Quando os Mortos Falam (Claudia Lemes)

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Ficha Técnica:
Nome Original: Quando os Mortos Falam 
Autora: Claudia Lemes
País de Origem: Brasil
Número de Páginas: 240
Ano de Lançamento: 2021
ISBN-13: 9786586099867
Editora: Avec

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 88º livro lido em 2022 e foi Quando os Mortos Falam (Claudia Lemes). Eu sou muito fã desta autora e estava ansiosa para ler seu último lançamento, porém segurei a ansiedade para incluir o livro na TBR de outubro, apenas com livros de terror e horror.

O livro nos traz a Verena, uma ex-policial que após o assassinato de sua filha e a não resolução do caso, perde a confiança nas instituições públicas de segurança e investigação. Abre mão do emprego e entre altos e baixos, tenta superar a dor da perda e atravessa seu luto com a eterna dúvida de quem poderia ter matado Luíza.


Um dia, Verena está em sua casa e recebe uma ligação de um homem que se identifica como médium e alega que uma alma desencarnou e seu corpo está em um parque próximo à casa de Verena. Ela fica revoltadíssima com a ligação, porém, quando esse homem tenta uma segunda vez, Verena pede ajuda para Caio, seu amigo e parceiro na polícia que ainda é policial e descobre de fato que o corpo existia. A partir daí descobrem que um serial killer está atuando em São Paulo refazendo cenas de filmes de terror. Literalmente, esse assassino mata suas vítimas inspirado em cenas de filmes violentos e uma caçada a esse criminoso se estabelece, mesmo que Verena já não seja policial.

Em um texto, é comum elogiar as descrições capazes de transportar o leitor para um ambiente diferente da realidade. Neste livro, o mérito é de compor ambientes e cenas inegavelmente reais e desenvolver personagens humanos que poderiam facilmente fazer parte de nossas vidas. A autora consegue descrever lugares, sentimentos e personagens com tanta eficiência que conseguimos visualizá-los com riquezas de detalhes e faz isso sem tornar o texto cansativo ou chato. Pelo contrário, sua narrativa é dinâmica e envolvente.

Seus personagens possuem vozes próprias. Através do desenvolvimento do enredo, palavras são transformadas em vozes. É algo que vai muito além de bons diálogos ou boa caracterização de personagens. A voz de Verena, uma mulher que carrega um peso insuportável gerado por uma perda irreparável, é nítida. Um timbre que transmite uma vontade incessante de obter uma única resposta. Ela é firme, direta e cheia de energia. Avança e tenta, tenta, tenta e…cansa. O não se conformar com a impossibilidade de obter uma conclusão para a perda pesa dentro da personagem. Nesse ponto o dramático toma forma. Um cansaço que gera impacto e emociona quando a protagonista despeja fraquezas misturadas a uma vontade de persistir. 

A maior parte da narrativa é conduzida por diálogos e fluxos de consciência. Elementos caracterizados pela conversa que um personagem tem consigo e com os outros. Com essa base, a autora brilha ao criar não só uma voz para Verena como também para os demais personagens. Verena e o melhor amigo Caio conduzem a narrativa e cada um possui um núcleo.


A ex-policial divide o protagonismo com o investigador. Ele tem uma voz calma, insegura e ao mesmo tempo amiga. A eterna parceira, amiga e praticamente irmã do investigador tem uma voz forte. É incrível como a autora consegue transmitir um tom de voz de alguém somente com as palavras. Sabe quando você entra em uma sala e tem um monte de gente conversando? Você quer encontrar alguém. Olha para um lado, para outro… para, espera e a voz dessa pessoa destaca-se no meio da algazarra. A voz de Verena tem essa característica e torna-se facilmente reconhecível durante o texto. Esse elemento somado a uma carga dramática feita com paciência e sensibilidade fazem a personagem ser marcante.

O falar substitui as descrições presentes e pontuais. Ao ler pensamentos e escutar as vozes, pude imaginar cada um dos personagens. Isso é o suficiente para conduzir o leitor por uma narrativa cheia de investigação e a autora brilha mais uma vez. Sinto que Claudia Lemes tem os elementos do gênero policial na palma da mão. Com este conhecimento não são criados atalhos. Em vez disso a narrativa é simplificada. Não existem textos enormes para explicar métodos de investigação, a autora poupa o leitor de detalhes enfadonhos e não levanta uma lista enorme de suspeitos para alongar a tensão. Tudo que uma boa história policial precisa está no texto e é passado de forma simplificada, gerando um bom ritmo e criando curiosidade.

Investigar os assassinatos cometidos por um maníaco é algo pesado. Sendo assim, é mais que rotineiro ver obras com um tom policial ganharem uma atmosfera de terror. Este livro não segue uma crescente até a narrativa ser ocupada com o terror. Há uma alternância onde a autora sabe usar referências cinematográficas como um elemento fundamental para a trama e não um recurso para agradar fãs. 


A conclusão do livro é magnífica e quando o livro se encerra, a sensação de satisfação é imensa. Acompanho a autora desde o seu primeiro lançamento comercial e desde então, nunca tive uma decepção com ela. Mesmo escrevendo um gênero que não tenho o costume de ler, Cláudia Lemes me faz entender que o que ela produz é o que tenho de melhor na minha estante.

Adorei!!!


Um pouco sobre a autora:
Cláudia Lemes é brasileira e nasceu em Santos-SP. Cresceu no Rio de Janeiro, onde sob a forte influência da mãe, professora de literatura, tornou-se uma leitora compulsiva. Morou no Cairo (Egito) dos dez aos dezesseis anos. Ao voltar para o Brasil, viveu na cidade de São Paulo e decidiu estudar criminologia por hobby, depois de passar por uma tentativa de assalto. 

Alguns de seus livros publicados são:

    • Eu Vejo Kate – O Despertar de Um Assassino
    • Eu Vejo Kate 2 – A Lua do Assassino
    • Um Martini com o Diabo
    • Inferno no Ártico
    • Cartas no Corredor da Morte
    • A Segunda Morte de Suellen Rocha
    • Quando Os Mortos Falam
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Ivi Campos

46 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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