11.9.21

Book Tag dos Sentimentos


Oi gente que ama livros, hoje venho com a Book Tag dos Sentimentos que tem como objetivo associar livros aos sentimentos mais comuns dos seres humanos.

Vamos conferir?

1 – Tristeza, um livro que você leu e fez você chorar muito.
Eu até tento pensar em outro livro que não seja Uma Vida Pequena (Hanya Yanagihara) para colocar em tópicos que não sejam de tristeza, mas é impossível para mim não eleger este livro como um dos mais tristes que eu já li na vida. Para se ter uma ideia, li chorando sem parar as últimas 80 páginas. O livro nos traz Jude, Willen, Malcom e JB que se conheceram na faculdade e se tornaram bons amigos. O livro começa quando eles precisam encontrar um novo apartamento barato para morar, não podem se dar ao luxo de gastarem muito pois estão começando a vida profissional e encontram um imóvel que se encaixa nesse requisito na rua Lispenard em Nova York. A partir deste momento em que conhecemos a interação inicial entre os quatro jovens entendemos quem é quem. Willen é um rapaz bonito que sonha em se tornar ator, vem de uma família de origem escandinava e é ótima pessoa. Malcon é arquiteto, o único que vem de uma família que vive de forma confortável financeiramente. JB é negro, difícil, um pouco sem noção e artista plástico. As primeiras páginas do livro nos levam a acreditar que teremos a história destes quatro jovens no decorrer do enredo, mas em um dado momento, percebemos que Jude é o protagonista da narrativa e os outros orbitarão ao redor dele. Jude tem uma deficiência nas pernas e muita dificuldade em se locomover. Fala muito pouco sobre seu passado e é sempre muito discreto sobre si mesmo. Quando percebemos as motivações do personagem, nosso coração fica apertado. O livro é intensamente triste e violento. A forma como nos apegamos aos personagens nos faz sofrer ainda mais porque a todo momento desejamos que aquela sequência de infortúnios tenha fim e isso não acontece. Sinto-me na obrigação de dizer que o livro é triste do início ao fim e ainda que exista uma parte dele com o título de Tempos Felizes, essa felicidade é temperada com lembranças de tempos horríveis e o passado não dá trégua ao personagem. 

2 – Frustração, um livro que você criou expectativas que não foram correspondidas.
My Brother’s Name is Jessica (John Boyne): Com muita dor no coração, tenho que colocar um livro do John Boyne em uma categoria negativa e isso não se deve apenas a minha expectativa por qualquer trabalho dele, mas pelo fato do livro ser problemático em aspectos muito importantes dentro da comunidade LGBTQ+. O livro nos traz o Sam, um menino de 13 anos que está vivendo uma situação peculiar em sua vida. Desde sempre, Sam viu no seu irmão Jason o modelo de ser humano perfeito. Sempre ouviu as histórias que os pais contavam sobre o quanto Jason queria ter um irmão e o quanto se doou para o pequeno quando ele nasceu. Toda a infância de Sam é marcada por momentos muito positivos na relação com Jason e sem dúvida, ele é o seu ponto de conforto, acolhimento e segurança dentro de casa enquanto os pais estão ocupados com suas próprias carreiras. A mãe em especial por ser política e ter grande popularidade, com a previsão de se tornar a primeira ministra da Inglaterra. Minha decepção com o livro veio pelo autor colocar a dificuldade de Sam como protagonista do enredo, o que é um pouco absurdo porque quem não está vivendo a transição de gênero – me perdoem se eu não estiver usando o termo correto – não precisa se sentir constrangido pela sociedade hétero, normativa e binária em que vivemos. A difi culdade não é da pessoa ou do familiar que tem alguém trans no seu meio familiar ou de convívio e a sua posição precisa ser apenas de apoio e acolhimento. O autor insere situações em que Sam é hostilizado na escola por ser irmão de uma menina trans, mas nem de longe, essa situação é maior que a de Jessica, nome que Jason escolhe para si. Embora a própria sociedade não permita que aceitemos o outro diferente de nós, nosso desconforto com isso, originado sem dúvida por ignorância e falta de empatia, não deve ser o foco da circunstância. 

