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IT - A Coisa (Stephen King)

Stephen King é um autor que já publicou mais de 60 livros traduzidos para vários países do mundo e muitas de suas histórias ganharam adaptações para o cinema e para TV. Eu ainda não li nem metade da totalidade de seus livros, mas o pouco que já li me fez sua fã de carteirinha e mesmo não tendo lido nem metade dos livros e histórias que ele escreveu já me faz considerá-lo um mestre. Sua narrativa é exemplar, a maneira como ele começa contando a história e nos apresenta as personagens é bastante peculiar, e IT – A Coisa não foge em nada da grandiosidade de Stephen King, mais ainda, até o momento foi o melhor livro dele que já li, e olha que eu já disse isso de outros livros quando terminei a leitura, então quando eu tiver lidos todos os livros isso pode mudar, mas hoje, IT – A Coisa, é o melhor, sem sombra de dúvidas. Não é à toa que é considerado um clássico de King.
“Crianças, a ficção é a verdade dentro da mentira, e a verdade desta ficção é bem simples: a magia existe.” (SK na dedicatória do livro a seus filhos) 
Nesse livro, o autor nos leva ao ano de 1958 e nos faz conhecer 6 meninos e uma menina (Bill, Richie, Eddie, Stan, Ben, Mike e Beverly), com idades em torno dos 11 anos. Sete amigos que o destino vai reunindo e que as consequências vão fazendo com que eles se fortaleçam e conheçam o real significado da amizade, do amor, da confiança e do medo. O mais terrível de todos os medos. Nas férias escolares daquele ano eles se deparam pela primeira vez com a Coisa, um ser sobrenatural que aterroriza a todos os habitantes da pequena cidade de Derry, no Maine. Essas crianças enfrentam a Coisa, mas elas não têm certeza absoluta de que conseguiram aniquilá-la, por isso fazem um pacto de sangue e cada um deles promete, que aconteça o que acontecer, estejam onde estiverem, se a Coisa voltar a aterrorizar a cidade, que eles voltarão para terminar o trabalho começado. Quase 30 anos depois os amigos voltam a se encontrar. Todos já adultos e com suas vidas bem construídas, recebem um telefonema de Mike, o único que permaneceu em Derry, onde ele conta que coisas estranhas voltaram a acontecer na cidade e que ele só ligou depois de ter certeza que os fatos só podem ter sido executados pela Coisa. A cidade novamente, depois de quase 30 anos, vive momentos de terror e eles tem que voltar a se reunir conforme prometeram. A dúvida é se eles serão capazes de enfrentar a Coisa agora que são adultos, mas eles precisam enfrentar a dura realidade de voltar para casa... e encarar novamente o pior dos seus pesadelos.
King nos apresenta primeiro o gancho da história, onde tudo começou para esses 7 amigos, com a morte de George, o irmãozinho de Bill, pela Coisa. Ele nos envolve com os primeiros personagens, nos apresenta minuciosamente, nos envolve em sua história, e logo nos tira George. Nessas primeiras páginas, King já nos prendeu, não tem mais como largar o livro.
“ – Quer seu barco, Georgie? Perguntou Pennywise. – Só estou repetindo porque você não parece tão ansioso. – Ele o ergueu e sorriu. Estava usando uma roupa de seda larga com grandes botões laranja. Uma gravata berrante, azul-elétrica, caía pela frente do peito, e havia grandes luvas brancas em suas mãos, do tipo que Mickey Mouse e o Pato Donald sempre usavam.” (Pág. 23)
O livro é dividido em 5 partes, muito bem desenvolvidos e separando bem a história, e entre as partes temos 23 capítulos e 5 interlúdios, que o autor explica são segmentos retirados do diário de Mike Hanlon (uma coletânea de anotações e fragmentos de manuscritos que Mike, um dos amigos e único que permaneceu em Derry, escreveu e que foi encontrado no cofre da Biblioteca Pública de Derry). Nos capítulos o autor vai nos apresentando cada um dos amigos e faz isso no momento que eles recebem o telefonema de Mike avisando que eles precisam voltar para Derry e cumprir o prometido. Ele nos mostra exatamente a reação de cada um com o telefonema. Conhecemos tanto as características físicas, assim como, as características psicológicas de cada um. Quem já conhece a narrativa de Stephen King, sabe que ele é bem detalhista, mas ele consegue isso sem fazer com que a leitura fique maçante, porque ele conta a história como se tivesse realmente nos contando a história, ou seja, como se estivéssemos, por exemplo, em uma roda de amigos em volta de uma fogueira, de preferência em um acampamento que faz com que o cenário seja mais propício para histórias de suspense. A maneira dele contar a história muitas vezes é até engraçada e isso faz com que o suspense da narrativa fiquei um pouco mais leve. Mas, não se deixe enganar, que no parágrafo seguinte ele já vai matar alguém e está você novamente ligado na história que está sendo contada.
“Mas a garota Albrecht foi encontrada na calçada do outro lado da rua da maldita casa na rua Neibolt... e foi morta no mesmo dia que George Denbrough, 27 anos antes. E o garoto Johnson, encontrado no Parque Memorial sem uma das pernas do joelho para baixo. O Parque Memorial é o lar da Torre de Água de Derry, e o garoto foi encontrado quase na base dela. A Torre de Água fica a um grito do Barrens; a Torre de Água também é onde Stan Uris viu aqueles garotos. Aqueles garotos mortos.” (Pág. 152)
A história é contada mesclando passado e futuro, principalmente na última parte do livro onde temos que nos ater na data do capítulo para saber ao certo se estamos em 1958 ou em 1985. A leitura não é linear, mas Stephen King faz de uma maneira bem fluida e não tem como nos perdermos no tempo. Essa é uma das características que fazem com que ele seja um autor espetacular, na minha opinião.
Esqueça aquela imagem do palhaço assassino tão difundida e que foi explorada no filme da década de 90. A Coisa é muito mais que um simples palhaço, talvez o palhaço seja a imagem mais cruel da Coisa por ser um personagem que atrai as crianças, mas a Coisa tem várias faces, dependendo de você, ela pode ser um lobisomem, um pássaro, um leproso, o Frankstein. Você tem pavor de múmias? Ok, pra você a Coisa vai ser a múmia. Imagina conseguir fugir de um ser assim? Prepare-se para os pesadelos e são neles que a Coisa vai aparecer. Esse foi um dos maiores vilões criados na literatura, pode ter certeza.
“...e por uma sensação de que Derry era fria, de que Derry era dura, de que Derry estava cagando se qualquer um deles vivia ou morria, e muito menos se eles triunfariam sobre Pennywise, o Palhaço. O povo de Derry vivia com Pennywise em todos os seus disfarces havia muito tempo... e talvez, de alguma forma louca, tivesse até passado a compreendê-lo. A gostar dele, precisar dele. Amá-lo? Talvez. Sim, talvez isso também.” (Pág. 467)
Sem dúvida, IT – A Coisa é a obra-prima de Stephen King. Se você tiver interesse em se aventurar pelas 1.104 páginas dessa história esteja seguro de que vai fazer uma viagem longa, com algumas paradas, porque sim, em algumas partes a narrativa se torna um pouco lenta, mas vai ser uma viagem inesquecível e que no final vai te deixar com muita saudade, apesar de toda palpitação que você irá sentir. Sabe a montanha-russa em um parque de diversões? Você quer enfrentar toda aquela adrenalina, no momento que a aventura começa você pensa que quer sair e quando termina só quer voltar e viver aquilo tudo novamente. Pense nisso quando for ler IT – A Coisa e.... Boa viagem!
“Ela sempre volta, sabe. A Coisa. Então, sim. Acho que vou ter que fazer aquelas ligações. Acho que era para sermos nós. De alguma forma, por algum motivo, somos os eleitos para acabar com isso para sempre. Destino cego? Sorte cega? Ou é aquela maldita Tartaruga de novo? Será que ela também dá ordens além de falar? Não sei. E duvido que importe. Todos esses anos atrás. Bill disse: A tartaruga não pode nos ajudar, e se era verdade na época, deve ser verdade agora.” (Pág. 153)

