nenhuma delas. Jonas é um rapaz introspectivo, consciente de sua homossexualidade e sabe que isso não pode ser revelado dentro da sua casa porque sua mãe é uma evangélica fervorosa e seu pai é bem preconceituoso. Jonas tem bons amigos: a amizade com Isadora e Dan desde a escola se mantém firme apesar deles terem outra rotina agora. Na cafeteria onde trabalha, fez amizade com a Carina, uma personagem que rouba a cena em alguns momentos da narrativa.


Em um belo dia, um rapaz ruivo e barbudo, o Arthur, entra na cafeteria e é atendido por Jonas, que fica com a imagem daquele rapaz na mente até que por uma coincidência, eles acabam se encontrando em uma festa de carnaval e a partir daí, começam a se envolver. O livro então irá se desenvolver no amadurecimento do sentimento dos dois e sobre eles a sombra do medo de que a família de Jonas possa descobrir.

Eu adorei essa leitura por inúmeros motivos. Um deles é porque é um romance muito crível, consistente e descrito de uma forma tão real, que facilmente aconteceria com algum amigo meu. Jonas representa a grande parcela dos jovens de hoje no Brasil no sentido de que o ensino superior é algo bem complicado de encarar por questões financeiras. As referências que ele faz em relação ao seu orçamento são extremamente interessantes e fazem sentido com a realidade de um rapaz que está no seu primeiro emprego, que não pertence a uma família rica e precisa assumir responsabilidades na vida. 

Outro fator que me encantou foi o cenário. O livro se passa entre Santo André (região metropolitana de São Paulo) e a capital paulista. Eu morei muito tempo em Santo André e a descrição que o autor faz do trajeto de lá para São Paulo é real. Em vários momentos do livro em que Jonas fazia referência ao longo caminho que precisava traçar para ir para o trabalho, eu me via representada com seriedade, mesmo que estes momentos sejam bem-humorados dentro da narrativa.

Uma outra coisa muito bem colocada dentro do enredo foi a questão da mãe do Jonas ser evangélica e da forma como isso é feito. Quando criança, Jonas adorava ir para a igreja e aquele era o seu mundo seguro, porém, quando ele tomou consciência que ser homossexual ia contra as regras de conduta da igreja, ele naturalmente se afastou. Ainda assim, a fé da mãe dele é colocada dentro da narrativa de uma forma simpática, sem caricaturas, sem exageros e isso mostra que o autor além de fazer uma pesquisa interessante sobre essa realidade, foi extremamente respeitoso com as pessoas que professam a fé cristã dentro de igrejas protestantes. 

Mas sem dúvida, a parte forte do livro é o romance, não que ele ocupe a narrativa como principal plote, mas o envolvimento de Jonas e Arthur foi muito bem desenvolvido, nada instantâneo, nada fantasioso e nem um pouco vulgar. Existe um crescimento notável no relacionamento dos dois e isso é gostoso de acompanhar no decorrer das páginas.

Enfim, como puderam perceber, eu amei demais esta história e no momento do ápice da narrativa, embora eu já desconfiasse do que poderia acontecer, eu me vi chorando, indignada com a motivação de alguns personagens. Chorei angustiada porque o livro levanta a questão de que amor é amor e isso não pode incomodar as pessoas. A fé, o preconceito, as tradições, precisam entender que quando é amor, não existem regras.


Uma última observação sobre o livro é que como disse no início, Jonas deseja ser escritor e quando ele conhece o Arthur, começa a escrever uma história de amor entre dois piratas e essa história é compartilhada no livro pelo autor. Como a história do Jonas e do Arthur é sobremaneira mais desenvolvida e interessante, eu não me envolvi tanto assim com esses trechos que o autor inseriu na trama, mas me causou surpresa o final que ele deu aos personagens e preciso dizer que fiquei bem revoltada com isso.

Amei o livro. Sem dúvida quero ler tudo e qualquer coisa que o Vitor Martins vier a publicar porque nos dois livros que li dele, me vi imersa na vida dos personagens, entendendo seus argumentos, compartilhando suas dúvidas e desafios e sobretudo, acreditando que aquilo tudo poderia acontecer fora das páginas. Este livro em especial me envolveu ainda mais que o primeiro, mas sem dúvida, recomendo as duas obras porque além da representatividade, são histórias muito bem escritas, mesclando de forma equilibrada emoção e bom humor.

Eu adorei.


Um pouco sobre o autor: Vitor Martins nasceu em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, e atualmente mora em São Paulo. Formado em jornalismo pela Universidade Cândido Mendes, trabalha como ilustrador editorial em projetos didáticos. Acredita que a diversidade na literatura jovem é uma arma poderosa, e seu principal objetivo como escritor é contar a história de pessoas que nunca conseguiram se enxergar em um livro. Tem um canal no YouTube onde fala sobre literatura, cultura pop, tranqueiras de papelaria, ilustração e o que mais der vontade. Seus livros publicados são: 
  • Quinze Dias
  • Um Milhão de Finais Felizes

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