3 – Humor, um livro em que deixou você em gargalhadas:
É Agora ou Nunca (Marian Keyes): O livro nos traz três grandes amigos: Tara, Fintan e Katherine. Os três se conheceram ainda crianças no interior da Irlanda e com trajetórias e famílias muito distintas entre si, encontraram na amizade o apoio e acolhimento que não encontravam em outros lugares. Tara era a despojada, namoradeira e queria se aventurar no mundo. Fintan se descobriu, se aceitou como homossexual desde cedo e sempre foi o crítico do trio enquanto Katherine era a mais reservada e discreta dos três. Quando entraram na vida adulta, decidiram romper os limites e se mudaram para a cosmopolita Londres, lugar em que cada um deles se estabeleceu, seja profissionalmente ou emocionalmente. O livro começa com o aniversário da Tara e entendemos em poucos parágrafos que ela vive um relacionamento tóxico com o namorado Thomas, um homem avarento que insiste em diminuí-la em função de seu biotipo fora dos padrões. Apesar da abordagem séria, isso é relatado com muito bom humor, assim como os outros temas no livro: Fintan tem diagnóstico de câncer no sistema linfático e Katherine vive assombrada com algo que aconteceu aos seus dezenove anos com um amor não correspondido e que a machucou intensamente. Já nas primeiras páginas do livro eu dei gargalhadas sonoras com as situações que a autora criou para nos apresentar cada um dos personagens, bem como as pessoas que fariam parte de seus arcos pessoais. Tara é uma mulher inteligente, forte e excelente amiga, mas permite ser desacreditada por um homem inferior a ela em um milhão de aspectos. Fintan é o único dos três que vive um relacionamento saudável com o namorado Sandro e embora esteja enfrentando a doença, também nos faz sorrir. Katherine é a que menos nos diverte, mas, em contrapartida, passamos grande parte da narrativa tentando descobrir o que aconteceu no seu passado que a traumatizou tão fortemente.

4 – Compaixão, um personagem que você sofreu junto com ele durante a história 
Garoto 21 (Matthew Quick): O livro nos traz o Finley, um garoto tranquilo, que mora com o avô e o pai em um bairro pobre e violento de Bellmont, uma cidade no interior da Pensilvânia. Finley namora a sua melhor amiga desde o ensino fundamental e ambos são apaixonados por basquete. Embora ele não seja um grande jogador, é extremamente dedicado, enquanto Erin é uma jogadora notável e todos ao redor sabem que terá um futuro brilhante no esporte. Finley é um garoto com um coração maravilhoso e ama muito a família. Ajuda o avô, que teve as duas pernas amputadas quando ele ainda era criança, na mesma época que sua mãe morreu e, ainda que este seja um assunto inconversável dentro da sua casa, ele entende o fato da pequena família não ter grandes posses. Até que algo acontece na vida do Finley e a sua rotina é alterada. Um dia, o treinador de basquete pede para que ele ajude um novo aluno na escola. O nome dele é Russ, seus pais foram assassinados e em função disso, Russ ficou um pouco desorientado e mesmo com a ajuda profissional após esta violência, acredita sobre todas as coisas que os pais foram para o espaço e voltarão para buscá-lo. O fato é que o Russ é um gênio no basquete. Quando morava na Califórnia com a família, já havia alguns times e universidades de renome de olho nele, mas após o trauma da morte do pai e da mãe, Russ se recusa a jogar. O treinador pede que Finley seja um bom amigo para Russ e o convença a jogar no time. Finley atende o pedido do treinador de bom grado, porém sabe que se convencer Russ a jogar, perderá a sua posição na equipe. O livro aborda amizade, renúncia e infelizmente, violência também. Já na parte final do enredo, algo bem ruim acontece e isso fez meu coração ficar apertado de medo. O livro traz uma mensagem simples de que mesmo que os seus sonhos não se realizem, a vida pode se reinventar e ser boa e gostei demais disto.

5 – Raiva, um livro de escrita tão densa que fez você desistir da leitura 
O Ateneu (Raul Pompeia). Não sei se abandonei este livro porque era denso, porque não era para mim ou simplesmente porque era chato de doer, mas o abandonei duas vezes: a primeira no ensino médio e a segunda na faculdade. Embora acredite que seja de fato uma obra prima da literatura brasileira, não estou disposta a conferir com meus próprios olhos. 
Sinopse: Obra de Raul Pompeia publicada em 1888, O Ateneu narra o percurso de Sérgio pelo colégio interno Ateneu, localizado no bairro Rio Comprido, no Rio de Janeiro. Antes de entrar para o internato, Sérgio já havia passado por um externato e por um professor particular. Porém, a sua experiência de ingressar no colégio é um marco do fim de sua infância e início de sua maturidade, deixando para trás a proteção materna em busca de uma educação moral. Era esse um objetivo, se não o maior, do colégio dirigido pelo pedagogo Sr. Aristarco.