Um pouco sobre o autor: Stephen Edwin King é um escritor americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Os seus livros venderam mais de 350 milhões de cópias, com publicações em mais de 40 países. (Wikipédia)

Outros livros do autor publicados no Brasil:
1974 - Carrie (Carrie)
1975 – A Hora do Vampiro (Salem’s Lot)
1978 – A Dança da Morte (The Stand)
1979 – A Zona Morta (The Dead Zone)
1980 – A Incendiária (Firestarter)
1981 – Cão Raivoso (Cujo)
1983 – Christine (Christine)
1983 – O Cemitério (Pet Sematary)
1983 – A Hora do Lobisomem (Cycle of the Werewolf)
1984 – O Talismã (The Talisman, escrito com Peter Straub)
1986 – A Coisa (It)
1987 – Os Olhos do Dragão (The Eyes of the Dragon)
1987 – Angústia (Misery)
1987 – Os Estranhos (The Tommyknockers)
1989 – A Metade Negra (The Dark Half)
1990 – A Dança da Morte (expandida) (The Stand: The Complete & Uncut Edition)
1991 – Trocas Macabras (Needful Things)
1992 – Eclipse Total (Dolores Claiborne)
1994 – Insônia (Insomnia)
1995 – Rose Madder (Rose Madder)
1996 – À Espera de Um Milagre (The Green Mile)
1996 – Desespero (Desperation)
1998 – Saco de Ossos (Bag of bones)
2001 – O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher)
2001 – A Casa Negra (Black House, escrito com Peter Straub)
2002 – Buick 8 (From a Buick 8)
2006 – Celular (Cell)
2008 – Duma Key (Duma Key)
2011 – Novembro de 63 (22/11/63)
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Gostei, Bel. E quando você começou falando que virou fã de carteirinha, lembrei das carteirinhas do grupo. Você foi rápida no gatilho, sem mais, apresentou o autor, suas características e nos introduziu no enredo da história, falando sobre o tema central e seus protagonistas, e claro A Coisa, esclarecendo que a imagem do palhaço não é a única usada, e sim a mais comum, por motivos óbvios. A Coisa para mim seria uma barata. Gostei, gostei mesmo.

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    1. Fico feliz que tenha gostado, Cristiano!
      E sim, quando falei da carteirinha falei pensando no grupo, afinal temos uma carteirinha mesmo não é? :)
      Obrigada pelo comentário!
      Bjs

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