Lolita (Vladimir Nabokov)

segunda-feira, 13 de maio de 2019

FICHA TÉCNICA
Nome original: Lolita
Autores: Vladimir Nabokov
Tradução: Jorio Dauster 
País de origem: França
Número de páginas: 320
Ano de Lançamento: 1955
ISBN-13: 9788574024738
Editora: Folha de São Paulo

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 29º livro lido em 2019 e foi Lolita (Vladimir Nabokov). Este livro estava na minha estante desde 2003 e eu já havia tentado ler duas vezes. Na primeira, abandonei a leitura porque senti a narrativa se arrastar e na outra vez porque o livro é realmente difícil em função da sua premissa, mas desta vez eu estava determinada a concluir a leitura e deu certo.

O livro nos traz a história de amor de um professor de literatura chamado Humbert Humbert pela Dolores Haze. Porém, é imprescindível deixar claro que ele tem 56 anos enquanto ela só tem 12. Assim, não temos um romance e sim um caso de pedofilia com todos os elementos repulsivos da questão, mas narrados com uma escrita impecável, envolvente e muito bem desenvolvida.


Sabemos já no início do livro que Humbert Humbert está preso e ele nos conta essa história enquanto espera a conclusão de seu julgamento por algum crime que cometeu, mas esse fato se perde dentro da história porque acabamos por ter a nossa atenção manipulada por toda a relação que ele estabelecerá com a menina.

Humbert aluga um quarto na casa da mãe de Dolores e se apaixona pela menina, tudo o que pensa e quer é tê-la para si. Para tanto, ele seduz a mãe, casando-se com ela para se aproximar da Dolores e após a morte da mãe de Dolores, ele viaja pelos Estados Unidos com a menina e faz dela sua amante.


Falar um pouco mais do enredo é entregar alguns pontos interessantes da história e vou me ater apenas a dizer que foi uma das leituras mais desconfortáveis e complicadas da minha vida de leitora porque apesar do livro ser primoroso no desenvolvimento da história, traz um pedófilo como narrador, te dando fatos e argumentos que em uma mente um pouco mais ingênua, pode entender toda essa história como um romance como outro qualquer e não é. Lolita, como Humbert chama Dolores, é uma criança que tem a sua pré-adolescência rouba em função da mente doentia de um homem que sabe que está errado, que aquilo não é algo normal ou aceitável, mas o alimenta com motivações baseadas em paixão.

Vale lembrar que o livro foi rejeitado por inúmeras editoras após a leitura do original. O tema controverso não foi aceito porque como disse, é uma história muito tensa, mas depois que o autor conseguiu vender seu original, o enredo ganhou o mundo e se consolidou como um dos clássicos universais mais lidos do mundo, talvez pela escrita realmente maravilhosa ou porque em alguns lugares exista identificação com o tema, seja com Humbert Humbert ou com Lolita.


O desfecho do livro é muito bom. Uma crescente de sentimentos investidos durante a leitura em que o leitor é presenteado com uma conclusão crível e justa. Mesmo a leitura sendo desgastante com o tema proposto, ao chegar ao fim do livro, eu estava mais que satisfeita com o seu final.

Foi uma leitura difícil, porém, agora eu entendo o seu valor literário para o mundo e como ele é um recorte interessante para o gênero. Antes da leitura eu já havia ouvido e lido comentários sobre a obra e como algumas pessoas realmente acreditam que Lolita não era uma vítima nesta história. Muitas pessoas romantizaram essa relação e acreditaram nas descrições sofridas do narrador, mas é preciso salientar que ele não merece nossa confiança e que o desejo de um homem por uma criança de 12 anos não é normal.

Enfim, adorei ter chegado ao fim do livro porque eu precisava ter a minha própria conclusão desta história tão famosa e que é tão pouca compreendida por alguns.

Adorei.