6 – Amor, o casal de um livro que você mais se identificou.
Sem Lógica Para o Amor (Tracey Garvis Graves). O livro nos traz a Anikka, uma mulher com algumas peculiaridades. Ela é sistemática, tem pouca habilidade social e grande incapacidade de sentir empatia. Ainda assim, é extremamente inteligente e depois que o pai a ensinou a jogar xadrez, encontrou no jogo uma forma de organizar seus pensamentos e se sentir confortável em um mundo com tantos imprevistos e contratempos. Sempre protegida pela família, um turbilhão de situações a confrontam ao ir para a faculdade, de modo que em poucos dias e passando por muitos constrangimentos, ela decide desistir e pede aos pais para buscá-la. Porém, em uma última tentativa de socializar, ela vai com a amiga Janice ao centro estudantil da universidade, descobre o Clube de Xadrez e na sequência, conhece Jonathan, por quem se apaixona e começam um relacionamento, mas algo acontece e eles se separam. O livro se desenvolve em nos apresentar de forma lenta, mas bem incisiva quem é a personagem e não houve uma única linha em que eu não tenha torcido intensamente para que a vida dela fosse minimamente fácil. Ridicularizada pelos amigos de faculdade e até dentro do ambiente de trabalho, Annika se mantinha inocente, sem saber discernir quem sorria para ela ou dela. Jonathan é um personagem masculino muito perto da perfeição, pois além de amá-la de forma incondicional, era paciente, generoso e extremamente protetor.

7 – Nojo, um livro que você leu e gostou, mas hoje você não leria.
Inferno no Ártico (Claudia Lemes): O livro nos traz a Barbara Castello, policial filha de um americano e uma brasileira. Ela nasceu nos Estados Unidos, mas passou parte da infância em Santos, litoral de São Paulo. O livro começa com Barbara trabalhando em Barrow, uma cidadezinha no interior do Alasca. É parceira de trabalho de Bruce, um policial com quem ela não se dá muito bem, o que não é um problema, afinal ela não está ali para fazer amigos. A vida em Barrow é pacata até que um crime surpreende toda a comunidade: uma menina é encontrada morta e as características deste crime levam a investigação a acreditar que aquilo faz parte de uma espécie de ocultismo e pode ter sido executado por um serial killer. Essa investigação aproxima Barbara e Bruce, que precisam deixar as contendas de lado para que o trabalho seja realizado de forma a prenderem o criminoso o mais rápido possível. O livro é muito tenso e violento. Existem cenas extremamente descritivas de violência e uma em especial me deixou chocada. Confesso que tentei pular um parágrafo para não ler a descrição de um dos crimes da narrativa traz e quando fui para o parágrafo seguinte, a própria personagem também desviava os olhos da cena para diminuir o impacto. Embora tenha gostado muito da trama, eu não leria o livro novamente. 

8 – Desespero, um livro ou a cena de um livro com adrenalina.
Depois Que Tudo Acabou (Jennifer Brown): O livro nos traz Jersei, uma adolescente que vive tranquila com a mãe, a irmã menor e o padrasto. A região em que eles moram é caminho de tornados e tempestades fortíssimas e apesar da maioria das casas ter abrigo para esses infortúnios e a cidade estar relativamente preparada para isso, Jersei nunca presenciou nada parecido e por isso, as tempestades intensas que acontecem por lá nunca a amedrontaram. Ainda assim, ela sabe que quando o alarme de perigo toca pela cidade, sua obrigação é deixar tudo e se refugiar no porão, o que acontece em uma tarde quando sua mãe leva a irmãzinha para a aula de dança e seu padrasto está no trabalho. Jersei espera no porão e de lá ouve os barulhos assustadores da tempestade. Quando ela sai do porão, não tem mais uma casa, assim como a grande maioria da sua vizinhança. O tornado varreu seu bairro e parte da cidade e ela entende o que é perder tudo aos dezesseis anos. Embora Jersei não tenha visto o tornado, a descrição da forma como seu bairro ficou, o leitor é capaz de imaginar o vento e a chuva devastando todo o lugar. A descrição do barulho também é muito bem-feita, de forma que o desespero em saber que ela não terá mais nada quando sair do abrigo é desolador.

