3.7.20

A Casa das Sete Mulheres (Letícia Wierzchowski)

FICHA TÉCNICA
Nome original: A Casa das Sete Mulheres
Autora: Letícia Wierzchowski
País de origem: Brasil
Número de páginas: 462
Ano de Lançamento: 2000
ISBN-13: 9788528622041
Editora: Bertrand
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Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 44º livro lido em 2020 e foi A Casa das Sete Mulheres (Letícia Wierzchowski). Este livro foi adaptado para uma popular minissérie na Rede Globo em 2003 e embora tenha feito muito sucesso, eu desconhecia que existia um livro base e quis ler desde que soube, porém sempre foi um livro bem caro e a oportunidade de realizar a leitura só surgiu agora.
Assim como muitos países, o Brasil foi vítima de guerras, ditaduras e regimes autoritários. Em 1853, o Rio Grande do Sul foi protagonista da Guerra dos Farrapos, revolução republicana que durou dez anos, tendo como líder o General Bento Gonçalves da Silva. Durante a guerra, as mulheres da família do General se refugiaram em uma casa de campo conhecida como Estância da Barra no interior da província, enquanto os homens lutavam contra o império pela causa dos latifundiários.


Vivendo em meio aos pampas, as sete mulheres tinham somente a companhia de crianças, escravos e funcionários da fazenda enquanto esperavam por notícias de seus familiares, sem que pudessem fazer algo para protegê-los ou mudar o rumo de suas batalhas. Essas mulheres passaram o período da guerra alimentando a esperança que seus homens voltariam para casa com a vitória nas mãos, vivos e fortes. Porém, essa espera pela volta da vida normal também sofreu consequências, ainda que estivessem em segurança e distantes da luta.

Uma das mulheres da família era Manuela, jovem sonhadora e cheia de carisma que teve a vida transformada pelo conflito, assim como as demais mulheres de sua família. O diferencial de Manuela para as outras mulheres da família e da casa é que ela teve uma visão do futuro, não apenas relativa a guerra, mas em relação ao amor da sua vida que viria da Europa e seria Giuseppe Garibaldi.


Durante toda a narrativa acompanhamos a história da angústia das mulheres em uma espera que parece interminável, enquanto a solidão as acompanha. Cada uma delas com características fortes que a definiriam durante todo o enredo. Algumas românticas e sonhadoras, outras destruídas por dores pregressas, cada uma delas enfrentou o tempo de luta e espera de forma diferente e entre os acontecimentos tivemos romance, pano de fundo histórico e uma narrativa intensa, um pouco rebuscada e repetitiva que ainda assim, me envolveu e me deixou completamente imersa no livro. Carregada de sentimentos e emoções, a história envolve facilmente o leitor, não somente criando afinidade entre ele e os personagens, mas fazendo com que se torne parte da história, onde todo o cenário e contexto é tão bem descrito e desenvolvido que faz com que seja fácil nos imaginarmos vivendo a vida daquelas mulheres.

A escrita da autora é um pouco sofisticada, mas de fácil compreensão. Ela faz uso de muitas palavras corriqueiras no dia a dia do gaúcho como “milongas”, “querência” e “mate amargo”, mas que pode parecer estranha para o resto do Brasil. Alguns personagens ainda misturam palavras em espanhol com o português, em função das fronteiras com o Uruguai e Argentina e isso pode tanto enriquecer a história como também afastar o leitor.

Como todo romance, temos amores proibidos, despedidas, mortes e desilusões. Além da guerra com disputas bem descritas e cheias de ação. 

Há um ponto que me incomodou bastante, o uso de expressões racistas dentro da trama. A história se passa ainda na época escravocrata, mas acredito que isso não seja motivo suficiente para se referir aos escravos como “negrinhos”, até porque é um livro contemporâneo, lançado neste século. 

A narrativa é alternada em diferentes tempos e versões, como visões de personagens a cada capítulo, além do uso dos trechos escritos nos cadernos da protagonista, que narrava os acontecimentos, sentimentos e esperanças que a acometiam dia após dia. Isso colabora para que a história seja contada com todo o tempo necessário sem se estender demais, usando-se destes trechos como complemento a fatos que não foram especificamente narrados. O ponto alto é termos estes fatos narrados pela visão dos personagens e podermos acompanhar como tudo se torna pesaroso e difícil para eles. As perdas, separações e a esperança que aos poucos fica mais escassa são descritas de forma ainda mais assertiva.


O livro me trouxe uma saudade absurda do Rio Grande do Sul, mas além disso, percebi na prosa da autora que a história contada se trata acima de tudo de uma carta de amor ao povo gaúcho, contando de forma didática o que foi uma das guerras mais longas do nosso país e que temos tão pouco tempo para estudá-la na escola.

Eu gostei!


Um pouco sobre a autora: Antes de se dedicar às letras, começou a cursar a faculdade de arquitetura, que não chegou a completar. Foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil de seu pai. Enquanto trabalhava neste último emprego, começou a escrever ficção. Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O Anjo e o Resto de Nós, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul. Atualmente a autora trabalha com a literatura e o cinema. Algumas de suas obras publicadas são:

  • Desaparição
  • O menino que comeu uma biblioteca
  • O Primeiro e o Último Verão
  • Travessia
  • Um Farol No Pampa
  • Navegue a lágrima
  • Coração de Mãe Sal
  • Neptuno
  • Os Getka
  • Os Aparados
  • A Casa das Sete Mulheres
  • Era outra vez um gato xadrez
  • De um grande amor e de uma perdição maior ainda
  • O menino paciente

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