Um pouco sobre o autor: Vladimir Nabokov nasceu em 1899, em São Petersburgo (Rússia), numa família da antiga aristocracia. Em 1919, a instabilidade produzida pela revolução bolchevique obrigou a família a abandonar a nova União Soviética e ir para a Inglaterra. Nabokov estudou em Cambridge até 1922, licenciando-se em literatura russa e francesa. Em seguida, mudou-se para Berlim, onde deu aulas de tênis e iniciou sua produção literária. Em 1926, após publicar poemas e contos, lançou seu primeiro romance, "Machenka". Depois de uma estadia em Paris, fugindo dos exércitos nazistas, chegou aos Estados Unidos, onde se dedicou ao ensino de literatura russa em várias universidades além de trabalhar no departamento de entomologia em Harvard. No Brasil, Lolita é o seu único livro publicado.
Comentários
8 Comentários

8 comentários :

  1. Olá!

    Eu tenho esse livro nessa edição e confesso que tenho certo receio em realizar a leitura.
    Com certeza eu me sentiria desconfortável lendo o livro, tenho que me preparar muito psicologicamente para lê-lo. Não consigo aceitar essa ideia de um homem tão velho se dizer apaixonado por uma criança de apenas 12 anos.
    Mas mesmo assim, pretendo realizar a leitura, só para saber o motivo do livro fazer tanto sucesso.

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  2. Li esse livro há muito anos, acho que tinha uns 14 ou 15 anos. Lembro-me de ter ficado enojada com essa história, tão enojada que mais de dez anos depois não tive vontade de reler. Realmente é uma obra que tem grande valor literário, contudo, como você disse, não é nada fácil!

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  3. Oi, Ivi.
    Eu deveria ter lido esse livro para uma matéria na faculdade, mas estava tão enrolada na época que acabei apelando para um resumão! Rs... Apesar disso, o livro continuou na minha lista de leituras e um dia espero me animar e fazer logo essa leitura!
    Gosto de histórias incômodas!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  4. Oi Ivi!
    Quando vi o nome do livro, já imaginei que seria um livro complicado de ler, pois o nome Lolita é muito famosa em diversas partes do mundo, mas cada um conta de um jeito, mas ao final fica sempre a mesma, como uma criança de doze anos poderia saber a arte da sedução? Muitas controversas. Fiquei arrepiada lendo sua resenha e com certeza teria este mesmo sentimento de incomodo como você ficou, parabéns pela sua resenha , anotei a dica para leitura e obrigado. Bjs!

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  5. Oi, Ivi!
    Eu quero muito ler esse livro, porém, acredito que eu ainda não esteja preparada para ele. Mesmo sabendo que ele é um pedófilo, tenho um pouco de medo que acreditar e concordar com os argumentos do Humbert Humbert.
    A Lolita é a vítima e me preocupa muito que ainda hoje, diversos leitores não consigam perceber isso. Romantizar essa "relação" é um perigo para a sociedade e fico muito triste com isso.
    Então acho que preciso de um pouco mais de tempo, de preparo, para essa leitura.
    Fico feliz que você tenha gostado da leitura e que a leitura tenha te incomodado. O incômodo é necessário e importante.
    Bjsss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2019/05/um-role-pelo-mundo-com-o-olhar.html

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  6. Oi, eu já li esse livro há alguns anos, a escrita do autor é ótima, consegue nos fazer quase cair na conversa do narrador, mas achei interessante como nas entrelinhas ele mostra como o narrador era errado e doentio, e como a Lolita sofria com tudo o que tinha que suportar, pena que alguns leitores romantizem essa situação.

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  7. Eu já assisti ao filme, mas tenho muito interesse na leitura também. Realmente deve ser algo bem difícil de ler, mas leituras chocantes assim acabam por sendo necessária.
    beijos

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  8. Olá, tudo bem Ivi?

    Parabéns pela resenha, confesso que nunca li "Lolita", deve ser uma leitura complicada, mas parece ser uma boa leitura. Gostei das fotos.
    Abraço!

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Ivi Campos

45 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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