9 – Surpresa, um personagem que você não deu nada e ele te surpreendeu
Nascido do Crime (Trevor Noah): O livro traz a história de vida de Trevor Noah, hoje com 36 anos que nasceu de uma relação ilícita. Não estou falando que sua mãe ou seu pai eram casados com outras pessoas quando nasceu, não é isso que torna sua concepção errada. O que fez Trevor nascer de um crime foi o fato da mãe ser negra, o pai branco e ele ter nascido na África do Sul durante o Apartheid, regime político de forte segregação racial em que dirigentes brancos se aproveitaram da vulnerabilidade da população negra para marginalizá-los. Ele foi criado e educado pela mãe, Patricia Noah, uma mulher forte, rígida, mas apaixonada pelo filho e decidida dar uma vida melhor a ele. Não apenas em questões materiais, mas que o filho tivesse oportunidades, direito de escolha, sobrevivesse com bravura e determinação diante do racismo legalizado no país. Noah teve uma vida de privações e tentou administrar tudo da melhor forma. Foi uma criança levada, aluno rebelde e adolescente problemático, mas tudo isso nos é contado com muito bom humor, em uma prosa que vicia, envolve e algumas partes, emociona. Ele menciona o apartheid com propriedade porque viveu aquilo. Seu país só se livrou disso em 1994 e essa libertação não ocorreu da noite para o dia, foi um processo. Trevor Noah me deixou tão surpreendida pelo conteúdo forte e relevante que eu me senti envergonhada por não conhecer o autor há mais tempo. As reflexões e analogias sobre as situações do dia a dia são muito próximas a realidade que vivemos no Brasil, em que algumas pessoas conseguem se achar melhor que uma multidão por simplesmente serem privilegiadas por cor, situação social ou conhecimentos. Existiram partes do livro em que gargalhei e outras em que os olhos arderam pela vontade de chorar e tudo o que eu queria era poder sentar com o autor e bater um longo papo.

Essas foram as minhas escolhas para cada sentimento e gostaria de saber quais seriam as suas escolhas. Deixem nos comentários quais livros vocês associariam a estes sentimentos porque vou adorar conferir.

Beijos
 

7 comentários:

  1. Não li nenhum desses, mas tenho vontade de ler O Ateneu justamente por ser um dos clássicos e ter fama de complicado.
    Gostei muito da book tag, dá pra saber ainda mais o que esperar de cada leitura.

    Danielle Medeiros de Souza
    danibsb030501@yahoo.com.br

    ResponderExcluir
  2. Oi Ivi!!

    Eu ainda não li nenhum dos livros que você citou, mas eu vejo muita gente falando sobre Uma Vida Pequena, eu tinha bastante vontade de ler, mas depois que vi uma entrevista com a autora eu acabei ficando meio receosa de ler por conta das declarações dela. Eu não sei se um dia estarei preparada pra ele.

    Eu já li outros livros da Claudia e tenho muita vontade de ler esse que você citou, eu acho ela genial e ela é muito visceral e sem contar que é raro ver mulheres escrevendo esse gênero ahahahahah
    Adorei essa tag, muito bacana!!

    ResponderExcluir
  3. Oie, tudo bem? Ah, faz tanto tempo que não respondo tags fiquei até pensando em responder essa. Um livro que me fez chorar bastante foi Para sempre perdida. Nossa, impossível esquecer esse livro ainda mais quando entendemos a história. Um abraço, Érika =^.^=

    ResponderExcluir
  4. Oi Ivi!
    Quero muito ler Uma vida pequena e Depois que tudo acabou, mas esse já estavam na minha lista, fiquei muito curiosa sobre o Garoto 21 e Sem lógica para o amor, adorei sua Book tags de sentimentos, quem sabe qualquer dia respondo também kkk, tenho muitos livros que se encaixam também aí, obrigado pelas dicas, parabéns pelo post, bjs!

    ResponderExcluir
  5. Oi Ivi!

    Adorei a tag! Eu ainda não tinha lido ela e também gostei bastante dos livros que você mencionou. Tenho muito vontade de ler Inferno no Ártico porque já li vários elogios sobre este li e com sua opinião minha curiosidade aumentou.

    Bjos

    ResponderExcluir
  6. Oi, Ivi! Tudo bem?
    Amei a tag e as suas respostas. Ainda não li nenhum dos livros que você citou, mas vejo muitos comentários sobre ele e todo mundo disse que chorou muito. Dos outros citados, tenho curiosidade de ler Sem lógica para o amor e Nascido do crime. Espero ler algum dia.
    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Olá, tudo bem? Adorei a booktag e suas escolhas. Não li nenhum dos que falou, mas tenho super curiosa com o do Trevor Noah. Acho que seria uma leitura fora da minha zona de conforto, mas que sempre quis tentar. Amei!
    Beijos

    ResponderExcluir