As Nove Vidas de Rose Napolitano (Donna Freitas)

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Ficha Técnica:
Nome Original: The Nine Lives of Rose Napolitano 
Autora: Donna Freitas
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Lígia Azevedo
Número de Páginas: 344
Ano de Lançamento: 2021
ISBN13: 9781984880598
Editora: Galera

Oi gente que ama livros, hoje venho com a resenha do 79º livro lido em 2021 foi As Nove Vidas de Rose Napolitano (Donna Freitas). Este livro chegou para mim através da parceria com a Companhia das Letras.

O livro nos traz a Rose, uma mulher que nunca quis ter filhos e sempre deixou isso bem claro para o namorado, com quem se casou, mas depois de algum tempo, ele mudou de ideia e é aí que a coisa complica. Como o próprio título anuncia, o romance trabalha com nove vidas alternativas, nas quais Rose Napolitano toma diferentes escolhas a partir de uma única cena em que o marido a acorda com um pote de vitaminas na mão e a acusa de não tomar os comprimidos que supostamente iriam ajudá-la a engravidar. Às vezes, basta um detalhe para alterar completamente o rumo da vida de Rose, o que é bem legal.


Esse é um aspecto que destaco no romance. Embora tenha me perdido um pouco com as alternâncias das realidades paralelas da personagem, a estrutura é bem interessante. Há momentos em que diferentes caminhos se tocam, assim como acontecimentos completamente opostos, mas em todos eles fica o questionamento: até onde vale a pena abrir mão de uma decisão séria para "salvar" um casamento? No começo da leitura é fácil se identificar com a personagem por maior que seja o seu instinto materno, pois a questão não é ter ou não ter filhos, mas o poder de escolha que uma mulher tem sobre a sua vida e sobre o que ela deseja para si mesma.

Sabemos o quanto essa questão é recorrente e também sabemos o quanto as mulheres que não querem ter filhos são julgadas e sobre as mais bizarras expressões que elas ouvem enquanto querem apenas ser donas de suas próprias vidas. O quanto precisam escutar que "uma hora você vai mudar de ideia", como se alguém fosse capaz de conhecer suas ideias melhor do que ela mesma. Expressões como "você está perdendo a experiência do maior amor do mundo" podem ser sufocantes, como se essas mulheres tivessem algum defeito de programação amorosa. Outra expressão comum e problemática é "você não é uma mulher completa enquanto não tem filhos" como se uma parte de sua integralidade dependesse de ser mãe. Uma das mais estranhas é "você precisa dar continuidade à sua família" e me faz pensar que um mundo de quase oito bilhões de pessoas realmente vai perder algo significativo com o fim da linhagem de uma mulher? Uma das piores é "mas quem vai cuidar de você na velhice?" Sério que as pessoas devem ter filhos para isso? E várias, várias outras crueldades - sim, a palavra é essa mesmo - que romantizam a maternidade a níveis de grande cobrança e também desencadeiam uma exigência perversa em cima das mulheres que decidem ter filhos ou mesmo as que engravidam sem planejamento.


As Nove Vidas de Rose Napolitano aborda todas essas questões, apresentando diferentes pontos de vista, diferentes caminhos, que envolvem relacionamentos conjugais e familiares, decisões de carreira, cobranças, liberdade de escolha etc. Por tudo isso, deixo minha opinião: sem dúvida, recomendo o livro, tanto para quem tem ou não filhos, como para quem quer ou não optar por essa escolha,  talvez uma das que mais afetará a vida de qualquer pessoa. Digo isso porque sou mãe e sou muito feliz na minha experiência materna, mas entendo, aceito e defendo o direito de qualquer mulher poder dizer que não quer ser mãe.

Rose vive nove realidades distintas, faltou uma que na minha opinião poderia ser muito relevante para a conclusão do entendo, mas, ainda assim, foi uma leitura forte, pertinente e que me deixou muito satisfeita.


Adorei!


Um pouco sobre a autora:
Donna nasceu em Rhode Island e atualmente divide sua residência entre o Brooklyn, NY e Barcelona, Espanha. As Nove Vidas de Rose Napolitano é o seu único livro publicado no Brasil.
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Ivi Campos

45 anos. De todas as coisas que ela é, ser a mãe do André é a que mais a faz feliz. Funcionária Pública e Escritora. Apaixonada por música latina e obcecada por Ricky Martin, Tommy Torres, Pablo Alboran e Maluma! Bookaholic sem esperanças de cura, blogueira por opção e gremista porque nasceu para ser IMORTAL! Alguém que procura concretizar nas palavras o abstrato do coração.




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